sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A vida envia-te sinais…



uns pousam devagar no coração, como borboletas de luz; outros chegam vestidos de chuva e deixam a alma inteira a perguntar porquê. 

Há portas que se fecham porque já deste tudo o que tinhas para viver do outro lado, 

caminhos que desaparecem para que os teus pés descubram outros horizontes, 

silêncios que te devolvem a voz e pessoas que partem porque nem todos os amores nasceram para ficar, alguns vieram apenas acender uma estrela dentro de nós. 

Nem sempre sabemos ler a caligrafia da vida. 

Chamamos perda ao que nos devolve a nós próprios, queda ao instante em que começamos a criar asas, fim ao lugar onde a primavera já prepara, em segredo, as primeiras flores. 

Talvez viver seja aprender esta linguagem invisível: escutar o vento quando muda, reparar na luz que entra por uma pequena fresta e confiar que, mesmo quando não entendemos o caminho, a vida continua baixinho a dizer-nos: é por aqui…

- Carlos Cabrita





Tem casa simples que guarda uma vida inteira dentro dela.



Povo de meu agrado

Tem casa simples que guarda uma vida inteira dentro dela.

Na porta, o silêncio descansa.

Na cadeira, a senhora olha o terreiro
como quem conhece cada canto,
cada chuva, cada verão
e cada lembrança que passou por ali.

O cachorro fica por perto,
companheiro sem fazer barulho.

A janela fechada, o telhado antigo
e o chão de terra contam histórias
que ninguém escreveu.

Ali não tem luxo,
mas tem paz.

E às vezes é justamente isso
que faz uma casa pequena
parecer tão grande por dentro.







Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 6,6-11)
Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Lá estava um homem que tinha a mão direita seca. Os escribas e os fariseus observavam Jesus, para ver se ele faria uma cura no dia de sábado, a fim de terem motivo para acusá-lo. Ele, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem da mão seca: Levanta-te e fica aqui no meio!. Ele se levantou e ficou de pé. Jesus disse-lhes: Eu vos pergunto: em dia de sábado, o que é permitido, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?. Passando o olhar sobre todos eles, Jesus disse ao homem: Estende a mão!. O homem assim o fez e a mão ficou curada. Eles se encheram de raiva e começaram a discutir entre si sobre o que fariam contra Jesus.
* Palavra da salvação!
* Glória a vós Senhor!
Sem Jesus-Redentor é inevitável “endurecer o coração”
*Pistas de reflexão*
Hoje, todos —judeus e não judeus devemos tomar uma determinação: "morrer a nós mesmos" e reconhecer Jesus-Redentor. Sem Deus o homem não se explica a si mesmo e cai nas mais absurdas contradições. É inevitável "endurecer o coração", rejeitando o conhecimento próprio e negando a própria culpa, se não há "Alguém" que suporte essa culpa, a "elabore" e a perdoe
Acontece aqui uma reciprocidade: sem a ideia do Redentor —que não dissimula a culpa, mas a padece em si— não se pode suportar a verdade da própria culpa e se recorre à primeira falsidade: a obcecação ante essa culpa, da que nascem todas as outras falsidades, e, finalmente, a incapacidade geral ante a verdade. E, ao contrario: não é possível conhecer ao Redentor e crer Nele sem ter o valor de ser honesto consigo mesmo.
—Senhor, te peço a graça da "confissão" para reconhecer a verdade: a tua (preciso de ti!) e a minha (não sou "deus", e sim um ser débil!).
* Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!
* Para Sempre Seja Louvado!
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Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 6,6-11)





Natal Paixão postado em Com Jesus e Maria todo dia

Meditando o Evangelho de hoje
Segunda feira 97 de setembro de 2026 da 23ª semana do Tempo Comum.

Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. 

Lá estava um homem que tinha a mão direita seca. 

Os escribas e os fariseus observavam Jesus, para ver se ele faria uma cura no dia de sábado, a fim de terem motivo para acusá-lo. Ele, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem da mão seca: 

Levanta-te e fica aqui no meio!. 

