quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Na tarde de 12 de outubro de 1992,





Jenni Casos Criminais

Na tarde de 12 de outubro de 1992, feriado de Nossa Senhora Aparecida, um helicóptero Esquilo decolou de Angra dos Reis (RJ) rumo a São Paulo. A viagem deveria durar cerca de 45 minutos.
A bordo estava Ulysses Guimarães, de 76 anos, o homem que quatro anos antes havia promulgado a Constituição de 1988 e que, naquele momento, era uma das vozes centrais do impeachment de Fernando Collor.

Com ele viajavam a esposa, Ida de Almeida Guimarães, a Dona Mora; o ex-senador e ex-ministro Severo Gomes; a mulher dele, Anna Maria Henriqueta Marsiaj Gomes; e o piloto Jorge Comemorato.
O grupo havia passado o feriado na casa do empresário Luís Eduardo Guinle, em Angra.

A aeronave decolou por volta das 15h20, enquanto uma tempestade atingia o litoral entre Angra e Paraty. Minutos depois, sumiu. Não houve nenhum contato por rádio.
À noite, o presidente Itamar Franco foi avisado do desaparecimento.
As buscas começaram na manhã seguinte.

Foram resgatados os corpos de Dona Mora, de Severo Gomes, de Henriqueta e do piloto, este numa praia a cerca de 20 km de Paraty. O de Ulysses nunca apareceu. Ele foi declarado morto sem que houvesse um corpo para enterrar.

A ausência do corpo do "Senhor Diretas" alimentou especulações por décadas, inclusive de sabotagem, numa comparação com a morte de Juscelino Kubitschek. Nenhuma delas foi comprovada.

Em 2001, um médico legista de Santa Catarina chegou a afirmar que pescadores teriam encontrado o corpo em alto-mar, informação jamais confirmada. A explicação mais aceita segue sendo o mau tempo.

Anos depois, Ada de Luca, que era chefe de gabinete de Ulysses e mais tarde se tornou deputada estadual em Santa Catarina, revelou que deveria estar naquele voo. Na véspera, uma das filhas teve febre e ela desistiu da viagem. "Eu liguei para ele dizendo que não ia", contou.

Na promulgação da Constituição, Ulysses disse a frase que marcou sua trajetória: "Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo."

Mais de três décadas depois, o mar de Paraty ainda guarda um dos maiores mistérios da política brasileira.


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