sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Lula









Estudos de Espiritiemo








O desafio que a Globo não mostrou








*Angela Carrato








Lindo, emocionante e impactante. Assim pode ser definida a apresentação da Escola de Samba AcadêmicodeNiterói, que abriu o desfile do grupo especial nesta noite de domingo (15/2).








Em pouco mais de uma hora, foi contada a história de Lula,, o menino pobre nordestino, que , escapou da seca de pobreza e da fome e se tornou o melhor presidente do Brasil e um dos líderes políticos mais respeitados no mundo.








Antes mesmo do começo do desfile as arquibancadas do sambódromo já cantavam sem parar o lindo samba enredo e o refrão Lu-la, Lu-la, ressoava por toda a avenida.








A chegada de Lula foi simplesmente maravilhosa. Todo vestido de branco e com o inseparável chapéu, esbanjava carisma e alegria.








Claro que a TVGlobo não mostrou nada disso.








Detentora exclusiva dos direitos de transmissão sobre o desfile carioca, a emissora da familia Marinho fez de tudo para jogar o evento para baixo.








Começou a transmissão atrasada, deu voz a uma turma de repórteres e comentaristas que se fixaram no óbvio e ingoraram o importante.








Nada disso foi por acaso.








Nos últimos dias a direção da Globo chegou a pensar em nem transmitir o desfile, a partir da falsa alegação dos setores de oposição de que o evento se constituiria em campanha eleitoral antecipada.








Como ficaria óbvia a censura patronal ao desfile, foi elaborado um protocolo para a cobertura, que toda a equipe da Globo devia seguir.








Pelo protocolo, as referências a Lula seriam as menores possíveis, o mesmo se dando em relação à sua presença.








Tanto que ele foi mostrado uma única vez e en passant. Algo no mínimo inusitado em se tratando de uma homenagem.








O barulho da oposição foi tamanho que a esquerdacaviar também chegou a embarcar na conversa de que o "mais prudente" seria ele nem comparecer ao desfile.








Foi feito todo tipo de terrorismo : se Lula for, corre o risco de ser vaiado ou ficar inelegível.








Nada mais distante da realidade.








Os Acadêmicos de Niterói desfilaram e, além da história do Lula, contaram também a história recente do Brasil, que a mídia golpista, Globo à frente, tenta escamotiar.
















O carro da comissão de frente, o abre-alas, por exemplo, sintetizou muito bem o golpe contra a predidente Dilma Rousseff, os governos gospistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro , sem falar no próprio bolsonario condenado e pagando pelo que fez atrás das grades.








Não faltou, neste carro, nem a cena do Jair com tornozeleira tentando fugir.








Claro que a Globo corre destas imagens como o diabo da cruz.








Para a cena golpista ficar perfeita, faltou apenas incluir a própria TV da família Marinho nela.








Ao contrário de outras coberturas, a Globo preferiu planos muito abertos feitos do alto por drones ou closes ultra rápidos.








Agindo assim evitou mostrar a euforia que tomou conta do sambódromo e também as imagens incríveis que a escola trouxe sobre Lula, sua vida e a própria vida brasileira.








Por tudo isso adorei o desfile e detestei a transmissão da Globo.








A Acadêmicos de Niterói nos proporcionou um espetáculo de cultura popular, de música, de dança e sobretudo de historia de um país que voltou a dar certo.








Um Brasil que venceu o medo.








Daí o ódio que a classe dominante - da qual a familia Marinho é parte - nutre contra Lula. Daí esta cobertura torta e enviesada de um desfile tão importante e significativo.








Cobertura tão enviesada que suprimiu até o seu final apoteótico, com as arquibancadas gritando "sem anistia para golpistas".








Não faltarão, nos próximos dias, os urubus de sempre, na mídia e fora dela, falando que o desfile foi um "absurdo", "campanha eleitoral antecipada".








Para esses velhos e novos corvos só tenho a dizer que a campanha começa apenas em agosto e que Lula sequer ainda é candidato.








Parabéns Acadêmicos de Niterói!








Parabéns Lula pela merecidíssima homenagem!








Carnaval é cultura, é história, é o povo na avenida!








Do batuque que ecoa nas comunidades à força que move o Brasil, o Carnaval representa a alma popular do nosso país — resistência, alegria e identidade.








A trajetória do presidente Lula também nasce dessa força do povo.








Filho de Dona Lindu, mulher nordestina, guerreira e símbolo de dignidade, ele saiu do sertão para se tornar operário, líder sindical e presidente da República. Uma história construída com trabalho, coragem e compromisso com quem mais precisa.



Assim como o samba que atravessa gerações, essa caminhada é marcada pela luta, pela esperança e pela certeza de que o Brasil é mais forte quando olha para o seu povo.



Que a energia do Carnaval nos lembre das nossas raízes, da nossa cultura e da importância de continuar construindo um país mais justo e feliz para todos.

VNS News Brasil


Ausência estratégica de Janja na Sapucaí impede manobra jurídica de Flávio Bolsonaro.



A decisão acertada da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a nossa Janja, de não desfilar no carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, foi um balde de água fria nos planos da oposição. Ao se ausentar da homenagem feita ao presidente Lula na Marquês de Sapucaí, ela agiu com inteligência política, neutralizando qualquer tentativa de bolsonaristas raivosos de emplacarem críticas vazias ou questionamentos jurídicos descabidos.



Embora a presença de Janja fosse esperada no último carro da escola, ela optou por chegar ao sambódromo de forma separada do presidente. A confirmação de que ela não participaria da exibição só veio no momento em que a alegoria pisou na avenida. Essa movimentação estratégica foi fundamental para evitar que o brilho da festa popular fosse ofuscado por ataques de setores que sempre tentaram criminalizar a cultura brasileira.








