segunda-feira, 17 de junho de 2013

1940 - Os Namoros E Os Casamentos De Ontem E De Hoje

01- Década de 40 - 02- Década de 70 e 03- Década de 2009

A hora dos felizes para sempre em duas épocas; as criações estilistas; os bolos de seis andares; o requinte, a sofisticação e a etiqueta

Considerando que os casamentos dos fidalgos até o final do século XVII eram de uma certa forma escolhidos pelos genitores sendo de comum acordo com os jovens, a fim de manter o equilíbrio econômico, financeiro das famílias e os dotes.Muitas vezes não havia o amor recíproco, no entanto a convivência, a educação e a submissão das jovens com a vinda dos filhos gerava amizade.

No início do século passado as mulheres foram se libertando das amarras tradicionais e escolhendo seus esposos pela sua própria vontade e de acordo com seu coração.

- Os namoros no século XX

Os namoros  iniciavam com a troca de olhares, bilhetes ou cartas. Na realidade, sempre existia uma "Corta Jaca", uma "Alcoviteira" (amiga fiel de leva e traz) ou uma tia solteirona; os primeiros encontros eram fortuitos e com discrição.

Os primeiros familiares ao tomarem conhecimento do relacionamento, afora a fiel escudeira, era a genitora a qual fazia as conveniências com o pai para consentimento de encontros semanais em sua residência e à vista da mãe.

Na cultura popular o rapaz não podia ser "Pé de chinelo" ou não ter "Eira nem beira" (expressão para os mais humildes) e não ser de família pobre ou residir em casa sem calha ou beiral.

Na década de 40 do século passado o tempo entre namoro e noivado era medido em meses. Quanto ao casamento, a faixa de "alisar banco" ou "queimar o gás" (expressão popular do tempo do noivado) era no máximo de 2 anos. Quando o noivo iniciava a compra dos móveis e utilidades de acordo com suas necessidades, os genitores das jovens preparavam seu enxoval. A data do casamento era marcada de acordo com ambas as partes.

Podemos analisar os festejos dos casamentos em duas épocas, momento em que as pessoas se unem para serem felizes, alem de um compromisso tornado público e o respeito à fidelidade.

Até a década de 50 do século passado, a Capital não tinha estrutura para recepções, e as mesmas ocorriam nas próprias residências. Somente em 1960 algumas igrejas abriram seus salões paroquiais para recepções.

Em 1940, os casamentos mais requintados eram realizados nas residências onde se instalava o altar decorado com cortinas aveludadas, flores, jarros, jarronas e almofadas, além do pároco, o juiz fazia-se presente "togado" para o casamento civil.

Após o casamento, a "hora do retrato", onde os nubentes posavam junto ao altar, com direito a almofada aveludada e decorada. O "Retratista" (fotógrafo) com seu flash de pólvora, somente "batia duas chapas" (chapa-negativo em vidro, batia-fotografar) sendo uma no altar e outra no bolo com os convivas. Na maioria das vezes as feições saíam aterradoras em virtude da espera da explosão do flash de pólvora.

Quando o casamento era na igreja, os fotógrafos não deviam tirar mais de duas "chapas" em virtude do "fumaceiro" promovido da combustão da pólvora.

Quero registrar que em uma ocasião o Padre Abath não consentiu outras fotos em virtude do odor de enxofre produzido por flash.


Os fotógrafos da época eram Ariel (genitor do autor desta), Gilberto Stuckert, João Pinto, Aurélio e Vavá (Leonardo Eliseu).

- Casamento da década de 70

Existia uma outra forma de etiqueta quando o casamento era realizado na igreja com efeito civil. Os convidados se dirigiam antes do casamento para a residência do pai da noiva, e ele alugava os carros de aluguel no "Ponto de Cem Réis" para conduzirem os convidados à igreja e após o casamento o retorno para as comemorações e o corte do bolo.

- Casamento em 2000

Após a cerimônia, a recepção nos salões das casas especializadas era com muito requinte decorativo e conforto ao som musical. Podemos observar as noivas vestidas em românticas criações dos estilistas e os altares inundados de flores em vários tons e tudo registrado pelos fotógrafos e videografistas.

 Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário

Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história


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