Ele se levantou e ficou de pé. 

Jesus disse-lhes: Eu vos pergunto: em dia de sábado, o que é permitido, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?. Passando o olhar sobre todos eles, Jesus disse ao homem: Estende a mão!. O homem assim o fez e a mão ficou curada. Eles se encheram de raiva e começaram a discutir entre si sobre o que fariam contra Jesus.

* Palavra da salvação!
* Glória a vós Senhor!
Sem Jesus-Redentor é inevitável “endurecer o coração”

*Pistas de reflexão*
Hoje, todos —judeus e não judeus devemos tomar uma determinação: "morrer a nós mesmos" e reconhecer Jesus-Redentor. Sem Deus o homem não se explica a si mesmo e cai nas mais absurdas contradições. É inevitável "endurecer o coração", rejeitando o conhecimento próprio e negando a própria culpa, se não há "Alguém" que suporte essa culpa, a "elabore" e a perdoe

Acontece aqui uma reciprocidade: sem a ideia do Redentor —que não dissimula a culpa, mas a padece em si— não se pode suportar a verdade da própria culpa e se recorre à primeira falsidade: a obcecação ante essa culpa, da que nascem todas as outras falsidades, e, finalmente, a incapacidade geral ante a verdade. E, ao contrario: não é possível conhecer ao Redentor e crer Nele sem ter o valor de ser honesto consigo mesmo.

—Senhor, te peço a graça da "confissão" para reconhecer a verdade: a tua (preciso de ti!) e a minha (não sou "deus", e sim um ser débil!).

* Seja Louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!
* Para Sempre Seja Louvado!


Quero fazer da vida um campo de girassóis.




MarcioDevides

Marcio Devides postado em 🌻🌻🌻

Girassol Flor do sol 

Um cesto de papoilas a dançar ao vento.

Um ramo de margaridas para oferecer
às pessoas de quem gosto.

Quero fazer da vida um cântico de rouxinóis.

Uma serenata de pombas brancas,

uma orquestra de pintassilgos,

um coro de canários.

Quero fazer da vida um chocolate quentinho.

Um bolo de maçã comido ao entardecer.

Uma manhã de panquecas.

Um arroz de tomate com salsa e feijão.

Uma sopa que aqueça o coração!

Quero fazer da vida um bolso de sorrisos.

Um casaco de alegria,

uns sapatos de corrida

e um abraço de magia.

Quero fazer da vida um livro de encantar,

cheio de encontros e viagens,

de caminhos que quero conhecer,

de lugares onde quero viver,

de histórias para contar

e de páginas em branco para as poder escrever.

Quero fazer da vida uma janela aberta,

para deixar entrar o sol,

a chuva, o vento

e as pessoas que me tragam sorrisos e esperança.

Quero fazer da vida um lugar onde caiba o afeto, o amor e a ternura,

onde haja sempre espaço para recomeçar,

para rir sem razão,

para amar sem medida

e para gritar bem alto:

Amo a Vida!

E é isto! Apenas e somente isto!


terça-feira, 22 de setembro de 2026

Era uma vez uma casinha de paredes brancas e janelas azuis



Era uma vez uma casinha de paredes brancas e janelas azuis, fincada no coração do interior, onde o tempo parecia correr mais devagar. Naquela casa morava Dona Alzira, uma senhora de sorriso doce e olhar cheio de histórias, acompanhada de seu fiel gato riscado, o Faísca.

Dona Alzira vivia uma vida simples e pacata, cuidando de suas galinhas no quintal e observando as montanhas que cercavam sua propriedade. Mas aquela tranquilidade estava prestes a ser interrompida por um mistério que mudaria sua rotina para sempre.


Tudo começou numa manhã de sol forte, exatamente como a da foto. Enquanto Dona Alzira acariciava Faísca em sua cadeira de madeira, o gato de repente ficou tenso. Ele olhou fixamente para o cafezal ao lado e soltou um miado baixo, quase um aviso. Dona Alzira franziu a testa, estranhando o comportamento do animal. Foi quando ela reparou em algo incomum: uma das galinhas corria de um lado para o outro, agitada, perto de um monte de terra revirada.