Dentro do governo, a avaliação predominante foi a de que a exposição da primeira-dama, neste momento, poderia dar munição desnecessária aos adversários sem trazer ganhos políticos imediatos. Mais do que isso, havia um cuidado técnico para proteger o presidente: evitar que uma homenagem cultural legítima fosse distorcida pela Justiça Eleitoral como suposta propaganda antecipada, uma preocupação constante diante da vigilância seletiva da extrema-direita.



Enquanto a gestão Lula agia com cautela e responsabilidade, o submundo do bolsonarismo seguia seu roteiro de baixarias. Horas antes do evento, o senador Flávio Bolsonaro, herdeiro de um legado de retrocessos, utilizou inteligência artificial para divulgar um vídeo ofensivo contra o presidente. A atitude demonstra, mais uma vez, o desespero de uma prole que não aceita o retorno da democracia e a reconstrução do país.








Em resposta à altura, a Secretaria de Comunicação da Presidência também utilizou ferramentas tecnológicas para celebrar o Brasil. Um vídeo divulgado nas redes oficiais mostrou Lula, de forma lúdica, percorrendo as principais capitais carnavalescas do país, como Rio e Salvador. A peça reforçou a mensagem de que a alegria voltou e que o presidente é o símbolo máximo dessa recuperação nacional, contrastando com o clima de ódio pregado por seus opositores.








O episódio na Sapucaí reafirma a maturidade do atual governo em não cair em provocações baratas. Ao priorizar a blindagem institucional e jurídica, Janja e a equipe de comunicação garantiram que o Carnaval de 2026 seguisse como uma festa de celebração da identidade brasileira, deixando os ataques rasteiros do bolsonarismo confinados ao isolamento digital que lhes é de direito.



Acadêmicos de Niterói é rebaixada no Carnaval do Rio com homenagem a Lula





Por Camila Abrão








18/02/2026 








Com homenagem a Lula, Acadêmicos de Niterói é rebaixada no Carnaval do Rio. (Foto: EFE/Antonio Lacerda)








787 felizes






A Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi rebaixada nesta quarta-feira (18) do Grupo Especial para a Série Ouro no Carnaval do Rio de Janeiro. A escola de samba ficou em último lugar, com 264,6 pontos, e recebeu apenas duas notas 10, de dois dos jurados, no quesito samba-enredo.




Após cair para o grupo de acesso, a Acadêmicos de Niterói divulgou uma imagem do desfile nas redes sociais. "A arte não é para covardes. Comunidade, vocês foram gigantes. Quanto vale entrar para a história?", diz a publicação.




Em sua estreia no Grupo Especial, a agremiação apresentou o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” para contar a história do petista. Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio no último domingo (15).

A primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, desistiu de sair como destaque de um dos carros alegóricos diante das inúmeras ações apresentadas na Justiça Eleitoral contra o desfile.


Antes do Carnaval, a oposição acionou a Justiça Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontando suposta propaganda eleitoral antecipada, mas todas as ações foram rejeitadas . O partido Novo pedirá a inelegibilidade do presidente ao TSE.




A Acadêmicos de Niterói fez menções ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como palhaço e presidiário  durante o desfile.

Após desfile sobre Lula, Acadêmicos de Niterói disse sofrer “perseguição”




Um dia depois de homenagear Lula na Sapucaí, a Acadêmicos de Niterói disse ter enfrentado perseguição política e "ataques de setores conservadores e, de forma ainda mais grave, de gestores do Carnaval carioca".








“Houve tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar", afirmou a escola, em nota.




A agremiação recebeu R$ 1 milhão após o Ministério da Cultura e a Embratur firmarem um Termo de Cooperação Técnica firmado com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). O acordo, no valor total de R$ 12 milhões, atendeu as 12 escolas do Grupo Especial, com R$ 1 milhão cada.
"Família em Conserva"




A agremiação foi alvo de críticas após apresentar o carro alegórico “Conservadores em Conserva”, que trazia componentes fantasiados de latas e xícaras ridicularizando a Bíblia, os evangélicos e o agronegócio.




Em resposta, representantes da direita lançaram a trend "família em consera", postando fotos de família em latas de conserva. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) classificou o desfile como um "desastre Total"







“Um ataque deliberado às famílias. É um desastre total. Fica muito difícil de o povo não acreditar que Lula não soubesse que haveria essa ala”, afirmou em entrevista ao SBT News nesta quarta (18).




Para o presidente do PT, Edinho Silva, a reação é "ridícula" e uma tentativa de desviar o foco de discussões relevantes para o país. Ele minimizou uma possível nova crise com os evangélicos.




“Tentar desgastar o presidente politicamente por conta das escolhas de alegorias da Acadêmicos de Niterói chega às raias do ridículo. O povo brasileiro merece um debate político mais qualificado”, afirmou em entrevista à CNN Brasil.




Senadores da oposição apresentaram uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) pela forma como os evangélicos foram representados pela agremiação. O grupo acusa a escola por suposto crime de preconceito equiparado ao racismo.



Qual o significado de receber cinza na testa?


Como podemos viver bem essa quarta-feira de cinzas

Karen Bueno / Ir. M. Nilza P. Silva – “Tu és pó” (Gn 3, 19), talvez nunca, quanto agora, essa frase tenha feito tanto sentido para nossa atual geração. A fragilidade da vida e a certeza da morte sempre estiveram presentes em nossa consciência, mas, a pandemia fez com que a humanidade toda se sentisse frágil e refletisse mais sobre isso.

