O ambiente familiar: a sala, os quartos e a cozinha
Até a metade do século passado, uma família da classe média baixa, residente nos bairros ou na periferia do centro da cidade, no geral, casas germinadas, sem janelas laterais para a circulação de ar, no entanto as portas e janelas eram em veneziana ou sejam tasquias de madeira, para facilitar a circulação do ar. Nem todas possuíam água encanada e energia elétrica, mas todas tinham o seu quintal e sua pequena plantação de fruteiras e de uma pequena horta de plantas medicinais, como arruda, mastruz, sabugueiro e colônia.
As fachadas das casas eram iguais, inclusive o patamar com 3 ou 4 degraus, e as portas eram em dois segmentos e um ferrolho interno e algumas com tramelas de madeira.
- A sala
Na sala de visita, um conjunto de cadeiras de palhinha ,um centro, uma espreguiçadeira e um jarro niquelado por sobre um tripé ; a esquerda da porta seguida de um cabide estilizado para colocar capa, sombrinha e um porta-chapéus, além de um espelho pequeno.
- O quarto
O espaço da casa após a sala de visita seguia-se de um corredor tendo a direita os quartos em número de três, com portas de madeira pintadas na cor azul ou verde.O quatro da frente era do casal, e os demais ligados com portas de madeira, o dos solteiros com duas ou mais camas de acordo com o número de filhos As camas eram de metal com estrado de arame e os colchões eram de capim ou de crina, os travesseiros de lá de barriguda (capim suave); todos os quartos tinham um ou dois urinóis, que também chamavam de pinico em virtude dos banheiros serem na parte externa da casa.
- A cozinha
Um dos principais ambientes da casa era a cozinha, em geral o fogão a lenha, o qual com quatro bocas e local para água quente em caráter permanente. Ao lado do fogão um recipiente com um quarteirão de gás (meio litro) e um abano de palha, junto ao pegador de metal para afastar as brasas e uma caixa de fósforo marca Olho da Fiat Lux.
A cozinha ficava ligada com a sala de jantar, uma mesa grande em madeira com várias cadeiras, tendo ao centro uma fruteira de vidro sem frutas.
Ao lado do fogão uma pia para lavar pratos e utensílios, em geral dentro do "aguidar" (utensílio de terra cota em forma de bacia) para enxaguar, tendo ao lado uma jarra de cerâmica cheia de água.
A parede da parte posterior ao fogão era suja de fuligem; toda "bodega" ou mercearia tinham a vendas feixe de lenha à retalho.
Na década de 30 do século passado, já existia água encanada e a maioria das casas já utilizavam os fogões a carvão; somente em 1945 foram lançados os Fogões a gás de querosene.
Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário
Publicado no jornal O Norte
História

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