A terceira Idade
Por Marlene Garcez
Envelheci à francesa: sem alarde, sem ruptura, apenas deixando o tempo assentar.
O corpo se aproveitou da minha distração.
Não sei quando foi que decidiu envelhecer, porque fez isso de forma silenciosa, quase elegante.
O envelhecimento não bateu à porta; entrou enquanto eu estava ocupada vivendo.
Há algo delicado nisso.
O corpo não traiu, apenas acompanhou o tempo.
Ele desacelerou onde antes corria, pediu cuidado onde antes exigia força.
Não perdeu dignidade, ganhou linguagem.
Cada mudança passou a comunicar experiência, não declínio.
Envelhecer à francesa é aceitar que o tempo não precisa ser combatido, apenas compreendido.
É permitir que o corpo mude sem que a essência se perca.
A mente continua curiosa, o olhar atento, o coração disponível.
O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa, como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.
Desconheço o autor
Foto da Web para ilustrar o texto

Nenhum comentário:
Postar um comentário