Feliz com a vida·
“O casamento deles durou trinta e quatro anos. Durante quinze desses anos, ele bebeu como se estivesse a caminho da própria morte.
Em 1970, em Houston, Texas, Lisa Niemi tinha catorze anos quando entrou no estúdio de dança da mãe e viu um bailarino de dezoito anos que se movia como se a gravidade não se aplicasse a ele. O nome dele era Patrick Swayze.
Eles eram jovens. Inacabados. Sem certezas — exceto uma: um ao outro.
Casaram-se em 12 de junho de 1975. Ela tinha dezenove anos. Ele, vinte e dois. Estavam sem dinheiro, partilhando sonhos, um carro velho e a convicção de que, de alguma forma, iriam conseguir. Durante anos, mal conseguiram. Audições fracassavam. O dinheiro acabava. Lisa dava aulas de dança e sustentava a casa enquanto Patrick aceitava qualquer trabalho que aparecesse. Era uma luta dura e comum — nada glamourosa.
Então, em 1987, Dirty Dancing mudou tudo, A fama disparou ainda mais quando em 1990 Foi lançado dia 23 de julho nos EUA e no Brasil foi lançado dia 1 de novembro do mesmo ano, O filme, Ghost, Do outro lado da vida, que ganhou 2 Oscar e foi número 1 sucesso de bilheterias, A fama, O poder, O dinheiro e o álcool...
Patrick tornou-se um fenómeno mundial da noite para o dia. A fama não criou os seus demónios — apenas os ampliou. A bebida aumentou. A distância cresceu. O casamento começou a rachar sob pressões que poucas relações sobrevivem.
Lisa ficou mais tempo do que a maioria ficaria. Não porque fosse fácil. Não porque o amor apagasse a dependência. Não apagava. Houve separações. Longos silêncios. Anos em que ficar doía tanto quanto partir.
O que os salvou não foi romance. Foi esforço.
Patrick escolheu a recuperação repetidas vezes. Tratamento. Terapia. Recaídas e novos compromissos. O trabalho lento e nada glamouroso da sobriedade. Lisa não o salvou. Observou para ver se ele se salvaria a si próprio. Quando o viu tentar, ficou.
Em 2003, fizeram juntos o filme One Last Dance, sobre dois bailarinos a reconstruir uma relação depois de anos de fratura. Não era simbólico. Era a vida deles traduzida em movimento.
Então veio janeiro de 2008. Câncer no pâncreas em estado terminal.
Lisa tornou-se sua cuidadora. Não terceirizou o amor. Alimentou-o. Deu-lhe banho. Leu para ele. Segurou-lhe a mão quando a dor apagava as palavras. Ficou até ao fim.
Patrick Swayze morreu em 14 de setembro de 2009, em casa, com Lisa ao seu lado.
Quando lhe perguntaram como o casamento deles sobreviveu ao que destrói tantos outros, Lisa respondeu em voz baixa:
— “Nunca deixámos de nos escolher.”
Não quando a fama os testou.
Não quando a dependência quase os destruiu.
Não quando a doença tornou ficar quase insuportável.
Patrick é lembrado como Johnny Castle, como Bodhi, como Sam Wheat.
Lisa lembra-se do rapaz de dezoito anos no estúdio de dança. Do homem que lutou contra si mesmo porque o amor importava mais do que o ego.
Isto não é um conto de fadas. Contos de fadas são simples.
Isto é uma história de amor real. Construída com paciência, falhas, perdão e presença.
Trinta e quatro anos a escolherem-se mutuamente.
Não perfeita.
Apenas fiel.
E isso é mais raro do que qualquer final de Hollywood."
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