sábado, 22 de maio de 2021

Nem toda tontura é labirintite

 

Juliana Conte
Publicado em: 12 de maio de 2021
Revisado em: 12 de maio de 2021

A tontura pode ser sintoma de muitas doenças e, geralmente, não está relacionada à labirintite. Quando o assunto é tontura, todo mundo já tem na ponta da língua a recomendação: “ah, procure um médico que deve ser labirintite“.

Mas veja que curioso: a tontura quase nunca é labirintite. Como assim? A labirintite é uma das 40 doenças que podem estar por trás desse sintoma, e a boa notícia é que ela é rara. Segundo o dr. Saulo Nardy Nader, médico neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a labirintite é uma infecção viral ou bacteriana do labirinto, normalmente uma complicação de meningite ou de infecção do ouvido, raríssima.

“De maneira geral, a gente pegou uma doença que menos acontece e usou o nome dela para todas as outras doenças, olha só que curioso.”

Listamos 4 doenças mais comuns cujo principal sintoma é a tontura. Acompanhe:

Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) 
Dentro do labirinto, temos uma espécie de micro cristais que, no caso da VPPB, “escapam” e se alojam onde não deveriam. Assim, ao olhar para cima, virar na cama ou agachar para pegar um lápis no chão, a pessoa sente que tudo gira.

“A VPPB é a doença provocadora de vertigem mais comum. E aí vem a grande mágica por trás: eu não preciso de remédio para tratá-la. O médico consegue fazer manobras com a cabeça da pessoa, em uma velocidade e ângulo específicos, que varrem de volta os cristaizinhos para o lugar e a doença está resolvida”, explica Saulo.

O neurologista completa: “Já imaginou quanta gente tem por aí com diagnóstico de labirintite  medicamentos sem resultado porque, na verdade, são os cristais que estão soltos e precisam ser colocados no lugar?”.

Por isso, a recomendação é procurar um médico neurologista e nunca se automedicar.

Tontura postural perceptual persistente (TPPPP)
Também conhecida como tontura perceptual ou vertigem fóbica. É a segunda causa mais comum de tontura em adultos jovens. A pessoa tem dificuldade de explicar os sintomas, e em geral afirma que sente a cabeça “vazia”, pesada, estranha; sente instabilidade, sensação de desequilíbrio, de insegurança, de que vai cair, embora não caia de fato. Os sintomas se intensificam em ambientes com muita informação visual, com excesso de cores, luzes ou movimento, como, por exemplo, shoppings, mercados, igrejas ou estacionamentos, que são locais amplos e com muitos estímulos visuais.

“Há ainda uma nítida correlação com o emocional. A ansiedade piora muito a tontura e vice-versa. Então, a tontura perceptual é também uma das causas mais comuns que precisam de cuidados.

Neurite vestibular - inflamação do nervo do labirintite
O paciente tem uma inflamação do nervo do labirinto e uma crise de vertigem muito intensa, além de náuseas, dificuldade de equilíbrio e concentração. Quando esse nervo fica inflamado, a informação que seria interpretada normalmente pelo cérebro chega deturpada, causando sintomas que podem aparecer subitamente. Em geral, o paciente vai para o hospital e os sintomas persistem por alguns dias.

De acordo com Saulo, muitos médicos confundem a enfermidade com AVC pelo início abrupto dos sintomas. “A missão do médico no pronto-socorro é diferenciar a tontura neurite vestibular de um AVC, que seria muito mais perigoso.”

Doença de Mènière
A doença de Mènière  é caracterizada pelo aumento da pressão do líquido que fica dentro do ouvido. “Vamos imaginar que o seu labirintito  sofra de pressão alta”, compara Saulo. Quando isso acontece, ocorrem crises de vertigem, zumbido e perda de audição. Normalmente, as crises de vertigem têm mais de 20 minutos de duração, ou seja, são prolongadas e com a presença de fenômeno auditivo. Assim, durante a tontura, o ouvido entope e se ouve um apito ou chiado forte, comprometendo a audição.

Luiz Fujita Jr
Publicado em: 17 de maio de 2011
Revisado em: 11 de agosto de 2020

Doenças e sintomas
Labirintite



Labirintite se manifesta geralmente depois dos 40 anos, decorrente de alterações metabólicas. São fatores de risco hipoglicemia, diabetes, hipertensão, otites, uso de álcool, fumo, café e de certos medicamentos.

Labirintite é um termo impróprio, mas comumente usado, para designar um problema que pode comprometer tanto o equilíbrio quanto a audição, porque afeta o labirinto, estrutura da orelha interna  constituída pela cóclea (responsável pela audição) e pelo vestíbulo e canais semicirculares (responsáveis pelo equilíbrio).

