Feliz com a vida
Aquela mulher que já virou noites,
que chorou em silêncio,
que abriu mão de si mesma para dar tudo que podia
— e o que não podia — por esse filho.
Hoje, ela olha para o relógio.
Olha de novo.
E de novo.
Não está esperando o horário do remédio.
Está contando os dias.
As horas.
Os meses.
Esperando uma visita.
Um telefonema.
Uma mensagem.
Qualquer sinal de que ainda é lembrada.
Mas o filho cresceu…
E junto com a idade, parece que cresceu também o esquecimento.
A pressa.
O egoísmo.
Ele se esquece que existe uma mulher que o chama de “meu filho”
mesmo quando já não ouve “minha mãe” faz tempo.
Ela não quer presentes caros.
Ela quer presença.
Ela quer ser lembrada enquanto ainda está viva.
Porque amor que só aparece no velório, é culpa.
E culpa não consola ninguém.
Desconheço autoria
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