Nos meados do século passado, com a inexistência de supermercados, o público adquiria seus produtos comestíveis nas feiras livres aos sábados no Mercado do Tambiá, na confluência da Rua Visconde de Pelotas com a Barão do Abiaí, na quadra onde hoje é a sede do INSS.A começar do antigo Cine Municipal e em toda sua periferia até à Rua 13 de Maio funcionava a feira livre de uma forma desordenada.
Durante a semana, a sociedade era abastecida pelos vendedores ambulantes de porta em porta com seus pregões; sempre cada um com sua especialidade.
Um outro mercado existente com feirantes permanentes era o Mercado Montenegro, na Rua do Melão, atual Beaurepaire Rohan, junto à Padaria Água de Ouro.
- O verdureiro
No centro da cidade e nos bairros, desfilavam os vendedores: os verdureiros com um "calão" (uma haste de madeira de 2 metros), em cujas extremidades eram pendurado vários balaios em sentido piramidal, onde colocavam as verduras em separado, e, como pregão: "Verdureeeeeiro". E as madames corriam a porta para escolha dos produtos.
- O bananeiro
Os bananeiros utilizavam o "calão" com dois balaios, com bananas de várias qualidades: maçã, prata, anã e pacovan. O pregão era: "Bananeeeiro;banana prata, maçã e madurinhaaaa". Andavam descalços, com um chapéu de massa, roto, e uma bolsa de couro à tiracolo.
- O garrafeiro
Os garrafeiros transportavam um "calão" com dois balaios, anunciando a compra de garrafas vazias, e o seu pregão era: "Garrafeeeiro... compro garrafa branca, preta, litro e meio litro.
Estes vendedores eram a alegria da meninada que coletava garrafas vazias com a vizinhança, juntava, escondia e no sábado vendia, e o dinheiro colocava no cofre de barro, para no final do mês quebrar e comprar guloseimas. O grande problema da meninada era que as empregadas domésticas também viviam à espreita das garrafas, principalmente as garrafas de vinagre e a do gás (querosene); Na época o fogão era à lenha ou carvão, inclusive, na época da guerra, em 1945, havia o racionamento de gás, e este era vendido nos Postos Policiais. Cantava-se um refrão: "Meninos vão na frente/ As velhas vão atrás/As moças mais bonitas/ È quem primeiro tira o gás". Só na década de quarenta apareceram os primeiros fogões a gás de querosene (marca Jacaré) em cuja boca do fogão colocava-se um colarinho de asbesto como condutor comburente.
- O pãozeiro
Estes padeiros, denominados de pãozeiros funcionavam somente na parte da tarde, também com um calão, sendo que ao invés de balaios, usavam um cilindro de metal com 50 cm de diâmetro com uma coberta em forma cônica, e o seu pregão era: "Olha o pão: crioulo, francês, suíço e doce". A criançada esperava sedenta para disputar o pão doce.
Existiam outros vendedores, como o de figo, de frutas e o comprador de papel.
Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário
Publicado no jornal O Norte
Resgate
Reconstruindo a história.
Ilustração de João Paulino, digitador deste jornal.

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