Processos inflamatórios, infecciosos e tumorais, doenças neurológicas, compressões e alterações genéticas podem provocar crises de labirintopatias e vestibulopatias, entre elas a labirintite.

A labirintite se manifesta, em geral, depois dos 40 ou 50 anos, decorrente de alterações metabólicas e vestibulares. Níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico podem acarretar alterações dentro das artérias que reduzem a quantidade de sangue circulando em áreas do cérebro e do labirinto.

 Fatores  de risco da labirintite

Idade;

Hipoglicemia;

Diabetes;

Hipertensão;

Otites;

Álcool;

Fumo;

Café;

Certos medicamentos, entre eles alguns antibióticos e anti-inflamatórios;

Estresse;

Ansiedade.

Sintomas de labirintite

O principal sintoma são as tonturas e vertigens. 

Na vertigem rotatória clássica, a sensação é que o ambiente gira ao redor do corpo, ou que este roda em relação ao ambiente. 

Na tontura, a sensação é de desequilíbrio, instabilidade, de pisar no vazio, de queda.

A fase aguda da doença pode durar de minutos, horas ou até dias.

A vertigem pode ser associada ou não a:

Náuseas;

Vômitos;

Sudorese;

Alterações gastrointestinais;

Perda de audição ou audição diminuída;

Zumbido.

Diagnóstico de labirintite

Avaliação clínica e o exame otoneurológico completo são muito importantes para estabelecer o diagnóstico da labirintite, especialmente o diagnóstico diferencial, haja vista que algumas enfermidades podem provocar sintomas bastante parecidos, entre elas hipoglicemia, diabetes, hipertensão, reu7matismo,síndrome de Mèníére, esclrerose múltipla, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e em áreas do tronco cerebral, drogas ototóxicas, doenças imunológicas e a cinetose, também chamada de doença do movimento, que não tem ligação com as doenças vestibulares ou do labirinto.

Tomografia computadorizada e ressonância magnética, assim como testes labirínticos, podem ser úteis para fins diagnósticos.

Tratamento da labirintite

São vários os tipos de medicamentos que podem ser indicados no tratamento da labirintite:

Vasodilatadores facilitam a circulação sanguínea e melhoram o calibre dos vasos, muitas vezes reduzido por placas de gordura (ateromas));

Labirinto-supressores suprimem a tontura agindo no sistema nervoso;

Anticonvulsivantes e antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação da serotonina);

Drogas que atuam sobre outros sintomas, suprimindo a náusea, o vômito e o mal-estar.

Uma vez estabelecida a causa e estabelecido o tratamento adequado, a tendência é a doença desaparecer.

Recomendações para prevenir  crises de labirintite

Mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir as crises de labirintite. Eis algumas sugestões:

Evite ingerir álcool. Se beber, faça-o com muita moderação;

Não fume;

Controle os níveis de colesterol, triglicérides e a glicemia;

Opte por uma dieta saudável que ajude a manter o peso adequado e equilibrado;

Não deixe grandes intervalos entre uma refeição e outra;

Pratique atividade física;

Ingira bastante líquido;

Não consuma bebidas gaseificadas que contêm quinino (como água tônica);

Procure administrar, da melhor forma possível, as crises de ansiedade e o estresse;

Importante: Não dirija durante as crises ou sob o efeito de remédios para tratamento da labirintite.

Perguntas frequentes sobre labirintite

O que é labirinto?
O labirinto é uma região da orelha interna que está relacionada com nossa audição, equilíbrio e percepção do corpo. A parte específica que envolve o equilíbrio é chamado sistema vestibular.

Quanto tempo dura uma crise de labirintite?
Em geral, a fase aguda pode durar minutos ou horas, mas os sintomas podem permanecer até por dias.

Tontura sempre é sinal de labirintite?
Não. A tontura é um dos sinais clássicos da labirintite, mas também é um sintoma comum de diversas doenças. Portanto, se você tem tontura com frequência, o ideal é buscar atendimento médico para investigar a causa exata.

Que especialidade médica trata a labirintite?
O tratamento da labirintite pode ser feito por um clínico geral, mas em casos mais graves há necessidade de acompanhamento com otorrinolaringologista, que é a especialidade voltada a doenças do ouvido, nariz e garganta.

O tormento do zumbido

Embora tenha-se criado a ideia de que zumbido no ouvido não tem cura, o problema pode ser tratado com medicamentos e terapia de habituação.

