Monsenhor José Coutinho: um perfil em silhueta do padre pedindo esmola com sua varinha
Padre Zé, o político sem partido e o maior benfeitor social, cujo Instituto fundado por ele foi o primeiro na promoção humana neste Estado, onde iniciou instalando cursos profissionalizantes de corte e costura, bordado, cabeleireiros, artesanato e datilografia. Comparando bem, era uma espécie de Sesc e Senac para a época.
Seu Instituto se mantém com doações, acolhendo pessoas acometidas de mal de saúde, alienados pela sociedade e escrachados pelo social. O Hospital São josé recebe os enxotados de braços abertos, inclusive alguns médicos predispõem grátis os seus serviços.
Em 1955, o historiador Arion Farias, o cronista Gonzaga Rodrigues e Natanael Alves foram alunos do Instituto São José;
No interior do templo onde era instalado o instituto, no subsolo, no passado, eram enterrados os irmãos da Ordem e por sobre as catacumbas centenárias alinhavam-se colchões que servia de dormitório para os retirantes pobres oriundos do interior do Estado. Para se ter uma ideia, ali já abrigou mais de cem criaturas que não tinham aonde caírem mortas.
- Sua vida e os revides
Em 1907 foi matriculado no Colégio Diocesano Pio X; era um aluno relapso, só queria brincar. Ali D. Saulo perguntou-lhe se queria ser padre e seu tio dogmático disse "José não dá pra nada, quanto mais ser sacerdote". Ele afirmou o contrário e foi interno no seminário de Olinda, tomou batina num domingo de carnaval a 10 de março de 1908; tonsurou-se em 1916 e foi ordenado em 1920. Na sua vida de estudo foi vibrante, fazia tudo para servir aos colegas.
O amor ao próximo já corria rios de águas vivas em seu corpo. Não obedecia ao final do primeiro mandamento "E ao próximo como a si mesmo". Desconheceu as duas últimas palavras: viveu doando-se.
Destacava-se no seminário e fundou um jornal manuscrito. O Lábaro, que se transformou na revista "A Luz" Com aluno organizou a Orquestra Sinfônica Regina Pacis.
Em 20 de maio de 1920 celebrou sua primeira missa.Faleceu a 5 de novembro de 1953, às 12 horas, de parada cardíaca congestiva-Cardiopatia Hipertensiva. Foi o maior acompanhamento de féretro da Paraíba, à semelhança do médico Napoleão Laureano.
Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário
Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história.

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