Curiosa, a idosa se levantou devagar e caminhou até o ponto que chamara a atenção de Faísca. No chão, semi-enterrada na terra vermelha, havia uma pequena caixa de metal envelhecida, com detalhes que não pareciam dali. O coração de Dona Alzira acelerou. Aquela casa pertencia à sua família há gerações, mas ela nunca tinha visto aquele objeto antes.

Com as mãos trêmulas, ela recolheu a caixinha e voltou para a sua cadeira. O mistério do que estava guardado ali dentro guardava um segredo do passado que ninguém na região jamais poderia imaginar.
Com a caixinha de metal apoiada no colo, Dona Alzira sentiu um arrepio. Faísca se aproximou, cheirando as bordas enferrujadas do objeto que havia passado décadas escondido sob a terra vermelha.

Ela forçou a trava de bronze, que cedeu com um estalo seco. Dentro, não havia ouro ou joias, mas algo que fez os olhos da idosa se encherem de lágrimas: uma fotografia antiga em preto e branco e uma carta dobrada, escrita com uma caligrafia caprichada que ela reconheceu instantaneamente. Era a letra de sua mãe, falecida há mais de cinquenta anos.

A foto mostrava a mesma casinha de janelas azuis, mas com uma árvore frondosa bem no centro do quintal, onde hoje só havia terra seca. Na carta, as palavras revelavam um segredo guardado desde a juventude de sua mãe:

"Minha filha, se você encontrar isto, é porque o tempo finalmente revelou o que a pressa da vida me fez esconder. Debaixo das raízes da velha figueira que precisei cortar, deixei guardada a única herança real que recebi dos meus pais: a promessa de que esta terra nunca nos deixaria passar necessidade. Procure bem onde a árvore ficava."

Dona Alzira olhou para o chão revirado pelas galinhas, exatamente onde Faísca continuava arranhando a terra. Ela pegou uma pequena enxada e, com paciência, começou a cavar mais fundo no local indicado.

A menos de trinta centímetros de profundidade, a lâmina bateu em algo sólido. Ao limpar a terra com as mãos, ela descobriu um antigo pote de argila lacrado, contendo moedas de ouro da época do império e uma escritura oficializada que expandia os limites da propriedade por toda a colina ao fundo — terras que a família achava que pertenciam ao governo e que agora garantiriam o futuro de seus netos e bisnetos.

Dona Alzira voltou para sua cadeira, abraçou o gato Faísca e sorriu para o horizonte. 

O passado tinha acabado de salvar o futuro daquela casinha.

Há pequenas coisas que chegam sem bater à porta


O sentido das Palavras Carlos Cabrita

Há pequenas coisas que chegam sem bater à porta e, sem sabermos como, acendem uma luz dentro de nós.


O primeiro sol pousado na janela.

O cheiro do café a acordar a casa.

Uma canção antiga que atravessa o silêncio e encontra, intacto, um lugar no coração.

Há o vento a brincar com as cortinas, 

Uma flor que nasceu onde ninguém a esperava, uma voz que pergunta «estás bem?» e não vai embora antes de ouvir a resposta.

Talvez a vida more mais aqui do que imaginamos.

Nas mãos que se procuram. 

Num abraço onde podemos descansar o mundo. 

No pão ainda quente sobre a mesa.

Num olhar que nos reconhece no meio de tanta gente. 

Na companhia de quem sabe sentar-se ao lado do nosso silêncio.

Andamos tantas vezes à procura de grandes razões para sermos felizes que passamos distraídos pelas pequenas eternidades que acontecem todos os dias.

Talvez a felicidade seja assim: uma coisa quase invisível, uma luz pequenina, um instante que não pede nada e, ainda assim, nos oferece tudo.

Por isso, vai devagar.

Há beleza a acontecer enquanto passas.

E talvez a vida não esteja à tua espera mais adiante.

