quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Entendam isto: o corpo de uma pessoa idosa já não é o mesmo que aos trinta anos.




Minha vida com animais

Muitos filhos adultos tornam-se impacientes. Ficam irritados porque a mãe ou o pai comem mais devagar, caminham com cuidado, cansam-se mais rápido, esquecem coisas ou queixam-se de dores.

Pode parecer que estão a exagerar ou que simplesmente não querem esforçar-se.

Mas isso não é verdade.

O corpo deles simplesmente mudou. E é importante aceitar isso para não os magoarmos com a nossa impaciência.

Depois dos sessenta anos, o organismo já não funciona como antes. Não porque não queiram, mas porque o corpo trabalhou a vida inteira e desgasta-se pouco a pouco.

A digestão abranda. O estômago produz menos sucos digestivos. Comidas pesadas tornam-se difíceis.

Por isso, as pessoas idosas comem menos ou mais devagar. Não é indiferença — é biologia.

As articulações também pagam o preço do tempo. Joelhos, costas, braços e pescoço suportaram anos de esforço. Os músculos enfraquecem e cada movimento exige energia. Andar devagar não é preguiça, é dor.


A força diminui. Tarefas simples tornam-se difíceis. Muitas vezes ficam em silêncio para não preocupar os familiares.

A memória também muda. Nem sempre é doença, mas envelhecimento natural.

O sistema imunitário enfraquece. O frio provoca doenças com mais facilidade.

E o mais importante:

Não é que não queiram.

Não é que não entendam.

Não estão a exagerar.

O corpo deles é simplesmente diferente.

Os pais não se tornam um peso.

Tornam-se mais vulneráveis.

Ninguém envelhece para incomodar. Envelhecemos porque tivemos o privilégio de viver.

E um dia esse corpo será o seu.

E você também vai precisar de compreensão, respeito e paciência.

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