31/08/2019 - 17:39 / Atualizado em 31/08/2019 - 18:07
CARANDIRU
1992 2 DE OUTUBRO
O VERGONHOSO MASSACRE DO CARANDIRU
PM invade presídio para conter rebelião, mata 111 presos e fere 110
Em 2 de outubro de 1992, a polícia foi acionada para conter uma rebelião no pavilhão 9 do presídio do Carandiru, considerado, então, o maior presídio da América Latina. A unidade se encontrava superlotada, com mais de 7 mil presos para 3.250 vagas. O início da confusão teria sido motivado por uma briga entre os presos. Um efetivo de 330 policiais participou da ação. Agentes penitenciários e civis ficaram impedidos de entrar no pavilhão por cerca de oito horas
A princípio . O número completo, de 111 mortos, só foi informado no dia seguinte, pouco antes do início da contagem de votos das eleições municipais daquele ano. Sobreviventes da chacina relataram que os PMs se dividiram pelos andares da penitenciária e atiraram em diversos detentos que não ofereceram resistência.
Uma briga entre facções de presidiários é o estopim para um confronto generalizado no interior da Casa de Detenção de São Paulo, que resultou num massacre que envergonharia o Brasil: 111 presos mortos e 110 feridos. Muitos corpos foram encontrados com as mãos sobre as cabeças, em sinal de rendição, ou algemados. Este foi o mais grave episódio na triste história do sistema prisional brasileiro.
Mais conhecida como Carandiru, a Casa de Detenção abrigava mais de 7 mil detentos em seus nove pavilhões. A capacidade oficial era de 3.250 pessoas. Após a eclosão do motim, os agentes penitenciários pediram ajuda da Polícia Militar. O então governador Luiz Antonio Fleury Filho estava no interior do Estado e foi avisado. Por volta das 15h, o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, ordenou a invasão do presídio.
A tropa comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães entrou no Carandiru utilizando armamento pesado e munição letal em vez de balas de borracha. Com as luzes da Detenção cortadas, os policiais entraram atirando no escuro. Os presos que tentavam esconder-se em suas celas eram executados mesmo que se despissem completamente para provar que não estavam armados.
Em aproximadamente 20 minutos, a situação foi dominada e os sobreviventes foram obrigados e se deitar nus sobre o chão do pátio, onde ficaram por várias horas. Os primeiros carcereiros que entraram no presídio após a ação policial encontraram um cenário de horror: presos feridos gritavam por socorro, corpos mutilados empilhados, havia fogo nas celas e nos corredores, o piso das galerias estava inundado pela água de canos furados ou pelo sangue dos presidiários. O chamado Massacre do Carandiru teve grande repercussão nacional e internacional. Nenhum policial morreu.
Os números do massacre só foram revelados à opinião pública um dia depois, data das eleições municipais. Pouco antes do fechamento das urnas, o secretário de Segurança revelou que 111 presos haviam sido mortos – até então, a imprensa divulgara oito mortes. O governo de São Paulo foi acusado de esconder a dimensão da tragédia para não prejudicar o candidato do PMDB, partido de Fleury.
Passados 21 anos, foi concluído em 2014 o julgamento dos acusados, que durou 12 meses: 73 policiais militares foram condenados pelas mortes de 77 presos a penas que variaram entre 48 e 624 anos de prisão. Todos podem recorrer em liberdade. O coronel Ubiratan Guimarães já tinha sido condenado a mais de 600 anos de prisão. Ele recorreu da sentença e teve o julgamento anulado. O policial foi assassinado em 2006, em circunstâncias até hoje não esclarecidas. O Carandiru foi implodido em 2002 e deu lugar ao Parque da Juventude.
ELDORADO DOS CARAJÁS
Caminhão no trajeto para Curionópolis levando os 19 corpos das vítimas do massacre.

Velório das 19 vítimas em Curionópolis.
Caminhão no trajeto para Curionópolis saindo de Marabá levando os 19 corpos das vítimas do massacre, mostra a mobilização nas ruas após a tragédia.
Em 17 de abril completam 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados pela polícia durante uma caminhada na “Curva do S”, a caminho de Belém, no Pará. Para marcar essa data, nos juntamos ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e ao fotógrafo J.R. Ripper, que detém um dos maiores acervos fotográficos sobre defensores de direitos humanos no Brasil. Com a curadoria de Julia Mariano, montamos a exposição “Eldorado dos Carajás: 20 anos de impunidade”.
Ripper esteve presente na época do massacre. Ele ainda documentou todo o processo da segunda autópsia dos corpos, que foi realizada por pressão do MST e de diversas ONGs que contestaram a primeira autópsia realizada pelo IML do Pará. Suas fotos entraram como provas no processo judicial. Nelson Mancini, médico-legista, foi levado do Rio de Janeiro a Marabá para garantir uma autópsia transparente e fidedigna.
