terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Germano Romero - Porque Deus Criou A Flor



um conto -uma crônica

Fico sempre a pensar: por que Deus teria incluído as flores em Sua Criação Universal? Exatamente no nosso planeta, esse grãozinho minúsculo solto na imensidão cósmica, composta de bilhões e bilhões de galáxias...

As flores, por quem imaginamos que a Natureza nos sorri e abençoa, estão entre as mais sutis e elevadas expressões de beleza da Terra. E uma beleza tão efêmera e passageira... De repente nascem ali, no mato ou na montanha, pouco mais vão se murchando.

Como em toda a Natureza tudo tem sua função, dá até pra imaginar que aquelas borboletas são sua razão de ser. Igualmente tão perfeitas, tendo pétalas como asas, vez por outra se confundem num  jardim ensolarado. As que voam saem beijando uma a uma por aí, e em troca recebendo outros beijos perfumados. Fazem parte, aprendemos, da magia criadora, pois que distribuem no pólen a semente de outra flor.

Mas quiçá no beija-flor também possa incidir a razão que o Criador teve para colocar neste mundo tão diverso algo que além da cor pudesse nos nutrir. As que mais encantam a vista são aquelas que renascem pelas margens dessas trilhas. Espontâneas e ao léu, surgem sem ninguém cuidar. Salpicadas pelo mato, relva, prado ou barro seco, estão sempre a brotar aos olhos que enxergam. Um fenômeno tão bonito sobre o qual volto a pensar: Por que Deus criou as flores, se não fossem para amar?

Sim, amar é saber ver com imensa gratidão o que a vida tem de belo. Mesmo quando o panorama possa vir a se mostrar com tristeza ou nostalgia, pela perda ou a saudade de alguém que já se foi, pare e veja uma flor, que tem vida passageira mas nos deixa a certeza de que tudo se renova desde o dia em que se nasce.

De botões se viram em pétalas, que se abrem ao Sol. Nas cores infinitas, das nuances mais suaves ao fulgor de um vermelho, do amarelo e até do azul, elas cantam sua beleza que em muitas se completa com bênção do perfume.

Foi por isso que não pude resistir e trouxe algumas, na esperança de que aqui, mais do que qualquer cuidado ou adubo com carinho, a ternura mais sincera lhes faria companhia. E é com grande emoção que as vejo na manhã, ou ao céu do entardecer, com olhar de gratidão, por saberem que eu entendo porque Deus criou a flor.

Germano Romero é arquiteto e bacharel em Música

Publicado no jornal Coreio da Paraíba
  

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