quinta-feira, 6 de maio de 2021

A Viagem 19a semana



Só gente branca no Nosso Lar e Alexandre joga Alberto na piscina: a 19ª semana de A Viagem

Nilson Xavier 
maio de 2021 | 00:06

Otávio chegou ao Nosso Lar, um paraíso de gente branca e loura. De acordo com a novela, quando negros ou morenos morrem, não vão para o céu. Sim, sabemos que isso logo muda, mas não deixa de ser um absurdo. E isso não é “coisa da época“, não. Em 1994, houve protestos, tanto que a novela logo mais passa a exibir negros no campo de golfe, inclusive com a entrada de Léa Garcia e Antônio Pompeo no núcleo do Nosso Lar.

Eu não lembrava que André – personagem de Lafayette Galvão, do Nosso Lar – era pai de Otávio. Achei que fosse apenas uma espécie de líder ou mentor do campo de golfe celestial.

No capítulo de terça-feira, Alberto explicou de forma didática como acontece a obsessão de Alexandre sobre Téo e Dona Guiomar. Inclusive com detalhes curiosos. Achei muito bacana.

Outra sequência de grande impacto envolvendo o personagem Alberto: o embate com Alexandre à beira da piscina na casa de Otávio. Foi a primeira vez que o espírito de Alexandre manifestou-se verbalmente. Cena bem dirigida e interpretada, com destaque para a queda de Alberto na piscina.

Como se já não bastasse Bia Insuportável, agora temos Tato Insuportável. Acho as cenas da revolta do personagem exageradas, over. Mesmo sendo novela, em que o formato obedece regras, ainda me incomodo com situações e atitudes elevadas à carga máxima como forma de fixar narrativas. Já entendemos que Alexandre age sobre Tato!

Confesso que eu ri quando Kazuo meteu a cabeça na porta da sala e Tato falou “Só me faltava essa!”

Alvíssaras! Laura Cardoso está de volta. Que falta fez a personagem Guiomar, uma das melhores da novela. Alguém sabe dizer quanto tempo Laura ficou fora da trama? Mais de um mês, eu acho…

Geraldão acabou preso e assim deixa a novela. Restou a sensação de que o personagem não vingou. Ivani Ribeiro já criara um tipo semelhante, o personagem de Francisco Milani em Final Feliz, que seduziu Katia (Cininha de Paula), para mais tarde descobrir-se ser um farsante que usava várias identidades.
De muito mau gosto a cena em que Johnny humilha a empregada Dolores. Por mais que a intenção fosse apontar o mau-caratismo do rapaz, achei toda a sequência uma solução desnecessária da direção e do roteiro, pela personagem ser uma empregada, por ser negra e por ser mais velha, sublinhando assim a sua suposta condição inferior em todas as hierarquias sociais. Horrível de ver.


Muito bom ver a redenção de Diná, de mulher ciumenta, incontrolável e intolerante, a uma pessoa melhor. Principalmente porque percebemos a construção e a condução gradativa da personagem. Excelentes os diálogos de Diná com Lisa e depois com Maria (flagrada usando suas roupas).

SOBRE O AUTOR
Desde criança, Nilson Xavier é um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: no ano de 2000, lançou o site Teledramaturgia, cuja repercussão o levou a publicar, em 2007, o Almanaque da Telenovela Brasileira.

SOBRE A COLUNA
Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

TV História

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