Foi com esse pensamento que o poeta popular viu uma cena e percebeu que a faca afiada leva a fama.No entanto, ninguém se lembra de que a eficácia de sua lâmina é resultado de uma boa pedra de amolar. Daquele quartzito ou arenito de cimento silicoso duro, ou outra pedra de características similares, usada para afiar instrumentos cortantes.
No sertão nordestino, o homem usa essa pedra de amolar para afiar a faca ou mesmo o machado, instrumentos que servem, principalmente, para cortar carne e madeira. Esses instrumentos cortantes recebem elogios pela eficiência no corte, levam os louros, sem contudo, dividir com a pedra de amolar os enaltecimentos recebidos. Isto é justo? Claro que não.
Certo dia, estava o poeta Zé da Prata, em pé na porta da sua casa, contemplando o seu quintal. Com o olhar da sabedoria popular, logo percebeu que um menino ali estava com uma pedra de amolar afiando uma faca. Feito o serviço, o menino passou a cortar a carne para o churrasco e, vibrante, exclamou: "Isso é que é uma faca boa!"O poeta sorriu e retrucou:" O mérito também é da pedra que com eficiência amolou a faca". Nesse momento, o menino parou e, após refletir por alguns minutos, passou a perceber a importância de cada coisa. Por essa razão, enxergou que, para ser justo, é necessário apontar os valores que realmente cada um possui e não isolá-los em uma só pessoa.
Não adianta assumirmos as glórias de forma isolada, pois o tempo, senhor de todas as verdades, tratará de trazer ao palco o merecimento de todos que, de alguma maneira, participaram do êxito do evento ou do ato merecedor de aplausos.
Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.
Esquina da Vida
Capítulo II - O Homem e as Esquinas
Passa o tempo e a história nos mostra que apenas mudam os
personagens, também flagelados.
Página 67 e 68.
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