quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Ponto De Cem Réis Em 1945

O Ponto de Cem Réis

Em 1945 a Praça Vidal de Negreiros, na Capital, era o cartão postal da Paraíba, equivalente ao Hotel Tambaú ou à Estação Ciência de hoje e rivalizava com a Lagoa do Parque Solon de Lucena. Antes era denominada "Ponto de Cem Réis" em virtude do preço da passagem do bonde elétrico, sendo ali o Ponto de Seção, o correspondente ao terminal de integração de hoje.

Aquele logradouro também era denominado de praça de carro de passeio, ou de aluguel, pois a palavra táxi somente existia na tela dos cinemas. Ela era o ponto nevrálgico da população e de convergência dos coletivos, inclusive era tida, também, como "Ponto das Sopas", nome atribuído aos coletivos cuja entrada dos usuários era pela lateral semelhante aos bondes. 

Da praça saíam as "sopas" interestaduais de João Pessoa a Recife (em tempo de 4 horas) do senhor José Alves e lá também era "ponto" de parada (terminal) das de Cabedelo, em frente ao Edifício Duarte da Silveira e no Café Alvear do senhor Antônio Muribeca. O vendedor de bilhetes (passagem) era o senhor Vinte e Seis, apoio ao ex-chapeado (transportador de volumes).

Na mesma praça, fora edificado e inaugurado, em 12 de outubro de 1924, pelo prefeito Walfredo Guedes Pereira, o abrigo de passageiros dos bondes como unidade de apoio. No Centro da praça, uma Torre do Relógio, com 16 metros de altura por quatro de largura, em estilo Arte Noveau, encimado por uma biruta e mostradores de relógio em suas laterais.

O maior bonde era o número 12 com linha regular para o comércio (Rua Maciel Pinheiro, cidade baixa) cujo motorneiro, senhor Piloto, um homem de cor, alto, de cabelos carapinho, braquicéfalo e estrábico, residente na avenida Conceição 78, e filho de senhor Jô e do senhor Paulo. O bonde menor fazia a linha de Tambaú, cujo fiscal Sr.Zezé e o cobrador Caju Azedo, um albino de cabelo rusgar encarapinhado, de olhos verdes, usava uma farda tipo dólmã com botões dourados e um quepe com testeira de plástico, tinha a tiracolo uma grande bolsa com três compartimentos para facilitar o troco. 

Em volta da torre, os automóveis de aluguel, que, em 1950, chegaram a 46 carros e, por questão de disciplina e preço das corridas, era eleito um "Delegado". Os motoristas primavam pela sua aparência. Todos se vestiam impecavelmente, em liforme (terno) branco ou tropical azul, de marca Maracanã, gravata e chapéu Ramenzony. Cada motorista era "batizado" com um apelido. Havia Curió, Guarabira, Pé de Boque, Praxedes, Chocolate, Antônio Leiteiro, do Caroço, Secretário, Professor, Vavá, Bola Sete, Biu e outros. O ambiente era prazeroso para fazer chacotas com os tipos populares, como Vassoura, Pão de Bico, Core Maria Vintém, Mocidade; e deles receberem impropérios.


- A torre do relógio

O que dignificava o pessoense com honra era a Torre do relógio. Ao fundo era possível observar a fachada primitiva do Cine Plaza da Cia Exibidora de Filmes, cujo presidente era o senhor Eduardo Lemos. É possível observar na coberta do prédio do cinema, várias claraboias dirigidas para o norte para receber a ventilação e distribuir no Salão de projeção. 


Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário

Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história.



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