Qual o significado da Quarta-feira de Cinzas?

A Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, reforça a consciência dessa fragilidade humana, não como um dia de tristeza ou falta de esperança, mas, é uma luz para chamar a atenção sobre aquilo que é realmente essencial: o sentido da vida. O corpo é frágil e precisamos fortalecer o nosso espírito.

O Pe. José Kentenich convida a centrar os olhos na mensagem principal desta celebração: “Um dia, porém, o corpo a que dedicamos tantos cuidados será novamente reduzido a pó: voltará à substância e à matéria de que proveio. Recorda, pois, que és pó e em pó te hás de tornar! São sérias estas palavras que ressoam na nossa alma. A Igreja orienta-nos a não volver tanto a nossa atenção para o corpo e a não nos concentrarmos quase que exclusivamente nos nossos negócios, durante as próximas semanas. Voltemos nosso olhar ao alto… Durante a Quaresma, coração e olhar fixam-se particularmente, com grande e ardente amor, na grande cena do Gólgota” [2].

Por que colocamos a cinza na testa?

A cruz que o sacerdote faz na testa, com cinzas, simboliza penitência e arrependimento.
Ela faz lembrar que vamos morrer e que “ao pó da terra voltaremos” (cf. Gn 3, 19), para que, dessa forma, nosso corpo seja transfigurado por Deus de maneira gloriosa.

O propósito desse sacramental é levar ao arrependimento dos pecados, é fazer-nos lembrar que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a felicidade plena pode ser construída aqui, pois nossa morada definitiva é o céu.

Como celebrar as Cinzas?

Além de participar presencialmente da Santa Missa, viver este dia com espírito de penitência e o coração voltado para o essencial.

O dia de cinzas recorda nossa pequenez e pede uma atitude humilde diante de Deus. É ocasião de parar, avaliar-se, reconhecer-se pecador: “Antes de tudo a oração deve ser humilde. Diante de Deus devemos nos apresentar sempre como pobres mendigos. Não temos direito de exigir graças atuais. Somos inteiramente dependentes da misericórdia divina. Sentir-se mendigo é possuir a humildade e o sentimento de humildade é, em sua essência, o sentimento filial. O filho está certo de ser atendido pelo Pai, se o que ele pedir promover a maior glória de Deus e servir para seu próprio bem” [3], diz o Pe. Kentenich.

Viver é um milagre


Coisinha simples e deliciosa
Uma bela reflexão:

"A vida depois dos sessenta e cinco não é o cair da noite.

É aquela luz dourada do fim da tarde que aquece a pele e acalma o coração.

Entre o instante em que nascemos e a hora em que partimos, todos nós recebemos um espaço único —
um espaço onde podemos, enfim, começar a viver para nós mesmos.

Não para heranças, não para expectativas alheias, não para quem nunca entendeu suas noites sem dormir ou o valor das moedas economizadas com tanto esforço.

Permita-se gastar.

Não em excessos, mas em alegrias.

Não no barulho, mas no que realmente importa: sonhos, aconchego, sensações sinceras.

Não corra atrás de novos planos grandiosos — busque momentos verdadeiros.

O tempo, nesta fase da vida, é a moeda mais preciosa.

E ele deve trazer sabor, não preocupações.

Seguem seus próprios caminhos — e isso é como deve ser.

Você lhes deu tudo: casa, cuidado, presença, amor.

Agora chegou sua vez.

Sem culpa. Sem olhar para trás.

Não é egoísmo.

É merecimento.

Cuide do seu corpo com gentileza.

Movimente-se. Respire fundo.

Coma com prazer, não com pressa.

E visite o médico — não por medo, mas por respeito à vida.

Mime-se.

Com coisas bonitas, novas experiências, pequenas delícias.

Compartilhe essas alegrias com quem ainda pode segurar sua mão.

O dinheiro não aquece uma cama vazia — mas o carinho aquece.

Não viva no ontem.

As lembranças são presente, não âncora.

Não tema o amanhã.

Existe apenas o hoje: a xícara de chá quente, o cobertor macio, a janela aberta para o mundo.

Vista-se pelo que sua alma deseja, não pelos números no seu RG.

Você sabe quem é.

Mostre isso ao mundo.

Acompanhe o tempo.

Leia. Ouça. Aprenda.

A internet não pertence só aos jovens —é  uma ponte para tudo o que você ama e para todos aqueles de quem sente saudade.

Ouça os mais jovens.

Eles têm seu próprio ritmo, seus próprios sonhos.

Você pode ser a voz sábia — sem cobrança, sem dureza.

Eles constroem o amanhã, sua experiência é o conselho silencioso que pode guiá-los. 

As pessoas da sua idade se dividem em duas:

as que reclamam… e as que brilham.

Escolha ser luz.

Escolha as companhias que elevam sua alma.

O humor também é uma escolha.

Viver perto dos filhos não é obrigação — é necessidade somente quando faz bem a você.

Mora separado se isso te dá ar.

Fica perto se isso te dá sentido.

Não apague seu fogo interior.

Comece algo novo: uma planta, um livro, uma viagem curta, uma caminhada.

Dê ao seu dia algo que faça você sentir-se vivo.

Fale com doçura.

Não carregue o que não pode mudar.

Aceite. Perdoe.

O ressentimento envelhece mais que qualquer ruga.

A dor sempre aparece…

mas ela não precisa falar por você.

Responda com um sorriso — pequeno, mas firme.

E, acima de tudo, sorria para si.

Você chegou até aqui.

Muitos não conseguiram.

Mas você está aqui.

Com sua história.

Com sua força.

