quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Dizem que, com o passar dos anos, uma mulher deveria tornar-se mais discreta.




Minha vida com animais

Dizem que, com o passar dos anos, uma mulher deveria tornar-se mais discreta.

Como se a sua voz devesse perder espaço e a sua presença se diluir no fundo. 

Fala-se disso com calma e convicção, como se recuar fosse uma regra natural da maturidade. 

Como se o seu lugar já não fosse no centro da própria vida.

Mas eu não nasci para desaparecer.

Não peço permissão para existir. 

Não me faço menor para o conforto dos outros.

Não vim a este mundo para me apagar, recuar ou viver em silêncio.

Numa fase da vida em que se espera contenção… eu escolho clareza e vida

Não peço desculpa pelas minhas rugas. Honro-as. Cada uma carrega a minha história: amor, alegria, dor e força.

Não deixo de ser mulher porque já não correspondo aos ideais atuais de beleza ou porque o meu corpo escolheu outro ritmo. Continuo a ser desejo. Continuo a criar. Continuo livre.

Se isso incomoda alguém — que assim seja.

Não me envergonho dos cabelos grisalhos. Envergonhar-me-ia se não tivesse vivido o suficiente para os ter. Não desapareço. Não recuo. Permaneço na vida.

Continuo a sonhar.

Continuo a rir com verdade.

Continuo a mover-me à minha maneira.

Continuo a falar, porque a minha voz importa.

Não sou uma lembrança. Sou presença.

Sou uma luz serena, mas resistente.

Sou uma mulher que conhece o seu valor sem pedir aprovação.

O meu nome é Helena.

E este nome ainda tem peso.

Estou aqui — ereta, consciente e viva.

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