uns pousam devagar no coração, como borboletas de luz; outros chegam vestidos de chuva e deixam a alma inteira a perguntar porquê.
Há portas que se fecham porque já deste tudo o que tinhas para viver do outro lado,
caminhos que desaparecem para que os teus pés descubram outros horizontes,
silêncios que te devolvem a voz e pessoas que partem porque nem todos os amores nasceram para ficar, alguns vieram apenas acender uma estrela dentro de nós.
Nem sempre sabemos ler a caligrafia da vida.
Chamamos perda ao que nos devolve a nós próprios, queda ao instante em que começamos a criar asas, fim ao lugar onde a primavera já prepara, em segredo, as primeiras flores.
Talvez viver seja aprender esta linguagem invisível: escutar o vento quando muda, reparar na luz que entra por uma pequena fresta e confiar que, mesmo quando não entendemos o caminho, a vida continua baixinho a dizer-nos: é por aqui…
- Carlos Cabrita
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