Com o amor que ainda vive dentro de você.

Viva com simplicidade.

E escolha ser feliz.

Não porque tudo é perfeito —mas porque você, só por existir, já é um milagre."
.
Desc. autoria*

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Envelheci à francesa: sem alarde




A terceira Idade
Por Marlene Garcez

Envelheci à francesa: sem alarde, sem ruptura, apenas deixando o tempo assentar.

O corpo se aproveitou da minha distração.

Não sei quando foi que decidiu envelhecer, porque fez isso de forma silenciosa, quase elegante.

O envelhecimento não bateu à porta; entrou enquanto eu estava ocupada vivendo.

Há algo delicado nisso.

O corpo não traiu, apenas acompanhou o tempo.

Ele desacelerou onde antes corria, pediu cuidado onde antes exigia força.

Não perdeu dignidade, ganhou linguagem.

Cada mudança passou a comunicar experiência, não declínio.

Envelhecer à francesa é aceitar que o tempo não precisa ser combatido, apenas compreendido.

É permitir que o corpo mude sem que a essência se perca.

A mente continua curiosa, o olhar atento, o coração disponível.

O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa, como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.

Desconheço o autor

Foto da Web para ilustrar o texto

Netos, sobrinhos e enteados agora podem receber pensão do INSS



Por Julia da Silva 
08/02/2026
Crédito Créditos:Freepik

A entrada em vigor da Lei nº 15.108, em março de 2025, alterou de forma significativa as regras da pensão por morte no Brasil e passou a impactar diretamente famílias que criam netos, sobrinhos ou enteados.

A partir da nova legislação, o INSS é obrigado a reconhecer administrativamente esses menores como dependentes, desde que exista vínculo legal comprovado, reduzindo disputas judiciais e trazendo mais previsibilidade para quem depende do benefício.

Quem pode ser incluído como dependente do segurado

Antes da mudança, avós, tios ou padrastos que sustentavam crianças e adolescentes precisavam recorrer com frequência à Justiça para tentar garantir a pensão. Agora, a lei estabelece critérios objetivos para o reconhecimento do direito, aproximando essas situações daquelas já aplicadas a filhos biológicos ou adotivos.


A nova regra permite que netos, sobrinhos e enteados recebam pensão por morte quando o segurado falecido exercia, de fato e de direito, a responsabilidade sobre o menor. O requisito central é a existência de guarda judicial ou tutela formalizada antes do óbito. Apenas morar com o responsável, sem decisão judicial, não é suficiente.

Além disso, o menor precisa ter até 21 anos, salvo nos casos de invalidez ou deficiência grave, e deve ser comprovada a dependência econômica. O INSS também observa a ordem de prioridade legal, que ainda coloca cônjuges e filhos à frente, quando existirem.

O pedido pode ser feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, com envio da documentação que comprove guarda, tutela e sustento. O valor segue as regras gerais da pensão por morte: 50% do benefício base, com acréscimo de 10% por dependente, respeitando o piso do salário mínimo.

Especialistas alertam que o prazo para solicitar é fundamental, já que atrasos podem reduzir valores retroativos e comprometer a renda do menor.

Julia da Silva 

Jornalista com experiência em textos jornalísticos e de redação criativa, interessada pelo mundo e por boas histórias.

Dizem que, com o passar dos anos, uma mulher deveria tornar-se mais discreta.




Minha vida com animais

Dizem que, com o passar dos anos, uma mulher deveria tornar-se mais discreta.

Como se a sua voz devesse perder espaço e a sua presença se diluir no fundo. 

Fala-se disso com calma e convicção, como se recuar fosse uma regra natural da maturidade. 

Como se o seu lugar já não fosse no centro da própria vida.

Mas eu não nasci para desaparecer.

Não peço permissão para existir. 

Não me faço menor para o conforto dos outros.

Não vim a este mundo para me apagar, recuar ou viver em silêncio.

Numa fase da vida em que se espera contenção… eu escolho clareza e vida

Não peço desculpa pelas minhas rugas. Honro-as. Cada uma carrega a minha história: amor, alegria, dor e força.

Não deixo de ser mulher porque já não correspondo aos ideais atuais de beleza ou porque o meu corpo escolheu outro ritmo. Continuo a ser desejo. Continuo a criar. Continuo livre.

Se isso incomoda alguém — que assim seja.

Não me envergonho dos cabelos grisalhos. Envergonhar-me-ia se não tivesse vivido o suficiente para os ter. Não desapareço. Não recuo. Permaneço na vida.

Continuo a sonhar.

Continuo a rir com verdade.

Continuo a mover-me à minha maneira.

Continuo a falar, porque a minha voz importa.

Não sou uma lembrança. Sou presença.

Sou uma luz serena, mas resistente.

Sou uma mulher que conhece o seu valor sem pedir aprovação.

O meu nome é Helena.

E este nome ainda tem peso.

Estou aqui — ereta, consciente e viva.

O Morro dos Ventos Uivantes faz lindo e artificial roleplay de paixão e desejo


Com Margot Robbie e Jacob Elordi, nova adaptação do livro de Emily Brontë é conquista estética

Guilerme Jacobs

12.02.2026, às 16H06.

Warner Bros.

Uma das escolhas mais curiosas de “O Morro dos Ventos Uivantes” vem logo em seu título, que cerca o nome do livro de Emily Brontë entre aspas. A decisão reforça o caráter de adaptação do material, explica a diretora e roteirista Emerald Fennell . 

A Internet, por sua vez, respondeu à pontuação com teorias; estaria o casal do filme recriando de forma metalinguística a trama de 1847? A verdade não é tão conspiratória assim, mas não invalida as teorias de fã: “O Morro dos Ventos Uivantes” parece acontecer de fato dentro de aspas.


