terça-feira, 18 de junho de 2013

1940 - Hábitos E Costumes Familiares: Fogão À Lenha, Carvão E Geladeira

Uma cozinha em 1940: à esquerda vemos uma bateria e à direita um guarda-louça. No centro, um fogão. 

Na década de 40, os costumes oriundos das avós: os filhos ao levantar-se pela manhã dirigiam-se aos pais e pediam a benção, gesticulando com a mão direita espalmada em sentido vertical à altura da boca. Os genitores respondiam "Deus te abençoe" e na pressa em geral ligavam as palavras dizendo "Deuzabençoe" . Infelizmente a maioria das crianças e adolescentes de hoje desconhecem essa veneração.

- As primeiras geladeiras

Em 1940 não existia geladeira doméstica e nos aniversários ou festas, comprava-se gelo em barras de 10 quilos, conservadas em pó de serragem de madeira. As primeiras geladeiras domésticas eram com unidade aberta, isto é, um motor com correia que quando atingia ao clímax ele desligava através de um relé; acontecia um pequeno barulho e trepidação no refrigerador, inclusive as madames colocavam por sob a geladeira uma figura decorativa em louça de um Pinguim; ocorre que na trepidação o Pinguim parecia mover-se. 

- Uma residência de classe média

Toda residência de classe média possuía em casa uma jarra de 50 litros para água potável e um tanque para água de "gasto" (serventia doméstica, lavar louça, roupa etc), além da jarra, um filtro de cerâmica com água potável; somente na década de 50 é que surgiu a inovação "vela" para filtração das impurezas na água.

As residências que não tinham filtro por questões econômicas e financeiras, utilizavam a quartinha que também chamavam de moringa.

- A cozinha e seus utensílios: bateria, fogão à lenha, à carvão e a querosene

Na década acima citada, nas residências do proletariado era uso comum fogão a lenha; alguns construídos em alvenaria ou adquirido no comércio, em metal, e tinham uma vantagem de ter água quente a qualquer momento. O feixe de lenha  se adquiria nas bodegas ou nas vendas; comprava-se fiado com anotações na "caderneta de fiado". Um feixe de lenha, pesando cerca de 10 quilos  supria as necessidades por uma semana. Era necessário manter na cozinha catembas de coco e querosene.


- Fogões a carvão

Na década de 40 foi surgindo os fogões a carvão com vendas facilitadas a prazo; sendo em metal esmaltado ou em ferro fundido; a matéria prima comburente era o carvão, também adquirido nas bodegas ou mercearias, inclusive os carvoeiros com fabricação própria vendiam na cidade e viajavam com um comboio de 4 ou 5 animais e cada um com 4 sacas. O interessante era o estalar dos chicotes servia de "pregão", semelhante a sineta dos vendedores de gás liquefeito em botijões.

No final dos anos 40 surgiram os fogões a gás de querosene, cujo comburente se adquiria nas mercearias em litros ou em "quarteirão" (era uma medida correspondente a 1/4 de litro).

- Uma cozinha doméstica

O fogão era uma peça indispensável. Em seguida uma "bateria" (  suporte de metal de 1,50 m) semelhante a um tripé soldado em forma piramidal com compartimentos para as caçarolas e alguns ganchos em forma de anzol para pendurar outros utensílios; o básico do fogão era o "pegador" de brasa, a grelha de assar pão e o abano.

Toda cozinha tinha uma jarra, um aguidar, uma arupema (peneira) e uma colher de pau.

O móvel de cozinha era um guarda louça de madeira, com uma gaveta grande para guardar os talheres.

Fonte: Arion Farias
Historiador e professor da universidade

Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história.

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