Associação Cultural Poeta Patativa do Asaré
o tempo não passou — ele ficou guardado.
Cada parede ainda conhece meu nome,
cada janela guarda o vento
das manhãs em que a vida começava cedo.
Ali moravam meus avós,
seu Antônio e dona Rosa,
dois corações simples e fortes
que fizeram daquela casa pequena
um mundo inteiro de amor.
Foi ali que cresci,
correndo pelo terreiro de pés descalços,
rindo sem saber das dores do mundo,
acreditando que a vida era só o cheiro do café
e o abraço quente de quem me criou.
Hoje, vovó Rosa vive de saudade.
Saudade das manhãs barulhentas,
do fogão aceso antes do sol nascer,
do riso de seu Antônio chamando a família,
das conversas na varanda
que pareciam nunca ter fim.
Seu Antônio se foi como o vento manso
que passa e deixa silêncio.
Mas deixou na casa antiga
o eco da sua voz e da sua coragem.
Vovó senta na porta e olha o caminho,
como se esperasse ver de novo
a vida de antes chegando pela estrada.
Eu, Maria Clara,
sou a neta que carrega essa história no peito.
Cresci vendo o esforço deles,
aprendi que viver é lutar todos os dias
sem perder a ternura.
A infância foi simples,
mas cheia de verdade.
A luta diária nunca foi leve,
mas me ensinou a ser forte
como as raízes daquela casa.
Hoje, quando volto ali,
sinto o coração apertar e aquecer ao mesmo tempo.
Vejo vovó Rosa olhando o horizonte,
segurando lembranças como quem segura flores.
E eu entendo que a saudade
é apenas o amor que ficou morando
onde o tempo não consegue apagar.
A casa antiga ainda está de pé,
guardando nossa história em silêncio.
E mesmo que os anos passem,
ela continuará viva dentro de mim —
como abrigo da minha infância,
como símbolo da nossa luta,
como prova de que o amor de avô e avó
nunca desaparece…
apenas vira saudade bonita
morando para sempre no coração.

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