sexta-feira, 25 de julho de 2025

Perdi os anos... E eu não percebi.





Selma de Oliveira 
Amadurecer entre amigos

Entre filhos, silêncios, dever e essas rotinas que você assume como destino.

Eles escaparam entre cafés quentes, camas frias e promessas quebradas.

E embora eu acreditasse que já não conseguiria, que aos meus quase 70 nem os joelhos se levantam,
um dia eu me vi no espelho e não chorei mais... Falei comigo.


Como a fénix, embora sem penas e cabelos brancos.

Resgatei do fundo dos meus ossos aquilo que chamam dignidade.

Aquela que guarda como relíquia.

quando ela decide amar mais os outros do que a si mesma.

E surpreendi a todos — aqueles que me viam frágil, derrotada, submissa —

Quando levantei os olhos, abri bem os olhos e disse:

“Basta! ”

Chega de me esconder atrás da cozinha.

Chega de ser boa, quando boa significava aturar tudo.

Chega de mendigar afeto.

Basta de dizer "não importa", quando por dentro tudo doía.

Nesta idade, eu me reconstruo.

Com minhas próprias mãos, rugas e cicatrizes.

Eu pego os pedacinhos da mulher que eu fui,

Limpo-os do pó do esquecimento,

e eu colo-os de novo com ternura.


Não é tarde demais.

Não para me amar.

Não para voltar a dizer "eu primeiro".

E não para ensinar ao mundo — e a mim mesma.

que eu valho, que eu existo, e que ainda tenho muita vida...

e quero muito vivê-la como eu quiser.
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Milka MagTorre
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Foto da Web

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