Warner Bros.

5 principais diferencias entre o filme e o livro

Fennell adapta o material tomando uma série de liberdades – o irmão de Cathy (Margot Robbie) já morreu, Heathcliff (Jacob Elordi) é um pobre jovem britânico e não cigano, Edgar (Shazad Latif) e Isabella (Alison Oliver) Linton não são irmãos, Nelly (Hong Chau) tem ascendência asiática –, mas permanece a história de dois amantes proibidos cujo timing só não é pior do que suas habilidades de comunicação. 

Cathy e Heathcliff se amam desde crianças, mas quando ela decide se casar com seu rico vizinho, ele decide fugir. 

Anos depois, Heathcliff volta, agora rico, e reacende o desejo na mulher, que já trocou alianças com Sr. Linton. 

Trata-se de uma das narrativas mais adaptadas da história do cinema – há versões da Velha Hollywood, do cinema independente moderno, em espanhol, japonês e italiano. Cada uma com interpretações e ideias diferentes. 

Para Fennell, O Morro dos Ventos Uivantes é sobre sexo, desejo e, acima de tudo, aesthetics.


O Morro dos Ventos Uivantes 6 adaptações do livro para assitir

De acordo com a diretora, é em respeito a essa linhagem cinematográfica que ela usa as aspas. Ela encara seu filme como uma possível tradução do livro para as telonas, e não como algo definitivo. É um movimento que ela encena se distanciando dos acontecimentos, e os interpretando quase como uma brincadeira de casinha de bonecas. Da direção que os atores seguem ao visual meio gótico, meio TikTok, “O Morro dos Ventos Uivantes” se porta como uma performance do romance de Cathy e Heathcliff. 

A carga emocional é entregue de imediato, seja através das roupas chamativas de Jacqueline Durran ou das músicas pulsantes de Charli XCX. Essa decisão, talvez pensada para um público acostumado com o imediato e mais propenso ao impacto sensorial reiterado, convida o espectador a ser mais observador do que participante numa lenta sedução. Talvez resulte num efeito oposto da sensação de controle perdido prometida pelo marketing.

Por um lado, isso implica numa série de conquistas artísticas. O design de produção de Suzie Davies transforma a mansão no Morro numa casa carvada em meio a pedras que parecem congeladas no meio de uma explosão, como se a própria estrutura rochosa estivesse uivando. Enquanto isso, a direção de arte de Caroline Barclay e Neneh Lucia faz da Granja dos Lintons uma peça de surrealismo, onde paredes parecem pele, sangue e ossos. Graças à fotografia de Linus Sandgren, esses ambientes opulentos ganham textura e saltam da tela. Entre as colinas e corredores, Robbie e Elordi encarnam versões calculadamente exageradas desses personagens.

Não é um absurdo dizer que todas figuras de “O Morro dos Ventos Uivantes” são pintadas como crianças – algumas birrentas e outras mimadas – e essa linguagem potencializa o aspecto performativo, quase fantasioso de Fennell. Os gestos são grandes, mas nunca humanos. O calor é alto, mas sempre é fabricado. Isso apresenta alguns desafios para o elenco, e ninguém está mais à altura do que Robbie. Seu timing cômico agrega ao filme uma pitada de humor consciente essencial, e o talento da atriz significa que, mesmo nos maneirismos mais caricatos de Cathy, é possível identificar traços de vulnerabilidade e ânsia. Elordi, por sua vez, sofre para encarnar o romântico perdido. Sua atuação mais travada é melhor utilizada quando Heathcliff passa a ser maldoso e vingativo, e a frieza do ator sai do campo do galã misterioso para o indiferente cruel.

O que falta entre os dois, porém, é a atração genuína. Claro, há agarrões intensos e beijos molhados, mas quem mais parece despertar algo genuíno no Heathcliff de Elordi é a Isabella de Oliver, com quem ele eventualmente desenvolve uma relação de “sua bizarrice completa minha bizarrice”. A verdade é que Fennell parece tão interessada em embelezar a paixão do casal do que se deixar ser tomada por ela. Em mais de uma ocasião em “O Morro dos Ventos Uivantes”, Cathy chama Heathcliff de brinquedo. Mas, nas mãos da cineasta, todos os personagens parecem ter saído de uma caixinha de brincar. Eles se movem de acordo com o ritmo, e portanto jamais chegam a ditá-lo. Até pela minúcia com a qual a produção foi feita, estamos sempre no campo do artificial.

Gera-se algo que parece um role-play, ou – ouso dizer, devido à falta de faíscas – um cosplay. Todos se vestem de acordo, entram em cena e desempenham um papel. Até que, lá pelo final, que retém o destino trágico de Brontë para o casal, “O Morro dos Ventos Uivantes” ganha ares mais honestos. Fennell,, enfim, rende-se às lágrimas da conclusão, e no processo coloca em tela algo impactante o suficiente para que lamentemos o tempo perdido entre Cathy e Heathcliff mais do que o fazíamos quando os dois se encontravam em seu eterno vai-e-vem. Somos deixados com algo real, tangível e cru. As aspas são, enfim, levadas pelo vento.

"O Morro dos Ventos Uivantes"
"Wuthering Heights"
2026
136 min
País:Reino Unido, EUA
Classificação:16 anos
Direção:Emerald Fennell
Roteiro:Emerald Fennell
Elenco:Margot Robbie, Allison Oliver, Owen Cooper, Shazad Latif, Hong Chau, Jacob Elordi

Omelete Recomenda

Acho que finalmente envelheci.



