Anthony Hopkins, e Jonathan Pryce,
O grande triunfo de um ator é conseguir ser tão crível ao contar uma história que torne-se quase impossível ao espectador dissociar a ficção da realidade. A isso, somam-se a qualidade de texto e direção e o preciosismo técnico.
É isso que vemos em “Dois Papas” (The Two Popes, 2019), uma obra-prima assinada pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, já disponível no Netflix.
A caracterização e as atuações de Anthony Hopkins, como Papa Bento XVI, e de Jonathan Pryce, como Jorge Mario Bergoglio (futuro Papa Francisco), são absolutamente primorosas. Não há outra expressão.
Detalhe: não é um filme fácil, de mero entretenimento. Trata-se de obra revestida de muitos estudos e preparação e com diálogos imensos e reflexivos, sem perder em delicadeza e algumas pitadas generosas de senso de humor.
Ouso dizer, inclusive, que Hopkins, Pryce e Meirelles tornaram-se favoritos na temporada de prêmios que tem início em janeiro.
Vou além: é quase um dever entregar o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Ator a Anthony Hopkins, em apogeu de uma carreira extraordinária.
Helder Câmara

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