Essas imagens – fortes – mostram a dor do massacre, mas também retratam a força da resistência, da solidariedade e da esperança. Esperamos que elas nos estimulem a não mais aceitar a impunidade para os crimes cometidos contra defensores de direitos humanos.
Em 17 de abril completam 20 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados pela polícia durante uma caminhada na “Curva do S”, a caminho de Belém, no Pará. Para marcar essa data, nos juntamos ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e ao fotógrafo J.R. Ripper, que detém um dos maiores acervos fotográficos sobre defensores de direitos humanos no Brasil. Com a curadoria de Julia Mariano, montamos a exposição “Eldorado dos Carajás: 20 anos de impunidade”.
Ripper esteve presente na época do massacre. Ele ainda documentou todo o processo da segunda autópsia dos corpos, que foi realizada por pressão do MST e de diversas ONGs que contestaram a primeira autópsia realizada pelo IML do Pará. Suas fotos entraram como provas no processo judicial. Nelson Mancini, médico-legista, foi levado do Rio de Janeiro a Marabá para garantir uma autópsia transparente e fidedigna.
Essas imagens – fortes – mostram a dor do massacre, mas também retratam a força da resistência, da solidariedade e da esperança. Esperamos que elas nos estimulem a não mais aceitar a impunidade para os crimes cometidos contra defensores de direitos humanos.
A morte de 19 sem-terras no massacre de Eldorado de Carajás e, abril de 1996 chocou o Brasil e o mundo. Em abril de 1996, 1,5 mil sem-terra, que marchavam em direção a Belém em um protesto contra a demora da desapropriação de terras, acamparam na rodovia PA-150, na altura de Eldorado de Carajás. A Polícia Militar foi acionada pelo então governador Almir Gabriel (PSDB) para desbloquear a via. Comandada pelo coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Almendra, a tropa chegou no dia seguinte. Enquanto os sem-terra usavam paus e pedras para conter a ação dos PMs, os policiais revidaram com tiros. Além dos 19 mortos, o combate deixou mais de 60 feridos.
Camponeses no velório.
ÔNIBUS 174
SÃO PAULO - Em 12 de junho de 2000, Sandro Barbosa Nascimento manteve como reféns passageiros do ônibus da linha 174 da Viação Amigos Unidos, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. Transmitida pela televisão ao vivo para todo o País, a ação durou mais de quatro horas e terminou com a morte de uma passageira e do sequestrador.
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No dia 12 de junho de 2000, Sandro do Nascimento manteve 11 passageiros reféns no ônibus da linha 174 (Gávea-Central), no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. O assalto foi acompanhado ao vivo por todo o país pela TV durante quatro horas e meia. Após horas de negociações com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Sandro, com uma arma apontada para a cabeça da professora Geisa Gonçalves, saiu do veículo.
Um soldado do Bope tentou balear o sequestrador, mas atingiu Geisa de raspão. O bandido então disparou, matando a professora. Apesar de sair do local com vida, Sandro chegou ao hospital morto por asfixia. Os policiais militares apontados como responsáveis pela morte de Sandro foram absolvidos.
Por Cezar de Lima e Felipe Faoro Bertoni
O CASO
No dia 12 de junho de 2000, diversos cidadãos brasileiros estavam cumprindo parte de suas rotinas diárias ao embarcar no ônibus nº 174, no Rio de Janeiro. O que essas pessoas não esperavam era que, por volta das 14h20min, um pesadelo teria início. Esse foi o horário em que Sandro Barbosa do Nascimento ingressou no veículo, armado e transtornado, dando início ao sequestro que tomou a atenção e invadiu os noticiários do dia.
A partir desse momento o Brasil parou. Não havia uma emissora de televisão que não acompanhasse o andamento do sequestro, o qual já indicava o prelúdio de um desfecho trágico.
Sandro deu início ao sequestro, hostilizando os passageiros, mas sem fazer com que o ônibus parasse, o que veio a acontecer cerca de vinte minutos após a abordagem inicial, em razão de uma vítima ter conseguido avisar a polícia do crime que estava em curso. Com isso, o veículo teve o trânsito interrompido pela polícia e o terror se intensificou.
No meio da confusão havida, o condutor do ônibus, assim como o cobrador lograram êxito em se evadir do local pulando as janelas e correndo pela porta traseira. Nesse momento, Sandro, com a finalidade de intimidar os presentes e a multidão que por ali se aglomerava realizou um disparo contra o vidro dianteiro do ônibus, aumentando o pânico instaurado.
Caso que terminou com morte de passageira e do sequestrador Sandro Barbosa Nascimento foi transmitido para todo o País e virou dois filmes
Vítima do ônibus 174 é socorrida
Foto: Delfim Vieira / Estadão
O Globo.Globo.com















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