Minha vida com animais
Dizem que, com o passar dos anos, uma mulher deveria tornar-se mais discreta.
Como se a sua voz devesse perder espaço e a sua presença se diluir no fundo.
Fala-se disso com calma e convicção, como se recuar fosse uma regra natural da maturidade.
Como se o seu lugar já não fosse no centro da própria vida.
Mas eu não nasci para desaparecer.
Não peço permissão para existir.
Não me faço menor para o conforto dos outros.
Não vim a este mundo para me apagar, recuar ou viver em silêncio.
Numa fase da vida em que se espera contenção… eu escolho clareza e vida 

Não peço desculpa pelas minhas rugas. Honro-as. Cada uma carrega a minha história: amor, alegria, dor e força.
Não deixo de ser mulher porque já não correspondo aos ideais atuais de beleza ou porque o meu corpo escolheu outro ritmo. Continuo a ser desejo. Continuo a criar. Continuo livre.
Se isso incomoda alguém — que assim seja.
Não me envergonho dos cabelos grisalhos. Envergonhar-me-ia se não tivesse vivido o suficiente para os ter. Não desapareço. Não recuo. Permaneço na vida.
Continuo a sonhar.
Continuo a rir com verdade.
Continuo a mover-me à minha maneira.
Continuo a falar, porque a minha voz importa.
Não sou uma lembrança. Sou presença.
Sou uma luz serena, mas resistente.
Sou uma mulher que conhece o seu valor sem pedir aprovação.
O meu nome é Helena.
E este nome ainda tem peso.
Estou aqui — ereta, consciente e viva.

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