sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Onaldo Queiroga - Sinais II

Um conto-uma crônica

O medo, sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário de uma ameaça, susto, pavor, temor, sem dúvida, constitui um dos sérios problemas que estão afetando a humanidade nos dias de hoje. 

A globalização, especificamente na área das comunicações, de um lado vem proporcionando uma maior e mais rápida comunicação entre os homens. Por outro lado, vem causando uma incrível impressão de aumento da velocidade do tempo e, por consequência, deixando no âmago da humanidade uma impiedosa sensação de insegurança, que pode vir a comprometer a própria existência humana.

A escalada da violência, do terrorismo, do aumento das tragédias naturais, das doenças novas e epidêmicas e de tantos outros meios e fatos geradores de discórdias nas relações humanas, também está enraizando na mente do homem uma sensação de que estamos nos aproximando do fim dos tempos.

A verdade é que são tantas turbulências nesse planeta que o homem, de alguma forma, às vezes fica desorientado. Daí a indagação: "Toda essa desagregação que se propaga no mundo será realmente prenúncio dos últimos dias?" Confesso que não sei. Mas há um dito popular que diz que a curiosidade mata.

Realmente o homem é um ser muito curioso e insaciável. Não se contenta com o que Deus já lhe presenteou através da natureza e busca descobrir os segredos desse mundo e até mesmo do universo. Contudo, não mede as consequências dos seus atos e, por isso, a natureza às vezes responde furiosamente, advertindo-o. A santa natura vem apresentando sinais de que algo está errado. Mas, o homem parece não querer entender os recados divinos.

Diante disso, um visionário, poeta repentista, relampejou, das esquinas do sertão, um desesperado mote: - "É como se ouvíssemos lá do alto do Monte Sinai um prenúncio profetizando e advertindo o homem. Uma voz a ecoar grandes cataclismos e ao som das trombetas anunciar o apocalipse. Seguem-se assim, terremotos, tornados e furacões. E a terra estremece ante a fúria dos tsunamis. São tempestades no deserto. São secas na Amazônia. E os mares e os céus despejam na terra desforços escatológicos. Procelas impiedosas arrastam cidades, florestas, homens e animais. A comunicação massificada procura controlar, corromper e alienar pensamentos. Relâmpagos e trovões, choros e gritos reproduzem o desespero. E num afã derradeiro, prostitutas, cafetões, beatas, querubins, santos, padres, pastores, babalorixás. espíritas, cristãos, mulçumanos, budistas e protestantes, com olhares aflitos direcionados aos céus, com fé suplicam numa só voz clemência e perdão".

O homem deve seguir a oração da serenidade: "Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma da outra"

Esperamos que o homem  reflita e sinta que há espaço para todos.

Onaldo Queiroga
Do livro de sua autoria Monólogo Do Meu Tempo
Páginas 73, 74 e 75. 

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