Pedro, João Paulo, Bento e Francisco
Pedro
Não se trata de novidade alguma.
Pedro, o primeiro Papa, assim como os demais apóstolos escolhidos por Jesus, não era um homem particularmente “impressionante” aos olhos do mundo. Pedro era um pescador rude, grosso, ignorante, impulsivo, inconstante, com arroubos de medo e de covardia. Nada disso, porém, era um obstáculo para a graça de Deus, que já tinha chamado um Moisés gago e conflituoso, um Jonas assustadiço, um Davi mulherengo e mentiroso, um Noé que se embriagava e tantas outras pessoas que, por si mesmas, não tinham grandes condições de guiar um povo e, muito menos, de “salvar o mundo”.
É que não são esses eleitos que guiam o povo de Deus. É o Espírito Santo através deles.
Não são esses eleitos que salvam o mundo. É Deus, e Deus parece escolher reiteradamente homens e mulheres normais, cheios de virtudes e defeitos, para agir através deles e apesar deles.
Papa João Paulo
João Paulo II, em seus últimos anos de pontificado, era tratado pela mídia como um idoso fraco, inchado, curvado, que babava e sofria para balbuciar as palavras. E tudo isso era verdade. Mas era também uma maneira de dizer: “Eu não sou um super-homem. A minha imagem não é planejada por uma equipe de marqueteiros. Eu sou apenas um instrumento frágil da graça de Deus”.
Papa Bento XVI
Bento XVI teve a coragem de se expor a um bombardeio de críticas quando reconheceu a sua fragilidade física diante das exigências de guiar o rebanho católico e renunciou ao papado. Para quem tivesse a boa vontade e a humanidade de entender os seus motivos sem quatro pedras na mão, porém, ele transmitiu a mesma mensagem de João Batista: “É necessário que Ele cresça e eu diminua”.
Homens
Papa Francisco
O Papa Francisco mesmo já declarou que se sente desconfortável com a visão idealizada que muita gente criou a respeito dele. O Papa, disse o próprio, não é uma espécie de super-homem ou de astro pop:
“O Papa é um homem que ri, que chora, que dorme serenamente e que tem amigos, como todo mundo. Uma pessoa normal”.
E, como toda pessoa normal, o Papa é naturalmente sujeito a cometer deslizes tipicamente humanos na sua forma de ser e de comunicar-se, o que em nada afeta o conteúdo e a verdade do seu magistério que, para os crentes católicos, é iluminado pelo Espírito Santo (se é que os católicos que se dizem crentes acreditam mesmo naquilo que dizem).
No fim das contas, um Papa, mesmo sendo escolhido pelos desígnios de Deus, é e continua sendo um homem. E estes homens são tão expostos quanto quaisquer outros às fraquezas próprias da nossa condição humana, o que deixa ainda mais claro que é Deus quem age através deles. Eles encarnam, na sua fragilidade, uma prova de fé para os que se dizem crentes: “Creio realmente que, por trás deste homem, existe um desígnio divino que a razão não explica?”.
Deus
A fragilidade desses escolhidos por Deus para missões muito maiores do que eles mesmos torna ainda mais inspiradora a sua fidelidade a Deus apesar de tudo.
O inconstante Pedro se tornou forte a ponto de sofrer o martírio na cruz.
O atlético João Paulo II aceitou perseverante a humilhação de definhar ao vivo, diante de um mundo incapaz de aceitar o envelhecimento, a doença e a dependência dos cuidados do próximo.
O poderoso Bento XVI não fraquejou ao ceder o trono a outro pontífice, perante um mundo obcecado por poder e ego, status e vaidade.
O singelo Francisco não deixa a sua simplicidade se amoldar aos julgamentos mundanos de uma sociedade que não sabe lidar com a autenticidade e com a própria condição de humanidade imperfeita.
São oportunidades adicionais para percebermos que a genuína proposta cristã não é apenas mais espiritual e transcendente que as ofertas do mundo. A genuína proposta cristã é mais humana, também.
PT Aleteia.Org

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