quinta-feira, 19 de março de 2026

Na casa antiga onde morei,






Associação Cultural Poeta Patativa do Asaré


o tempo não passou — ele ficou guardado.

Cada parede ainda conhece meu nome,

cada janela guarda o vento

das manhãs em que a vida começava cedo.

Ali moravam meus avós,

seu Antônio e dona Rosa,

dois corações simples e fortes

que fizeram daquela casa pequena

um mundo inteiro de amor.

Foi ali que cresci,

correndo pelo terreiro de pés descalços,

rindo sem saber das dores do mundo,

acreditando que a vida era só o cheiro do café

e o abraço quente de quem me criou.

Hoje, vovó Rosa vive de saudade.

Saudade das manhãs barulhentas,

do fogão aceso antes do sol nascer,

do riso de seu Antônio chamando a família,

das conversas na varanda

que pareciam nunca ter fim.

Seu Antônio se foi como o vento manso

que passa e deixa silêncio.

Mas deixou na casa antiga

o eco da sua voz e da sua coragem.

Vovó senta na porta e olha o caminho,

como se esperasse ver de novo

a vida de antes chegando pela estrada.

Eu, Maria Clara,

sou a neta que carrega essa história no peito.

Cresci vendo o esforço deles,

aprendi que viver é lutar todos os dias

sem perder a ternura.

A infância foi simples,

mas cheia de verdade.

A luta diária nunca foi leve,

mas me ensinou a ser forte

como as raízes daquela casa.

Hoje, quando volto ali,

sinto o coração apertar e aquecer ao mesmo tempo.

Vejo vovó Rosa olhando o horizonte,

segurando lembranças como quem segura flores.

E eu entendo que a saudade

é apenas o amor que ficou morando

onde o tempo não consegue apagar.

A casa antiga ainda está de pé,

guardando nossa história em silêncio.

E mesmo que os anos passem,

ela continuará viva dentro de mim —

como abrigo da minha infância,

como símbolo da nossa luta,

como prova de que o amor de avô e avó

nunca desaparece…

apenas vira saudade bonita

morando para sempre no coração.

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