terça-feira, 22 de setembro de 2026

Há pequenas coisas que chegam sem bater à porta


O sentido das Palavras Carlos Cabrita

Há pequenas coisas que chegam sem bater à porta e, sem sabermos como, acendem uma luz dentro de nós.


O primeiro sol pousado na janela.

O cheiro do café a acordar a casa.

Uma canção antiga que atravessa o silêncio e encontra, intacto, um lugar no coração.

Há o vento a brincar com as cortinas, 

Uma flor que nasceu onde ninguém a esperava, uma voz que pergunta «estás bem?» e não vai embora antes de ouvir a resposta.

Talvez a vida more mais aqui do que imaginamos.

Nas mãos que se procuram. 

Num abraço onde podemos descansar o mundo. 

No pão ainda quente sobre a mesa.

Num olhar que nos reconhece no meio de tanta gente. 

Na companhia de quem sabe sentar-se ao lado do nosso silêncio.

Andamos tantas vezes à procura de grandes razões para sermos felizes que passamos distraídos pelas pequenas eternidades que acontecem todos os dias.

Talvez a felicidade seja assim: uma coisa quase invisível, uma luz pequenina, um instante que não pede nada e, ainda assim, nos oferece tudo.

Por isso, vai devagar.

Há beleza a acontecer enquanto passas.

E talvez a vida não esteja à tua espera mais adiante.

Talvez esteja exatamente aqui, neste pequeno instante em que o teu coração ainda é capaz de se maravilhar.

Carlos Cabrita_escritor

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