sexta-feira, 25 de julho de 2025

Talvez um dia eu me esqueça.


Poetas Teimosos

Dos nomes.

Dos lugares.

Dos porquês.

Talvez minhas mãos não saibam mais onde pousar, 

e meus olhos vagueiem por rostos familiares

sem encontrar abrigo no reconhecimento.

Talvez eu não saiba mais quem sou.

Mas ainda assim, terá valido a pena ser.

Porque a história que vivemos não depende só da memória.

Ela mora nos outros.

Mora em quem ouviu meu riso e se sentiu mais leve.

Em quem chorou comigo e se sentiu menos só.

Em quem eu toquei com presença, com cuidado, com verdade.

Se um dia a lembrança me abandonar,

espero que o amor que dei ainda permaneça.

Porque ele não se apaga.

E quando já não puder contar a minha própria história,

que ela continue sendo contada

por quem fui abrigo,

por quem fui passagem,

por quem me amou —

mesmo quando eu já não soubesse mais o que era amor.

É por isso que vale a pena viver com inteireza.

Porque mesmo quando tudo se desfaz,

a parte de nós que se fez amor
permanece.

E essa parte…essa parte ninguém esquece.

(Ana Cláudia Quintana)

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