quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fátima Araújo - Como As Primaveras




um conto - uma crônica

Gosto de rememorar esta pérola de Cecília Meireles: "Aprendi com as primaveras a me deixar cortar e voltar sempre inteira". A capacidade de renascer, essa coragem suprema de saber ser humilde e a um só tempo enorme, é própria dos grandes espíritos, dos poetas maiores. Na verdade, todos os que se deixam rebrotar, após os insucessos, acabam vencedores, desde que não vivam a entregar tudo a Deus, na acomodação, pois já foi dito que a Providência Divina prefere alimentar os pássaros que se ajudam com suas asas.

Rebrotar sempre é possível. Colocando em prática máximas assim, até evitamos que os outros controlem nossas emoções, tentem pautar nosso viver, nos infernizem naquele diapasão percebido por Sartre:"O inferno são os outros". `porque a sabedoria reside em viver a própria vida e não a vida que os outros sugerem. Assim, não deve importar jamais o que pensam de nós, mas o que estamos sentindo. O segredo é ter autoestima, ou seja, gostar de estar bem para si e não para os outros.

Tudo isso me faz lembrar aquela amiga que se casou com um americano complicado. Vive uma relação tipo essa primavera de Cecília Meireles: corta e renasce, acaba e renova, chora e ri. Perguntei-lhe qual o segredo de tanto amor, apesar dos acidentes de percurso. Ela então me respondeu, tranquila e sábia: "Pode haver amizade mais sólida que aquela existente entre duas pessoas que apreciam o mesmo livro e o mesmo disco"?

Singular sabedoria esta de ver doçura nos brutos, paz num campo de guerra, superioridade em meio à incompreensão. Do olhar grande que se lança, pode-se renascer".!!!

Escritora, jornalista, historiadora e pesquisadora.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Caderno Cultura/Lazer
Coluna Acalanto
18/09/2012


Nenhum comentário:

Postar um comentário