terça-feira, 7 de setembro de 2010

Onélia Queiroga - A Vingança


Um conto - uma crônica

Tema tão antigo como atual, a vingança ofende o corpo e dilacera a alma. Por isso tem inspirado os clássicos que a ela se reportam em suas criações literárias, tal com fez Alexandre Dumas em "O Conde de Monte Cristo".

As nossas telenovelas não fogem desse recurso, pelo contrário, utilizam-no constantemente em suas tramas cheias de suspense e cenas fortes de maldade e violência. E, por incrível que pareça, é assim que garantem o alto índice de audiência.

A vingança, muitas vezes, brota de um desejo incontido de dar a alguém o troco na mesma moeda: olho por olho, dente por dente, a vida por vida. Embora a lei do Talião já revele em si mesma o princípio da proporcionalidade da pena, no sentido de igual reação à agressão sofrida, na prática a maioria das pessoas ainda a toma na acepção de vindita.

Não resta dúvida que a vingança leva à violência, sendo, inclusive fator determinante de assaltos seguidos de homicídios, de guerra entre nações que buscam rechaçar as investidas dos inimigos audaciosos na luta que travam pelo poder hegemônico do planeta terra ou de garantir o solo sagrado que por direito divinal lhes pertence.

O vingador, geralmente, é impiedoso e cruel, levando a sua sanha demolidora às últimas consequências ao imolar-se em nome da causa abraçada, como sói acontecer em disputas de famílias, de grupos nacionalistas e político-religiosos ou nações.

Há pessoas que carregam consigo esse sentimento de vingança por toda a vida. Nestes casos crônicos, os efeitos negativos manifestam-se sob a forma de desequilíbrio no corpo do vingador que pode levá-lo à doença ou até à morte.

A associação entre vingança e doença reconhece-a profissionais que cuidam das moléstias orgânicas e espirituais. Para eles, a cura pode surgir através da remissão da pena, o que nem sempre é fácil. Somente as almas nobres têm o dom do perdão, a exemplo do Papa João Paulo II que foi clemente com o seu agressor, visitando-o, inclusive, no cárcere.

Semear o perdão, a conciliação e uma atmosfera de paz e amor entre os semelhantes é entender e aplicar a mensagem do Salvador


r.Onélia Queiroga.
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas
da Faculdade de Direito da UFPB.


Publicada no Jornal Correio da Paraíba
Coluna Aos Domingos.
Caderno Cultura/Lazer.

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