Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré
pela estrada de terra macia, de costas pro mundo apressado e de frente pra própria história.
A bacia firme na mão, equilibrada com prática de anos, como quem já carregou chuva, sem nunca deixar cair a esperança.
Debaixo da mangueira frondosa a sombra abraça seus passos, e o vento mexe nas folhas como se quisesse acompanhar a caminhada tranquila dela.
O chinelo marca o chão vermelho, cada pegada é lembrança viva de quem constrói a vida um dia de cada vez, sem barulho, sem vaidade.
A rua simples, as casas quietas, o céu aberto anunciando tarde bonita, e Dona Raimunda seguindo firme,
porque quem é do interior aprende cedo a nunca parar.
Ela não precisa olhar pra trás, carrega no peito a certeza. E isso basta.
Entre a poeira leve da estrada e o verde que contorna o caminho, vai uma mulher inteira, rica de coragem.
Dona Raimunda não caminha sozinha.
Vai com ela a fé,a dignidade, e a sabedoria de quem sabe
que a verdadeira grandeza
está nas pequenas tarefas
cumpridas com amor.
E assim o dia segue, com o sol iluminando o caminho
e Dona Raimunda mostrando,
sem dizer palavra alguma,
que viver é continuar andando
mesmo quando a estrada é de barro —porque o coração dela é firme como raiz de mangueira.
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