Encantar a vida

Hoje, quando o passado bate à porta, não me viro mais, não paro para responder, e continuo caminhando.

Aprendi que, quando tudo desaba e a vida me desafia,é apenas um lembrete: o tempo que me resta é para ser vivido, não desperdiçado.

Carrego anos suficientes para saber: o passado não é um lar, é uma lição.

Não se vive dele, se cresce com ele.

Não apago o que fui, nem renego o que vivi.

Mas entendi que há guerras que só se vencem quando temos coragem de abandoná-las.

E a verdadeira vitória? Seguir em frente.

Fernando Garcia

'Nada como o tédio para escrever': a misteriosa Agatha Christie em rara entrevista à BBC


Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,

A escritora britânica de romances policiais Agatha Christie (1891–1976), em foto tirada em 1926, um ano marcado por sucesso profissional e dor pessoalArticle InformationAuthor,Greg McKevitt
Role,BBC Culture
14 fevereiro 2026

Agatha Christie sabia como poucos se esconder à vista de todos.

Ela se apresentava como uma senhora mais velha e afável, com casaco de pele, amante da jardinagem, da boa comida, da família e dos cães. Por trás dessa aparência gentil, divertia-se tramando histórias  de envenenamentos, traições e sangue — sucessos de venda.

E oferecia poucas pistas sobre o funcionamento interno de sua mente engenhosa.

Christie era cronicamente tímida, mas, em 1955, foi convencida a conceder uma entrevista incomum em seu apartamento em Londres para uma reportagem de rádio da BBC .

Nela, a autora revelou como uma infância pouco convencional despertou sua imaginação, por que escrever peças de teatro era mais fácil do que escrever romances e como conseguia terminar um livro em três meses.

Nascida em 1890, em uma família próspera, Agatha Miller teve sobretudo educação domiciliar.

Quando perguntada sobre por que se dedicou à escrita, Christie respondeu: "Atribuo isso ao fato de nunca ter tido uma educação formal".

"Talvez seja melhor esclarecer admitindo que acabei indo à escola em Paris quando tinha cerca de 16 anos."


"Mas, até então, fora o fato de terem me ensinado um pouco de aritmética, eu não havia recebido nenhuma aula digna de nota."

Christie descreveu a infância como "gloriosamente ociosa", mas acrescentou que tinha um apetite voraz pela leitura.

"Comecei a inventar histórias e a interpretar diferentes papéis. Não há nada como o tédio para escrever. Assim, quando eu tinha 16 ou 17 anos, já havia escrito muitos contos e um romance longo e deprimente."

Ela contou que concluiu sua primeira novela publicada aos 21 anos. Após várias rejeições, O Misterioso Caso de Styles foi publicado em 1920, apresentando sua criação mais famosa, o detetive belga Hercule Poirot.
Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Ela só se sentava para escrever depois de ter as obras totalmente formadas em sua mente

O método de envenenamento escolhido para essa história surgiu diretamente de sua experiência pessoal durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Enquanto o seu primeiro marido, Archie Christie, estava destacado na França, ela trabalhou no front interno como enfermeira voluntária em um hospital para soldados feridos.

Depois, se tornou auxiliar de farmácia do hospital, o que lhe permitiu compreender melhor medicamentos e toxinas.

Em suas histórias, o veneno é usado em 41 casos, entre assassinatos, tentativas de assassinato e suicídios.

O mistério de Christie

A fórmula típica de Christie começa com um círculo fechado de suspeitos pertencentes ao mesmo meio social e um assassinato que gera pistas até culminar em um confronto decisivo.

No centro da trama está um detetive particular, como Hercule Poirot ou Miss Marple (Jane Marple, uma detetive amadora e idosa), que desvenda o enigma e revela a verdade ao grupo em uma cena final dramática.

Essa estrutura, familiar e ao mesmo tempo infinitamente adaptável, é parte do que torna a obra de Christie tão duradoura.

Em 1926, ela publicou O Assassinato de Roger Ackroyd, livro que consolidou sua reputação profissional; naquele mesmo ano, sua vida pessoal desmoronou.

Sua querida mãe morreu, e seu marido Archie confessou estar apaixonado por outra mulher e pediu o divórcio.

Enfrentando o luto e um bloqueio criativo, Christie se tornou protagonista de um mistério.

Numa noite fria de dezembro, seu carro acidentado foi encontrado em um local isolado de Surrey (sudeste da Inglaterra), mal equilibrado à beira de uma pedreira.

A polícia encontrou no veículo seu casaco de pele e sua carteira de motorista, mas não havia nenhum sinal dela.

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,A manchete de um jornal da época dizia: 'Cães farejadores procuram a romancista'. A notícia vinha acompanhada de uma foto de Agatha Christie e outra de sua filha

Iniciou-se uma das maiores buscas por pessoas desaparecidas da história do Reino Unido.

A história reunia todos os elementos de um sucesso sensacionalista: a célebre romancista policial havia desaparecido deixando um rastro de pistas tentadoras, a filha de 7 anos abandonada e o marido atraente envolvido com uma amante mais jovem.

Até o autor de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, interveio, contratando uma vidente para tentar se conectar com Agatha Christie por meio de uma de suas luvas.

Viagem pelo Oriente Médio

Dez dias depois, ela foi encontrada a 370 quilômetros do local do acidente, em um hotel de Harrogate, em North Yorkshire (norte da Inglaterra).

Proliferavam as teorias: o desaparecimento teria sido causado por perda de memória, por uma tentativa calculada de constranger o marido ou até por uma manobra publicitária?