Uma noite, aos 31 anos, a tradutora Lilian Panico foi se deitar com uma companhia indesejável. O silêncio que faz desse período o seu favorito para colocar a leitura em dia permitiu também que ela notasse uma presença extremamente incômoda. Nessa noite, ela passou a ouvir um som que ninguém mais ouvia.

Ao aconchegar-se ao lado do marido, quando ia começar a ler, ela notou um barulho de batimento cardíaco, como se uma veia pulsasse dentro de seu ouvido direito. Não havia dor e tampouco a sensação física de algo pulsando. Somente o som: tum-tum, tum-tum… “Eu nunca tinha ouvido aquilo e achava que era momentâneo, mas foi ficando, ficando…”
Lilian, hoje com 34 anos, faz parte do grupo de 28 milhões de brasileiros que sofrem de zumbido, uma condição conhecida também pelo nome em inglês, “tinnitus”. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 278 milhões de pessoas com o problema, caracterizado pela audição de um som constante ou que vai e volta, sem ter nenhuma relação de causa e efeito com o ambiente.

É impossível saber como é exatamente o ruído do zumbido. Apesar do nome, sabe-se que poucas vezes lembra um “zzzzz”, como o de um enxame de abelhas. Pelos relatos, supõe-se que o som não seja sempre o mesmo. “Pacientes comparam com barulho de cigarra, apito, concha, panela de pressão, chiado, cachoeira”, diz o Dr. Cassio Antonini, otorrinolaringologista pela Santa Casa de São Paulo. As referências a cigarra e apito são as mais comuns.

Causas diversas

Em um quadro normal, as vias auditivas captam a vibração dos sons gerados no ambiente e os enviam na forma de impulsos elétricos para o cérebro. O distúrbio se instala quando as vias auditivas passam a enviar impulsos mesmo sem haver uma fonte gerando o som. O grande obstáculo para o tratamento do zumbido é descobrir o que leva a essa emissão indiscriminada de impulsos, já que o zumbido em si não é uma doença, e sim, um sintoma.

Excesso de cera, infecções e lesões do ouvido são causas possíveis do problema. No entanto, muitos outros fatores que aparentemente não têm nada a ver com o sistema auditivo podem dar origem a esse sintoma. Desvios de coluna, alterações cardiovasculares, diabetes, disfunções da articulação da mandíbula e consumo excessivo de cafeína, álcool e tabaco são alguns deles.

A impressão de que o zumbido atinge mais os idosos é falsa, mas tem uma explicação: cerca de 90% dos casos têm como causa principal a perda auditiva. Como esse problema atinge mais a terceira idade, há mais ocorrências de zumbido nessa faixa etária. O som incômodo, entretanto, pode aparecer em qualquer idade, em pessoas com audição normal ou não. Há, porém, relação com o gênero: ainda sem explicação, o problema acomete mais o sexo feminino.

Tormento

O som da maioria dos zumbidos é agudo com volume entre três e sete decibéis (db), valor considerado bastante baixo. Somente como termo de comparação, o ruído da respiração, que é quase inaudível, fica em torno de 10 db, enquanto o do sussurro atinge cerca de 20 db. Na verdade, um som só começa a ficar desconfortável para alguém com audição normal quando chega perto dos 100 db, ou seja, próximo do barulho de uma motocicleta.

O valor do som em decibéis, entretanto, não tem nada a ver com o incômodo que ele causa. O grau de desconforto é notadamente subjetivo. “Às vezes, um paciente com zumbido de 6 db relata que não se incomoda com o barulho e que, na maior parte do tempo, até esquece que ele existe. Já outro, que ouve um som de 3 db, pode queixar-se constantemente e considerá-lo insuportável, a ponto de não permitir que durma direito”, afirma Andrea Eichner, fonoaudióloga do Centro de Estudos e Reabilitação em Audiologia.

A dificuldade para identificar a origem do problema criou o mito de que não há tratamento eficaz para o zumbido. A dona de casa Elza Jardim passou a ter zumbido nos dois ouvidos após uma crise de labirintite violenta, aos 50 anos. Ela só foi procurar um otorrino aos 70 anos e, quando o fez, foi pela perda auditiva que começava a manifestar-se, e não pelo incômodo provocado pelo som que aparentemente vinha do nada. “Eu conversava com conhecidos e todo mundo dizia que não tinha cura. Durante 15 anos vivi com um som de alarme distante nos dois ouvidos. Nos últimos cinco anos, ficou só do lado esquerdo o som de uma cigarra que nunca descansa”.

Medidas extremas

Apesar do barulho ininterrupto, dona Elza consegue conviver com o zumbido sem maiores transtornos. Assim como ela, existem pacientes que passam por consultas médicas sem sequer mencionar o problema ao longo de toda a vida.