Talvez esteja exatamente aqui, neste pequeno instante em que o teu coração ainda é capaz de se maravilhar.

Carlos Cabrita_escritor

Evangelho (Lc 8, 4-15) O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.



Capela Santo Expedito 

Dia 19 de Setembro - Sábado
"24° Semana do Tempo Comum"
Evangelho (Lc 8, 4-15)
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.

Naquele tempo,  reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola:

 “O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram.  Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade.  Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram.  Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola.  Jesus respondeu: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam.  

A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a Palavra de Deus.  Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem.  Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás.  Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo, são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer.  E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança”.

-Palavra da Salvação.
-Glória a vós, Senhor.
PASCOM - Pastoral da Comunicação

Evangelho (Lc 8, 4-15) O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.




Dia 19 de Setembro - Sábado

"24° Semana do Tempo Comum"

Naquele tempo,  reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola:

 “O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram.  Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade.  Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram.  Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola.  Jesus respondeu: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam. 

A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a Palavra de Deus.  Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 

Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo, são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer.  E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança”.

-Palavra da Salvação.
-Glória a vós, Senhor.
PASCOM - Pastoral da Comunicação

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A Independência do Brasil








Jeito Nordestinho




A Independência do Brasil foi proclamada pelo príncipe regente Dom Pedro de Alcântara (futuro imperador D. Pedro I) no dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.


A separação de Portugal não foi obra de uma única pessoa, mas o resultado da articulação política de figuras importantes:


Dom Pedro I: Deu o famoso grito "Independência ou Morte!", rompendo com a Coroa Portuguesa.


Maria Leopoldina: A esposa de D. Pedro I teve um papel decisivo ao assinar decretos de independência e incentivar o marido enquanto ele viajava para São Paulo.


José Bonifácio de Andrada e Silva: Conselheiro de D. Pedro e uma das mentes políticas mais influentes no apoio à autonomia brasileira.


A elite agrária: Grupos de grandes proprietários de terras que apoiaram a ruptura para garantir seus privilégios e manter o sistema econômico, incluindo a escravidão.


A Independência do Brasil completa 204 anos em 7 de setembro de 2026.


Rainhas Trágicas -Mulheres Gueirreras Soberanas-Princesa Diana - Charles já não era marido de Diana



Rainhas Trágicas -Mulheres Gueirreras Soberanas



Charles já não era marido de Diana quando atravessou o Canal da Mancha para buscar o corpo dela.

O casamento terminara, o divórcio fora assinado e ambos haviam seguido caminhos separados; ainda assim, naquela tarde de 31 de agosto de 1997, era ele quem iria a Paris, acompanhado por Lady Sarah McCorquodale e Lady Jane Fellowes, para trazer de volta à Inglaterra a mãe de William e Harry.

Poucas horas antes, em Balmoral, Charles tivera de cumprir uma tarefa que Harry descreveria vinte anos depois como uma das mais difíceis que um pai pode enfrentar: contar aos filhos que a mãe deles havia morrido.


No documentário Diana, 7 Days, Harry recordou que o pai “estava lá por nós” e acrescentou algo muitas vezes esquecido nas narrativas sobre aquela semana: Charles também “estava passando pelo mesmo processo de luto”. William tinha quinze anos; Harry, doze. Depois de permanecer algum tempo com eles, o príncipe partiu para Paris.


No avião estavam também as duas irmãs mais velhas de Diana, Sarah e Jane. Para Sarah, não havia sequer espaço naquele momento para compreender inteiramente o que acontecera. Em depoimento à BBC, ela recordou: “Apenas amor e choque.” Disse que erguera uma espécie de barreira emocional porque havia coisas que precisavam ser feitas. Era necessário buscar a irmã, pensar nos sobrinhos, decidir o que aconteceria em seguida.


