segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Talvez um dia eu me esqueça...


Seja Sol

" Dos nomes,

Dos lugares,

Dos porquês.

Talvez minhas mãos não saibam mais onde pousar,

E meus olhos vagueiem por rostos familiares 

sem encontrar abrigo no reconhecimento.

Talvez eu não saiba mais quem sou.

Mas ainda assim, terá valido a pena ser.

Porque a história que vivemos não depende só da memória.

Ela mora nos outros.

Mora em quem ouviu meu riso e se sentiu mais leve. 

Em quem chorou comigo e se sentiu menos só.

Em quem eu toquei com presença, com cuidado, com verdade.

Se um dia a lembrança me abandonar, espero que o amor que dei ainda permaneça.

Porque ele não se apaga.

E quando já não puder contar a minha própria história,

Que ela continue sendo contada por quem fui abrigo,

Por quem fui passagem,

Por quem me amou — mesmo quando eu já não soubesse mais o que era amor.

É por isso que vale a pena viver com inteireza.

Porque mesmo quando tudo se desfaz,

A parte de nós que se fez amor permanece.

E essa parte…

Essa parte ninguém esquece."

Ana Cláudia Quintana


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