O mito de ser incurável, entretanto, não cria somente pacientes resignados. Alguns são tomados por um sofrimento tão intenso que pode evoluir para transtornos psiquiátricos e levar a medidas extremas. “Há pacientes que chegam ao consultório mesmo sem acreditar que podem melhorar, mas decidem procurar tratamento porque já começaram a pensar em suicídio”, afirma Andrea Eichner.

Embora seja intuitivo admitir que o incômodo do zumbido pode levar a transtornos psiquiátricos, o inverso também é possível. Distúrbios como ansiedade e depressão alteram os níveis dos neurotransmissores que estimulam as vias auditivas e podem causar zumbido. Como o estado emocional pode confundir a noção do que veio antes ou depois, é fundamental conduzir uma investigação minuciosa para saber o que é causa ou consequência e, assim, poder tratar adequadamente.

Tratamentos

A forte ligação entre zumbido e perda auditiva facilita bastante o tratamento. Nesses casos, para a maioria dos pacientes o uso de aparelho amplificador é suficiente para acabar com os dois problemas. É necessário, porém, fazer uma pequena adaptação no dispositivo, abrindo um furo para ventilação, pois tampar o ouvido intensifica a sensação incômoda.

Quando o problema não decorre de perda auditiva, tenta-se identificar a causa. Essa é uma das partes mais difíceis do tratamento, já que, tirando o zumbido, o problema original pode ser totalmente assintomático.

Quando se torna inviável investigar todo o organismo em busca da causa do zumbido, a orientação é identificar os “gatilhos”, elementos que disparam ou pioram o desconforto. Álcool, sal, doces, chocolate, cafeína e nicotina são gatilhos comuns, mas nem sempre existe um elemento disparador. “A primeira orientação dada pelo otorrino foi tirar o café do dia a dia. Deixei de tomar por dois meses. Não funcionou”, diz dona Elza.

Quando nenhum gatilho é localizado, alguns medicamentos podem funcionar. “O tratamento clínico consiste na indicação de vasodilatadores periféricos, ansiolíticos e anticonvulsionantes”, explica o Dr. Cassio Antonini.

Terapia de habituação

Nos anos 1990, foi desenvolvida uma terapia de adaptação chamada TRT, do inglês Tinnitus Retraining Therapy. Em tradução livre, a Terapia de Habituação ao Zumbido consiste em habituar o paciente a conviver com o som a ponto de não mais notá-lo.

A primeira etapa da terapia é dedicada a definir as principais características do zumbido. O paciente ouve um chiado e vai orientando modificações de timbre, frequência (grave ou aguda) e volume, até que se consiga chegar ao som mais parecido com o que ele escuta.

Com base nesse achado, o especialista configura um aparelho que gera um chiado padrão em volume um pouco mais baixo que o zumbido ouvido. Atualmente, esse gerador de som pode ser embutido no próprio aparelho para surdez. Os dois ruídos mais comuns são chamados de “White Noise” e “Pink Noise”, e o paciente escolhe com qual dos dois se sente mais confortável e adaptado.

“O objetivo é desviar a atenção do cérebro do zumbido para o chiado, e como o som deste último é contínuo e monótono, a pessoa para de prestar atenção”, explica Andrea Eichner.

É como treinar o cérebro para lidar com o zumbido da mesma forma que lida com o som de uma CPU: ele percebe o som quando o computador é ligado, mas rapidamente passa a ignorá-lo, a ponto de só voltar a perceber quando ele é desligado.

O tratamento é longo, estende-se por 18 a 24 meses, e durante todo esse tempo é feito um aconselhamento psicológico. “Quem tem o estresse como gatilho, por exemplo, não vai conseguir escapar de um eventual retorno de zumbido mais intenso. É preciso orientá-lo sobre como lidar com recaídas e como administrar sua convivência com o som de forma a não se abater”, diz Andrea Eichner.

O ideal é procurar orientação se o zumbido persistir por mais de um dia, mesmo acreditando que será possível habituar-se sozinho. A tradutora Lilian Panico chegou a incorporar o som ao seu cotidiano. “Aquele som já era parte de mim. Em uma viagem acordei à noite e cheguei a ficar assustada, porque o zumbido havia sumido”. Porém, diferentemente do que se consegue com a habituação terapêutica, acostumar-se sozinho pode não ser suficiente para eliminar o temor e a angústia. “Meu medo até hoje é passar a ter nos dois ouvidos. Com um deles, pelo menos, eu ainda ouço o som do silêncio”.

Drauziovarella.Uol.com.br

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