Christie decidiu não esclarecer o mistério em sua autobiografia e se limitou a escrever: "Assim, após a doença, vieram a tristeza, o desespero e o desamor. Não há necessidade de ficar voltando ao assunto".

Ela era igualmente prática ao falar dos segredos de seu método de trabalho. Em 1955, disse à BBC: "A verdade decepcionante é que não tenho muito método".

"Escrevo os meus próprios rascunhos em uma máquina antiga e fiel que tenho há anos, e considero útil um gravador de voz para contos ou para reformular um ato de uma peça de teatro, mas não para a tarefa mais complexa de escrever um romance."

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,A escritora Agatha Christie e seu marido, o arqueólogo Max E. L. Mallowan, posam em 1946 nos jardins de sua casa, Greenway House, em Devonshire, na Inglaterra

Em 1930, Christie se casou com Max Mallowan, um arqueólogo 14 anos mais jovem, seis meses depois de conhecê-lo durante uma viagem ao Iraque.

Unidos pela paixão por culturas antigas, as viagens do casal pelo Oriente Médio inspiraram histórias como Morte no Nilo, publicada pela primeira vez em 1937.

A felicidade recém-descoberta pareceu ter um impacto profundo em sua obra: nos nove anos seguintes, ela escreveria 17 romances.

Para Christie, o maior prazer da escrita estava em conceber tramas engenhosas. "Acho que o verdadeiro trabalho consiste em planejar o desenvolvimento da história e se preocupar até que tudo esteja bem polido. Isso pode levar muito tempo."

"Depois, quando se tem todo o material, por assim dizer, resta apenas tentar encontrar tempo para escrevê-lo", acrescenta.

"Três meses me parecem um prazo bastante razoável para concluir um livro, se a pessoa puder se dedicar a isso."

Em um programa de rádio de 1955, o empresário teatral Peter Saunders, produtor da bem-sucedida peça A Ratoeira, disse que Christie tinha um dom extraordinário para criar cenas e histórias completamente formadas em sua mente.

"Uma vez lhe perguntei: 'Como vai a nova peça?'. 'Está pronta', ela me disse. Mas, quando lhe perguntei se poderia lê-la, ela respondeu com charme: 'Ah, eu não a escrevi'. Do ponto de vista dela, a peça, do começo ao fim, já estava elaborada até o último detalhe. Escrevê-la foi apenas um trabalho físico."

Essa avaliação foi corroborada por Allan Lane, fundador da Penguin Books, que afirmou que, em 25 anos de estreita amizade, jamais havia "ouvido o clique de sua máquina de escrever, apesar da quantidade e da qualidade impressionante que ela produzia constantemente".

Ele acrescentou que, "enquanto Agatha Christie fazia várias coisas" — fosse organizar as tarefas diárias de um acampamento em uma expedição ao deserto da Mesopotâmia ou bordar à tarde —, "alguma nova peça ou romance estava sendo gestado em sua mente".

Embora Christie acreditasse que um livro pudesse ser concluído em três meses, dizia que as peças de teatro "eram melhor escritas rapidamente".

A obra mais longeva

Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,Em 2022, o St Martins Theatre celebrou 70 anos em cartaz no palco londrino com A Ratoeira (The Mousetrap), a célebre peça policial de Agatha Christie

Quando a BBC transmitiu a entrevista com Christie, em 1955, três de suas peças estavam em cartaz no West End londrino, principal circuito teatral da cidade.

A Ratoeira (The Mousetrap, em inglês) já quebrava recordes de bilheteria apenas três anos após a estreia. A peça teve origem em um radiodrama da BBC intitulado Três Ratinhos Cegos, exibido em 1947 como parte de uma noite de programação em homenagem ao 80º aniversário da rainha Maria, bisavó do rei Charles 3º.

Segundo Christie, escrever peças de teatro era "muito mais divertido do que escrever livros".

"Você não precisa se preocupar com longas descrições de lugares e pessoas, nem com a forma de distribuir o material. E é preciso escrever muito rápido para manter o tom e fazer com que o diálogo flua com naturalidade."

Em 1973, Christie compareceu à comemoração dos 21 anos de A Ratoeira no Hotel Savoy, em Londres.

Também esteve presente o protagonista original da peça, Richard Attenborough, que previu que o espetáculo "poderia permanecer em cartaz por mais 21 anos".

Acrescentou: "Não a compararia à Catedral de São Paulo (St. Paul's Cathedral), mas os americanos certamente acham que a melhor coisa a fazer, se vierem a Londres, é assistir a A Ratoeira".

A peça se tornou a mais longeva em cartaz no Reino Unido já em 1957, e só foi interrompida pela pandemia de covid-19, em 2020. Em março de 2025, alcançou a marca de 30 mil apresentações e segue em cartaz.

Attenborough também foi entrevistado no programa da BBC de 1955 e afirmou que Christie era "praticamente a última pessoa do mundo que alguém associaria ao crime, à violência ou a qualquer coisa assustadora ou dramática".

"Não conseguíamos conciliar o fato de que uma mulher tão tranquila, precisa e digna pudesse nos arrepiar e fascinar pessoas do mundo inteiro com seu domínio do suspense e seu talento para criar, no palco e na tela, uma atmosfera de terror tão intensa."

Embora a entrevista de Christie à BBC ofereça uma visão fascinante de seus métodos de escrita — a ausência de uma técnica rígida, a confiança na imaginação, o prazer em arquitetar tramas —, o enigma da mulher por trás da obra permanece vivo.

Tenho setenta e cinco anos




Minha vida com animais

Tenho setenta e cinco anos e ainda sou filha. A minha mãe tem noventa e sete. Quando a carteiro entra no nosso quintal da aldeia, ela sempre faz uma pequena pausa para nos observar. Duas mulheres de cabelos brancos sentadas num banco antigo debaixo da macieira .