No Pitié-Salpêtrière, Diana havia sido preparada para a chegada da família. Colin Tebbutt, motorista e antigo oficial de proteção que trabalhava para a princesa, chegou antes deles e deixou posteriormente um testemunho impressionante: entrou no quarto e encontrou Diana deitada numa cama, com o rosto descoberto. O calor daquele dia em Paris era intenso, e ele mandou cobrir as janelas quando percebeu pessoas tentando observar o interior do edifício. Sua preocupação era preservar, até naquele instante, a dignidade da mulher para quem trabalhara.


Quando Charles se aproximou do corpo, a enfermeira-chefe BéaQuando Charles se aproximou do corpo, a enfermeira-chefe Béatrice Humbert deixou uma das raras descrições atribuídas a alguém que efetivamente estava no hospital. Segundo recordaria, o príncipe ficou “absolutamente branco”, como se não conseguisse acreditar no que estava vendo. Relatos biográficos posteriores atribuem a Charles palavras ainda mais íntimas: teria dito que aquela fora a pior visão que já precisara suportar e que, diante de Diana morta, sua mente não retornara aos escândalos, às recriminações ou ao divórcio, mas à jovem que conhecera muitos anos antes.

Depois de se despedirem de Diana e agradecerem aos médicos franceses, Charles, Sarah e Jane acompanharam o caixão de volta à base aérea. O ataúde seguiu coberto pelo Estandarte Real. Registros posteriores do inquérito indicam, contudo, que não foi Charles quem decidiu pessoalmente colocar o estandarte sobre o caixão; ele teria ficado surpreso e comovido ao vê-lo. Às 19h01, em RAF Northolt, oito militares retiraram lentamente o caixão do avião. Não houve música nem discursos. Apenas o som dos passos, uma coroa de flores da família Spencer e, caminhando atrás de Diana, o ex-marido e as duas irmãs.

Sarah e Jane ainda imaginavam que poderiam proteger William e Harry com um funeral pequeno e familiar, seguido posteriormente por uma grande cerimônia pública. Durante o trajeto de Northolt para Londres, porém, compreenderam que essa possibilidade já não existia. Sarah contou que todos os espaços ao longo da A40 estavam ocupados: acostamentos, canteiros, pontes; pessoas lançavam flores à passagem do carro. Então voltou-se para Jane e disse: “Não acho que teremos um pequeno funeral de família, não é?”.

Era a percepção de que a irmã que estavam trazendo para casa já se tornara o centro de um luto nacional. O caixão foi levado primeiro a um necrotério particular e depois à Chapel Royal do Palácio de St. James. Charles retornou a Balmoral para William e Harry. Sarah e Jane permaneceram envolvidas na organização da despedida. Nas ruas, enquanto isso, Londres começava a desaparecer sob flores, bilhetes, fotografias, brinquedos e velas. Kensington Palace, Buckingham Palace e St. James's tornaram-se altares improvisados, impregnados pelo perfume das flores cortadas e pela cera das velas que continuavam ardendo durante a noite.

O divórcio de Charles e Diana havia sido concluído apenas um ano antes. Entre eles existira amor, ressentimento, infidelidade, humilhação e uma ruptura assistida pelo planeta inteiro. Nada disso podia ser desfeito naquele quarto de hospital. Tampouco havia reconciliação possível diante daquele caixão. Restavam William e Harry, duas irmãs que tentavam funcionar apesar do choque e um homem que, segundo o próprio filho, também estava de luto.


**Boa noite com Dona Gonçalinha**




Povo do meu agrado

Debaixo do ipê florido,
Dona Gonçalinha vai descansando,
com seu sorriso tão bonito
e a noite devagar chegando.

A casinha guarda lembranças,
o terreiro conhece seus passos,
e cada flor caída no chão
parece guardar um pedaço do passado.

Boa noite, Dona Gonçalinha,
que Deus abençoe seu repousar,
traga paz para dentro de casa
e um novo dia bonito ao acordar.

Porque felicidade, muitas vezes,
mora é assim, num cantinho simples,
onde sobra paz e nunca falta história.

7 de setembro ·




Há 204 anos, o Brasil tornou-se independente — mas a cena real do 7 de Setembro foi muito menos gloriosa do que aquela que aprendemos a enxergar.

