Os Rapas
Na década de 50 do século passado, existia uma profissão "Os Rapas". Era uma "instituição" governamental subsidiada pela municipalidade, cuja função era "rapar" as graminácea que se instalavam e cresciam nos calçamentos da via pública; grande parte dos calçamentos da capital eram em pedra granito, semelhante aos de hoje; no entanto de forma irregular e em rejunte aberto, isto é as laterais dos paralelepípedos além de serem irregular eram cimentados na base com calcário e areia, deixando 50% das laterais abertas entre si, e em cujas partes cresciam a graminácea o que prejudicava o tráfego e o transito em movimento.
No início do século passado a maioria das ruas do centro da cidade não eram calçadas e sim de barro batido ou pissaro, e quando no período de inverno as águas fluviais causavam sulcos nas ruas impedindo o tráfego.
- O pelotão dos "rapas"
Os "rapas" era composto de um grupo de adolescentes, cerca de 50 jovens que às 7 da matina marchavam garbosamente sem cadência de tambor, oriundo do Tambiá, em sentido cidade, comandados por um chefe , cuja tarefa era raspar as gramas que se desenvolviam entre pedras dos calçamentos irregulares, como da Rua Nova atual General Osório, Areia, Monsenhor Walfredo, Róger, ladeira do São Francisco, da Borborema, Rua do Portinho e outras no Varadouro.
- O instrumento de trabalho
Os pequenos operários utilizavam como instrumentos de trabalho a raspadeira, confeccionadas com "aspas de metal" que embalavam volumes de mercadorias ou caixotes, que hoje foram substituídas pelas fitas de plásticos mais flexível e com a mesma resistência.
Estas aspas eram cortadas no tamanho de 30 cm e envergadas em forma de V em cujo vértice servia de instrumento cortante; as laterais eram protegidas com tecidos de lona ou trapos de pano, a fim de evitar o contato direto com as mãos.
A posição do uso do instrumento nas pedras era pouco cômoda, era em sentido decúbito ventral (ou seja com as nádegas para cima) vergando o corpo.
Às 11 horas suspendiam as tarefas e retornavam à sede em forma de marcha.
- Um artista se destacava
Podemos recordar que no meio daquela rapaziada existia um "Pedro Américo", um dotado que no intervalo do lanche desenhava nas calçadas figuras clássicas como Pedro II, Cabral, Santos Dumont ou figuras religiosas, com pedaços de giz, telhas, tijolos, cerâmica, para dar o realce colorido às formas.
Os alunos dos colégios Nossa Senhora das Neves, Pio X, Professor Néri e outros, se extasiavam diante das pinturas nas calçadas decoradas; José Otávio, Otinaldo Lourenço, Newton Leite, Nocy, Hélio Magalhães, José Maranhão, Jairo Lisboa, Clemente e Nelson Rosas, Harley de Paiva Martins, Ivan e Rubens, Caio Múcio, Oleci, Luiz Augusto Crispim, Valderedo (Sansãozinho), Márcio, Rodan, Valdir (ex-deputado), todos amorcegadores de bonde elétrico, admiravam as figuras nas calçadas.
Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário
Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história.
Ilustração de João Paulino, digitador deste jornal.
Ilustração de João Paulino, digitador deste jornal.

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