As duas criámos os nossos filhos, e eles partiram para as cidades à procura de uma vida melhor. As duas enterrámos os nossos maridos — homens trabalhadores, bons, cujas mãos cheiravam a terra e a cansaço honesto. Carregamos dentro de nós um século inteiro.

“Mãe, olha para nós,” brinco enquanto caminhamos devagar até à cozinha de verão. “A coxa a guiar a cega.”
Ela ri com aquele riso claro que me acompanha desde a infância, quando conseguia pôr comida na mesa para toda a família quase do nada e ainda partilhar com os vizinhos.

Mas nem sempre é fácil. Às vezes o silêncio da casa pesa. As minhas articulações doem quando o tempo muda e eu a ajudo a levantar-se da cadeira. As suas mãos tremem tanto que já não consegue apertar os botões do seu casaco de lã favorito, e os seus olhos veem apenas nevoeiro onde antes havia o jardim.

E, no entanto, todas as manhãs, antes mesmo de a chaleira começar a ferver, ela diz:
“Vamos, Ana. Levantemo-nos. Recebemos mais um dia . Precisamos vivê-lo.”

Olho para o seu corpo frágil, fino como um ramo seco, e pergunto-me de onde vem tanta força. Talvez eu a segure pelo braço quando entramos em casa, mas é ela quem segura a minha alma. Sobreviveu à fome, à reconstrução, às perdas e às preocupações de hoje. Decidiu que o medo é um luxo para o qual já não tem tempo.

Ontem à noite, quando lhe ajeitava a manta, ela segurou a minha mão. A sua pele era fina como pergaminho antigo.

“Devias descansar, minha filha,” sussurrou. “Ir para um spa, ler um livro em paz. E, em vez disso, ficas aqui comigo…”
Apertei a sua mão.
“Mãe, a minha vida está aqui. Não quero estar em mais lado nenhum.”

Esta manhã, quando afastei a cortina para deixar entrar a luz, ela sorriu para a janela.

“Vê, Ana. Mais um sol. Mais uma dádiva .”

Foi então que compreendi: não cuido dela por obrigação, mas por amor. O amor não são grandes promessas. O amor é permanecer. É a honra de acompanhar alguém até casa .

Tenho setenta e cinco anos. Calço-lhe as pantufas quentes. Endireito-lhe o lenço. Sento-a junto à janela. E penso como é uma bênção envelhecer ao lado da mulher que me deu a vida.

Coletivo de galinha



Coletivo de galinha, mas no Brasil quase ninguém sabe

Por Elis Souza 

Entender qual é o coletivo de galinha vai muito além de uma simples curiosidade da língua portuguesa. Quando analisamos termos como galinhada, galinhame e galinhaço, mergulhamos na lógica da gramática normativa, na formação de palavras e nos mecanismos linguísticos que estruturam o vocabulário. O ponto central é compreender como os coletivos são construídos e reconhecidos oficialmente, diferenciando usos populares de registros formais.

Qual é o coletivo de galinha segundo a gramática normativa?

A A gramática normativa  registra como coletivo mais adequado para galinha o termo galinhada. Trata-se de uma palavra formada por derivação sufixal, processo comum na formação de substantivos coletivos na língua portuguesa.

Embora o uso popular muitas vezes associe galinhada ao prato típico brasileiro, do ponto de vista linguístico o termo designa um conjunto de galinhas. Esse fenômeno demonstra como o contexto semântico pode ampliar ou deslocar sentidos ao longo do tempo.

Para compreender melhor como os coletivos são estruturados, é importante observar alguns princípios presentes na formação dessas palavras:Uso de sufixos como -ada, que indicam ideia de conjunto ou grande quantidade

Além de galinhada, existem registros de termos como galinhame e galinhaço. Essas formas aparecem em dicionários, mas são menos usuais e possuem marcação de uso mais restrita ou regional.

Galinhame carrega o sufixo -ame, que também pode indicar coletividade, enquanto galinhaço utiliza o sufixo -aço, frequentemente associado a intensidade ou abundância. Ainda assim, na norma padrão, galinhada permanece como a forma mais reconhecida.

Para diferenciar essas variações, vale considerar os seguintes aspectos linguísticos:

Galinhada, forma mais aceita e difundida na norma culta

Galinhame, uso raro e com valor coletivo registrado

Galinhaço, sentido de grande quantidade, com nuance expressiva

Variação lexical influenciada por regionalismos e tradição oralConhecer coletivos amplia o repertório vocabular do falante

Sufixos como -ada, -ame e -aria transformam substantivos simples em substantivos coletivos. Esse processo mantém o radical e acrescenta uma terminação que altera o valor semântico, conferindo a ideia de conjunto.

Assim, o coletivo de galinha mais aceito é galinhada, enquanto galinhame e galinhaço aparecem como variações registradas. Mais do que decorar termos, compreender sua formação e aplicação é o que consolida o domínio efetivo da língua portuguesa.


Tenho a idade dos meus sonhos



Encanto da vida

Das minhas lembranças

Dos sorrisos que dei das pessoas que amei e das que deixei.

Tenho a idade das experiências, dos encantos e desencantos.

Tenho a idade dos abraços dos beijos e dos desejos.

Tenho a idade das lágrimas e dos prantos

Tenho a idade dos amores e das dores

Tenho a idade dos sentimentos das pessoas e dos momentos

Tenho a idade das danças das idas e vindas

Tenho a idade da Vida.

Josiane Santos