quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Envelheci à francesa: sem alarde




A terceira Idade
Por Marlene Garcez

Envelheci à francesa: sem alarde, sem ruptura, apenas deixando o tempo assentar.

O corpo se aproveitou da minha distração.

Não sei quando foi que decidiu envelhecer, porque fez isso de forma silenciosa, quase elegante.

O envelhecimento não bateu à porta; entrou enquanto eu estava ocupada vivendo.

Há algo delicado nisso.

O corpo não traiu, apenas acompanhou o tempo.

Ele desacelerou onde antes corria, pediu cuidado onde antes exigia força.

Não perdeu dignidade, ganhou linguagem.

Cada mudança passou a comunicar experiência, não declínio.

Envelhecer à francesa é aceitar que o tempo não precisa ser combatido, apenas compreendido.

É permitir que o corpo mude sem que a essência se perca.

A mente continua curiosa, o olhar atento, o coração disponível.

O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa, como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.

Desconheço o autor

Foto da Web para ilustrar o texto

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