Não havia um príncipe impecável sobre um magnífico cavalo de guerra, nem uma formação cinematográfica de soldados de uniformes imaculados, como na monumental tela "Independência ou Morte!", de Pedro Américo.

 Na tarde de 7 de setembro de 1822, D. Pedro tinha 23 anos, regressava de Santos para São Paulo por uma estrada difícil, viajava sobre uma mula, como era mais adequado aos caminhos da região, e enfrentava uma forte indisposição intestinal, descrita nos relatos como diarreia ou disenteria. A imagem consagrada seria construída muito depois: Pedro Américo concluiu sua pintura em 1888, 66 anos após o acontecimento, compondo não uma reprodução fotográfica do Ipiranga, mas uma pintura histórica destinada a transformar aquele momento em um grande mito visual da fundação da nação.

A realidade era consideravelmente mais humana. D. Pedro vinha de uma viagem exaustiva e, segundo o relato atribuído ao padre Belchior Pinheiro de Oliveira, que o acompanhava, seu problema intestinal obrigara-o inclusive a parar à margem do Ipiranga para satisfazer necessidades fisiológicas. Estavam próximos do príncipe, entre outros integrantes da comitiva, o próprio padre Belchior, o major Antônio Ramos Cordeiro, o correio Paulo Bregaro e o criado João Carlota. Foi naquele caminho rural dos arredores de São Paulo, e não no cenário grandioso que a memória posterior nos ensinou a imaginar, que chegaram as notícias capazes de precipitar a ruptura.

Os documentos trazidos do Rio de Janeiro revelavam que as Cortes portuguesas continuavam tentando reduzir a autonomia conquistada pelo Brasil e esvaziar a autoridade do príncipe. No Rio, D. Leopoldina, que exercia a regência durante a ausência do marido, havia presidido em 2 de setembro uma reunião extraordinária do Conselho de Estado e apoiava decididamente a separação. Junto às notícias de Lisboa seguiram para D. Pedro as cartas de Leopoldina e de José Bonifácio de Andrada e Silva, seu principal ministro. A documentação oficial confirma que ambos o pressionavam a não se submeter às novas determinações portuguesas e a consumar o rompimento.

D. Leopoldina advertia ao marido que o momento chegara: “O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrece.” José Bonifácio, por sua vez, defendia abertamente a separação. D. Pedro teria ficado furioso ao conhecer as determinações vindas de Portugal, tomando os papéis, amarrotando-os e lançando-os ao chão. Voltando-se então para Belchior, perguntou: “E agora, padre Belchior?” O religioso teria respondido que já não havia outro caminho senão a independência.

Foi então que a cena começou a adquirir a dimensão que entraria para a História. De acordo com o testemunho de Belchior — registrado posteriormente e, por isso, tratado pelos historiadores com a necessária cautela quanto às palavras exatas — D. Pedro caminhou alguns passos, tomou sua decisão e anunciou a ruptura. Outros relatos posteriores também associariam aquele momento à fórmula que acabaria eternizada: “Independência ou Morte!” O marco político do 7 de Setembro consolidou-se precisamente naquele encontro entre as notícias que chegavam de Lisboa, a atuação de Leopoldina e Bonifácio no Rio de Janeiro e a decisão tomada pelo príncipe na estrada do Ipiranga.

Depois disso, D. Pedro prosseguiu para São Paulo. A Independência, naturalmente, não nasceu nem terminou naquele único instante: foi resultado de um processo político iniciado anteriormente e ainda exigiria conflitos, negociações, guerras nas províncias e a construção de um novo Estado. O próprio 7 de Setembro somente ganharia a centralidade simbólica que possui atualmente ao longo do século XIX e não naquele instante. Hoje, é um feriado nacional, celebrado no nosso calendário de comemorações cívicas.

