quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Onélia Queiroga - Paz



Um conto - uma crônica

No alto do Monte Hermon, Jesus contemplou as cidades lá embaixo, na planície. Essa visão das urbes do cume do monte encerra uma lição divina de como se pode conseguir a paz.

É que olhadas sob esse ângulo, as polis tornam-se minúsculas, tanto no aspecto geográfico quanto no reino temporal. De perto parecem uma coisa: grandiosas, temidas, absolutas; de longe a ilusão de glória e poder esboroa-se.

Os contempladores sentem essas diferenças e descobrem que um outro reino completo existe muito além, onde o Senhor governará conosco, da forma como Ele nos diz:"Meu rosto e o vosso não usarão máscaras; nossas mãos não empunharão espadas, nem cetros, e nossos súditos nos amarão em paz e não nos temerão".

O tema da paz encontra-se nessa e em outras pregações do Nazareno. Como a anterior, a mais bela de todas teve idêntico cenário: o do cume das montanhas. Lá, Jesus sentou-se na relva entre flores, no meio dos seus discípulos e de amigos, e proferiu o "Sermão da Montanha (Mateus, 5-7; Lucas, 6,20-42)", ensinando-lhes as Bem-Aventuranças. A da paz foi-lhes dita assim: "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus".

Em "Jesus, Filho do Homem (Mateus - O Sermão da Montanha, p.39)", obra de Khalil Gibran, a mesma bem-aventurança repete-se com outras palavras: " Bem-aventurados os pacificadores; seus espíritos morarão acima das batalhas e transformarão o campo oleiro em um jardim".

Os pacíficos ou pacificadores são homens que amam a paz; homens de espírito elevado que estão acima das guerras e das batalhas. O seu mundo é o do bom plantio, o das flores no jardim.

Os conflitos, as mortes em guerras cruentas minam o nosso planeta. O mundo inteiro clama e sonha com a paz. A sua conquista depende do aperfeiçoamento do espírito dos que comandam os destinos da terra e dos povos; da transformação dos homens que devem abdicar de sua fortuna, trocando-a por vestes simples e humildes, como o fez São Francisco, exemplo maior de desprendimento.

Neste fim de ano, cantemos os cânticos para o tempo do Natal, quando "Nasceu-nos hoje um menino/ Um filho que nos foi dado/ Grande é este pequenino/ Rei da paz será chamado".

Que a paz de Deus nos acompanhe em 2010.
Onélia Queiroga.
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas
da Faculdade de Direito da UFPB.


Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna Aos Domingos.
Caderno Cultura/Lazer.

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