Clube do chorinho
Até a década de 50, com a inexistência da TV, computador, celular, táxi ou outros divertimentos, considerava-se o cinema nos finais de semana como se fosse o Shopping de hoje.
Vale observar que as jovens da época eram educadas para o matrimônio, jamais cuidar de tarefas funcionais, unicamente a profissão de professora ou enfermeira,pois todas eram voltadas para prendas do lar.
As jovens aprendiam a tocar piano ou violino. Os jovens aprendiam a dedilhar violão sob as restrições paternas, pois os mesmos na época eram tidos como instrumento de permissividade e tendências à prostituição.
Os rapazes usavam penteado com brilhantina Royal Briard, em cuja cabeleira empolada repartida ao meio, parecia mais um pára-lama de automóvel inclusive um bigode fino, imitando o astro de cinema Clark Gable ou Tyrone Power; os sapatos em duas cores, ou tipo Fox; as pernas das calças com "boca de fino", gravata e palitó. O uso do cigarro escondido dos genitores ,nas marcas Colomí, Astória, Asa ou Continental.
Todo rapaz tinha um pente fino no bolso, com um espelhinho redondo em cujo verso uma imagem sensual. As jovens com vestido de organdi ou saia plissé, com blusa em mangas fofas, tendo na barra renda ou bico com uma fita dando um laço; era uma forma romântica inclusive prezava-se a cintura fina e o sapato com meio salto.
Quanto ao namoro era às escondidas. nas saídas dos colégios ou no cinema na seção das moças do Cinema Brasil.
Na realidade, o máximo que se fazia era pegar na mão ou na cintura se o namoro fosse duradouro. Os pais só tomariam conhecimento se o rapaz tivesse emprego certo ou de família de nível superior. Rapaz sem emprego era tido "sem eira nem beira".
- A serenata
A Paraíba sempre foi um celeiro musical e grande parte tinha aptidões para a música, principalmente o violão.
Uma forma romântica de apaixonar as namoradas, era fazer uma serenata em sua porta. Com essa atitude, elas sentiam-se honradas e o comentário durava semanas. Juntavam-se 2 ou 3 jovens, alguns de violão ou violino e após às 23 horas, na porta ou na esquina, dependendo do "gênio" do pai da namorada que em algumas ocasiões os expulsavam até à bala. Cantavam canções românticas como: Oh Palidez, de Osório Pax, ou Risque; Boa Noite, Maria é tarde, é tarde; Adeus; Malandrinha; Chão de Estrelas; Caminhemos; Negue e Última Canção; em geral terminava com Cinco Letras que Choram. Os imprevistos com o pais eram resolvidos com "pernas para que te quero".
Tivemos na Paraíba muitos seresteiros como Ruy de Assis, Teones Barbosa, Agenor, Juanito Venâncio, Gutembergue, Benigno de Carvalho e dezenas de outros. Em cada bairro tinha um grupo.
- As serestas não morreram
As serestas tiveram seu declínio com o desenvolvimento tecnológico, com o uso abusivo do som em automóvel na década de 60, onde cujos elementos antes de apaixonar as namoradas queriam demonstrar a sua situação econômica com carro e som alto o que dava muito trabalho à polícia.
Atualmente grupos remanescentes de espírito romântico como o Clube do Chorinho, oriundo do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil (seção da Paraíba) que se apresentam no Hotel Tambaú, no Sindicato e no Shopping Sul, com melodias que encanta ouvintes. Na orla marítima nos finais de semana alguns quiosques mantém conjuntos com seresteiros. É o verdadeiro resgate das músicas românticas.
Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário
Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história.

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