Foi justamente nesse processo de construção da memória que surgiu a imagem que hoje quase todos associamos ao nascimento do Brasil. Quando Pedro Américo pintou Independência ou Morte!, D. Pedro já estava morto havia mais de meio século. A obra foi concebida para o Monumento do Ipiranga e concluída em Florença em 1888. O artista substituiu a precariedade da estrada pela monumentalidade, a mula pelo cavalo, a pequena comitiva por uma espetacular massa de cavaleiros e a roupa de viagem pela aparência marcial de um soberano. Estudos do Museu Paulista mostram como a obra e suas incontáveis reproduções acabaram tornando-se parte central do imaginário social brasileiro sobre a Independência.

A História, porém, não perde grandeza quando retiramos dela o verniz romântico. Talvez ganhe humanidade. Há 204 anos, às margens de um pequeno riacho e numa estrada dos arredores de São Paulo, um jovem príncipe de 23 anos, cansado da viagem, adoentado, montado numa mula e cercado por poucos homens recebeu cartas que colocavam diante dele uma escolha política decisiva. Leu, irritou-se, consultou quem estava ao seu lado e decidiu romper com Portugal. A pintura transformaria aquele instante em epopeia; a memória nacional transformaria a epopeia em símbolo. Por trás de ambas permanece um acontecimento muito mais imperfeito, complexo e humano — o 7 de setembro de 1822, marco da Independência do Brasil.

Texto: Renato Drumond Tapioca

Imagem: Cena acima criada por simulação de I.A., com base nos relatos do acontecimento. Abaixo, a tela "Independência ou Morte!" (1888), de Pedro Américo, em exposição no Museu Paulista da USP.


Rainhas ttágicas - Mulheres Guerreiras Soberanas-Princesa Diana




Rainhas ttágicas - Mulheres Guerreiras  Soberanas

Candle in The Wind 1997Elton John


Em 6 de setembro de 1997, dois meninos caminharam atrás do caixão da mãe enquanto o mundo inteiro assistia. William tinha 15 anos; Harry, apenas 12. Dentro daquele caixão estava Diana, que, aos 36 anos, fazia sua última viagem entre o palácio onde vivera e a propriedade onde um dia fora apenas uma menina Spencer.

Naquela manhã, os portões do Palácio de Kensington se abriram e o caixão, coberto pelo Estandarte Real e conduzido sobre uma carreta de artilharia, iniciou seu percurso por Londres. Sobre ele repousavam flores enviadas pela família e um pequeno envelope dirigido simplesmente a “Mummy” — “Mamãe”. Ao longo das ruas, milhares choravam e lançavam flores diante do cortejo. Quando Diana passou pelo Palácio de Buckingham, Elizabeth II inclinou a cabeça em reverência.

No trecho final até Westminster, William e Harry caminharam atrás do caixão ao lado do pai, príncipe Charles, do avô, príncipe Philip, e do tio, Charles Spencer. Diante das câmeras eram príncipes cumprindo um dever público; por trás do protocolo, eram dois adolescentes atravessando a perda da mãe diante de milhões de desconhecidos.

Às 11 horas, o caixão entrou na Abadia de Westminster. Elton John interpretou uma nova versão de Candle in the Wind, enquanto Charles Spencer recordou a humanidade da irmã e criticou a imprensa que a perseguira. Ao final de seu discurso, aplausos vindos da multidão do lado de fora alcançaram o interior da abadia.

Terminada a cerimônia, Diana deixou Londres num carro funerário rumo a Althorp. Durante o percurso, pessoas ocuparam estradas, pontes e acostamentos, lançando tantas flores contra o veículo que a viagem parecia atravessar um país transformado pelo luto.

Quando os portões de Althorp se fecharam, as câmeras ficaram para trás. Diana foi sepultada numa pequena ilha no lago Round Oval, cercada por água e árvores.

Depois de uma vida fotografada e observada pelo mundo, sua última despedida pertenceu à família. Naquela manhã, milhões haviam se despedido da princesa; no silêncio de Althorp, William e Harry despediram-se simplesmente de sua mãe.

Texto Renato Drummond Tapioca Neto Texto: