segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Câncer linfático

O que é câncer linfático, doença agressiva diagnosticada no deputado Eduardo Suplicy

Deputado estadual de São Paulo divulgou diagnóstico nesta segunda-feira (28); doença é considerada agressiva
Laura Machado , Florianópolis

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), de 83 anos, anunciou nesta segunda-feira (28) que recebeu o diagnóstico de LNH (Linfoma não Hodgkin), também chamado de câncer linfátco. 
Apesar de ser agressiva, a doença pode ser tratada com terapias específicas.

 Eduardo Suplicy

Doença diminui a imunidade e é considerada agressiva, segundo especialistas – Foto: Instagram @eduardosuplicy/Reprodução/ND

O petista afirmou, em publicação compartilhada nas redes sociais, nesta segunda-feira (28), que recebeu o diagnóstico em julho deste ano e, desde então, segue em tratamento 

“Continuo minhas atividades na Assembleia e minhas aulas de ginástica. Felizmente meus exames já apresentam bons resultados. Por recomendação médica, estou com atividades públicas restritas por causa da minha baixa imunidade.

Agradeço o apoio, as orações e as energias positivas para que eu possa me recuperar o mais breve possível. A minha luta só termina quando eu ver implantada no Brasil e no mundo a Renda Básica de Cidadania”, explica Eduardo Suplicy na publicação.
Câncer linfático: Eduardo Suplicy confirmou diagnóstico da doença nesta segunda-feira (28) – Foto: Instagram @eduardosuplicy/Reprodução/ND

Entenda a doença

O LNH é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos, também chamados de linfócitos, provocando alterações nos linfonodos (gânglios linfáticos), e também em outras partes do corpo como baço, amígdalas, medula óssea e o tecido linfático ligado ap sistema digestivo.

Os glóbulos brancos são responsáveis por ajudar a combater infecções, por isso, uma das principais consequências em pacientes com o câncer linfático é a baixa imunidade. A doença pode afetar os linfócitos B (células B) ou os linfócitos T (células T).

Doença está associada a alguns tipos de vírus – Foto: Foto/iXimus/Pixabay/Reprodução/ND

Quem tem maior risco para a doença:

Pessoas com imunodeficiência primária ou secundária;

Pacientes com condições autoimunes (artrite reumatoide, síndrome de Sjogren e etc.);

Pessoas que tiveram exposição a determinados produtos químicos (herbicidas, inseticidas, e etc.);

Inflamação crônica;

Hiperplasia linfonodal reativa.

Não existe uma causa definida para o surgimento do câncer linfático, no entanto, estudos apontam que alguns tipos de vírus , como o de Epstein-Barr e o da hepatite C, podem estar associados ao desenvolvimento desse tipo de câncer.

Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), os homens apresentam maior predisposição à doença em comparação às mulheres: em 2022, foram 12.040 diagnósticos, sendo 6.420 em homens e 5.620 em mulheres.

Sinais e sintomas

Aumento dos linfonodos (gânglios) do pescoço, axilas e/ou virilha;

Suor noturno excessivo;

Febre;

Coceira na pele;

Perda de peso maior que 10% sem causa aparente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico desse tipo de câncer pode ser feito a partir de exames como biópsia, punção lombar, ressonância magnética e tomografia computadorizada. 

Em geral, a doença é tratada por meio de quimioterapia, radioterapia ou de imuno e quimioterapia associadas.

NDMais.com



Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,O inchaço dos gânglios é um dos sintomas de linfomaArticle informationAuthor,Analía Llorente
Role,BBC News Mundo
15 setembro 2021

O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo. Na verdade, "câncer" é um nome genérico para uma grande variedade de tumores diferentes, com características, diagnósticos e tratamentos específicos.

Quase 10 milhões de pessoas morreram em 2020 como resultado de diferentes tipos de câncer, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Os cânceres que mais causaram mortes no ano passado foram os no pulmão com 1,8 milhão de mortes. E os que registraram maior número de casos foram os na mama, com 2,26 milhões de casos.

Mas existem outros tipos bastante comuns, entre eles o linfoma. Em 15 de setembro, Dia Mundial da Conscientização sobre o Linfoma, a BBC News Mundo consultou especialistas para descobrir o que é esse câncer e como detectá-lo.



Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,As axilas são alguns dos locais onde o inchaço nos gânglios pode ser sentido

O que é linfoma

Existem três grupos principais de câncer de sangue: leucemias, mielomas e linfomas.

Enquanto as leucemias afetam a medula óssea, que produz as células do sangue, os linfomas afetam o sistema linfático - uma rede de pequenos vasos e gânglios que é parte tanto do sistema imunológico quanto do sistema circulatório, como explica o hospital oncológico A. C. Camargo.

Os linfomas são divididos em dois tipos principais: linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin (LNH).

O nome deriva da descoberta feita em 1832 pelo patologista britânico Thomas Hodgkin (1798-1866) após analisar várias pessoas com sintomas de câncer que afetavam os gânglios linfáticos.

Esse tipo de câncer foi inicialmente chamado de "doença de Hodgkin", mas no final do século 20 foi rebatizado de "linfoma de Hodgkin".

Conforme explica a Associação de Leucemia e Linfoma dos Estados Unidos, essa mudança foi feita porque pesquisas posteriores revelaram que a doença é consequência de uma lesão no DNA de um linfócito, um tipo de glóbulo branco responsável por nos defender de infecções.

A mutação no linfócito o transforma em uma célula de linfoma, capaz de se reproduzir indiscriminadamente. Essas células aglutinam-se e formam massas de células, que são tumores, e muitas vezes aglomeram-se nos gânglios linfáticos.

"Se o corpo fosse uma casa, a leucemia seria um problema que afeta a casa toda, enquanto o linfoma seria um problema que afeta os quartos. Ou seja, ele costuma se concentrar em certas partes do corpo, nos gânglios linfáticos", diz a médica Carla Casulo, diretora da área de linfoma do Instituto Wilmot de Câncer da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

Crédito,Guy's Hospital reportsLegenda da foto,O linfoma de Hodgkin é nomeado em referência ao patologista Thomas Hodgkin

Linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin

O linfoma de Hodgkin se espalha de maneira ordenada de um grupo de linfonodos para outros, enquanto o linfoma não-Hodgkin se espalha através do sistema linfático de forma desordenada, explica Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

No Brasil, a estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) de novos casos de linfomas em 2020 (último ano com dados disponíveis) é de 12.030 casos, sendo 6.580 em homens e 5.450 em mulheres. O Inca também aponta que 4.923 morreram por causa de linfomas em 2019, segundo dados do Atlas da Mortalidade por Câncer.

Em todo o mundo, mais de 735 mil pessoas são diagnosticadas com linfomas a cada ano, de acordo com dados da Lymphoma Coalition, uma rede global de cerca de 80 organizações em mais de 50 países que fornece informações e suporte a pacientes com linfoma.

Esses números são confirmados pelo Observatório Global do Câncer (Globocan) e mostram que o linfoma é o câncer no sangue mais comum entre adultos.

"Claramente, o maior percentual de casos é de linfomas não-Hodgkin", diz o oncologista Leandro Nikisch, membro da Associação Argentina de Cirurgia.

"E são mais de 80 subtipos. São muitos tumores diferentes e com o advento da análise molecular e de outros estudos, estão sendo descobertas cada vez mais características diferentes dos linfomas", diz ele.

Especialistas destacam que o diagnóstico de certos tipos de linfomas tem aumentado.

Segundo o Inca, o LNH se torna mais comum à medida que as pessoas envelhecem. O número de casos diagnosticados duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos. Mas ainda não se sabe a causa desse aumento.

Outro diagnóstico que tem tido aumento é o de leucemia linfática crônica (LLC).

"Chamamos o LLC de linfoma-leucemia. Estamos vendo ele se tornar mais comum. As pessoas estão fazendo mais exames por motivos diversos que não têm a ver com câncer e estão sendo diagnosticadas acidentalmente", afirma Casulo.

"Mas mesmo considerando esse fator, quando analisamos em um nível geral (o linfoma) continua entre os nove ou dez dos tipos mais comuns de câncer", diz a médica.

Como detectá-lo

O diagnóstico precisa ser feito por um médico, por isso é importante buscar assistência médica caso a pessoa perceba os sintomas.

Como o sistema linfático percorre o corpo todo, o câncer pode surgir em qualquer lugar.

O inchaço dos gânglios é um dos sintomas de linfomas. É mais comum conseguir perceber esse inchaço dos gânglios linfáticos em algumas áreas: a virilha, a axila, o pescoço, a parte de trás das orelhas e a parte de trás da cabeça.

O inchaço pode ser percebido com os dedos. Além disso, outros sintomas do linfoma podem ser semelhantes aos de outras doenças comuns, como gripe e até covid-19.

Também são sintomas dos linfomas febre, suores noturnos, cansaço, tosse, coceira e perda de peso.



Crédito,Getty ImagesLegenda da foto,O diagnóstico é mais comum após os 60 anos

Ele pode ser tratado e curado?

O linfoma de Hodgkin é um dos tipos de câncer com maior índice de cura, embora a causa do seu surgimento na maioria dos casos não seja conhecida.

Também não é possível evitá-lo nem obtê-lo por contágio de outra pessoa.

Geralmente é diagnosticado entre as idades de 20 e 40 anos e se torna mais comum novamente após os 60 anos.

O sucesso do tratamento do LNH varia, dependendo das características do tipo específico que a pessoa tem.

"Felizmente quase todos os linfomas têm tratamento. São poucos os que não podem ser tratados", afirma a médica Carla Casulo

"É uma doença um tanto complicada porque existem diferentes linfomas e alguns são agressivos e outros são completamente indolores", diz ela.

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