quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Onélia Queiroga - Serenidade



Um conto - uma crônica

A serenidade traduz-se, de forma precisa, como um estado de espírito tranquilo, denotando evidência de um vigor interno. Nem todas as pessoas atingem essa fase de privilegiado equilíbrio. Para isso, é necessário aprender a controlar os impulsos e a exasperação nos momentos de raiva e de ira súbitas ou alimentadas por anos a fio.

A inspeção vigilante do estado emocional, com o tempo, educa e apazigua o temperamento, permitindo ao próprio agente modificado admirar-se das transformações por ele conquistadas.

Esse estado de plena sintonia consigo mesmo, tantas vezes pode ser alimentado pelo simples contato com a mãe natureza, ao lançarmos o olhar para a imensa vastidão do céu; ao nos banharmos em suas águas benfazejas; ao aspirarmos o cheiro forte da terra molhada que refresca o solo, permitindo-lhe germinar os frutos ali plantados e florescer os campos na época primaveril.

Idêntico estado de paz e serenidade ocorre nos passeios despretensiosos feitos com os pés descalços na areia fria de uma praia nativa, na companhia da família inteira, unida com risos de alegria. São passeios que fazem da natureza, com o marulho das ondas sincronizado com o canto das aves marinhas; com o cheiro saudável da água salgada a nos curar de todos os males, físicos e psíquicos; com o vento correndo e voltando para acariciar os nossos cabelos e refrescar as nossas idéias.

O segredo da serenidade pode ser ínsito à natureza dos homens calmos. No entanto, a lição divina mostra que a sua essência provém das coisas criadas por Deus. E quando Jesus Cristo reuniu-se com os seus discípulos e amigos para falar-lhes sobre os que eram considerados bem-aventurados, Ele o fez nas montanhas.

No Sermão da Montanha, Jesus disse-lhes: "Bem-aventurados", como "os pacificadores", pois "seus espíritos morarão acima das batalhas, e transformarão o campo do oleiro em um jardim".

Não se deve perder, portanto, de vista, a palavra do Senhor Jesus Cristo.
Onélia Queiroga.
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas
da Faculdade de Direito da UFPB.


Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna Aos Domingos.
Caderno Cultura/Lazer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário