segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Heron Cid - Sonhos Para 2012 - Parte 2



Experimentamos muitos conflitos.Intransigências e radicalismos. Ora do governo, ora de setores inspirados em movimentações políticas manjadas. Da minha parte, arquivei a certeza de que nosso governante tinha razão na maioria das crises, mas poderia ter se apresentado mais flexível e dialógico no gerenciamento das contendas. É também por isso que devemos festejar 2012. O chefe do nosso Estado terá no ano novo oportunidade de fazer a sua particular retrospectiva e, queira Deus, tenha ele humildade para reconhecer onde exagerou na dose ou simplesmente omitiu um gesto na direção da boa vontade.

Deus estava certo quando permitiu ao homem quantificar os dias. Graças a essas contas que podemos virar o ano. E é nessa virada que são depositadas nossas mais sinceras e coronárias esperanças de dias melhores. Também na política.

Sonhos se lapidam com certa ingenuidade.Deixe-me ser ingênuo, pelo menos nessa aurora de 2012. Deixe-me sonhar com Ricardo chamando Veneziano ao Palácio para traçar projetos pra Campina. Deixe-me sonhar com Veneziano atendendo o convite, sem ranço ou qualquer necessidade de disputa antecipada.

Sonhe comigo, não se envergonhe. Idealizemos a imagem de Maranhão visitando Ronaldo e Cássio. Os três, a seis mãos, apagando das páginas da vida os arquivos do rancor pessoal, e preservando apenas o salutar embate político. Sonhemos com Cícero Lucena e Luciano Agra em Brasília discutindo o empenho de projetos pra João Pessoa, independente dos dois estarem pleiteando o mesmo posto. Imaginemos Vital Filho chamando Ricardo Coutinho para lado a lado percorrer corredores dos ministérios granjeando recursos para o Estado.

Sonhemos com o próximo reveillon reunindo na mesma fotografia todas essas personalidades políticas, cada qual com suas divergências, discordâncias e ideologias, mas reunidas pela semelhança da bela arte do exercício público e não pelas diferenças que os separam em partidos e projetos distintos.

Louco? Não. Sonhador! São dois estágios psicológicos completamente diferentes. Um é a personificação de quem não consegue juntar idéias ou as concebe longe da realidade do mundo e da lógica.

O outro é somente a ousada aspiração de quem pelos olhos da razão nunca vai cansar de esperar o dia em que o homem, desnudo de ressentimentos e egoismo, será capaz de se despir dos orgulhos e solenemente estender a mão ao diferente. Basta ser racional. E não sufocar o sonhador que cada um de nós tem guardado no fundo da alma.

Heron Cid

Jornalista e Repórter Político
da Rede Correio SAT de Rádio,
do programa Correio Debate e
da Rádio CBN João Pessoa.

Publicado no jornal Correio da Paraiba
Caderno Política
Edição de 01/01/2012

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