Pensar e viver
Lula da Silva e Roberto Carlos
Pouca gente sabe, mas entre dois dos nomes mais emblemáticos da história recente do Brasil, Luís Inácio, Lula da Silva e Roberto Carlos, existe um elo profundo que vai muito além da política e da música. Um elo construído na base da vivência, da dor e da memória afetiva. São homens que, apesar de trilharem caminhos distintos, sempre carregaram nas palavras e na arte um mesmo compromisso.
Falar com o coração do povo.
Tudo começou de forma silenciosa, quase como um desabafo íntimo. Lula, em um momento de profunda reflexão após a perda de uma pessoa muito especial da sua infância, decidiu fazer algo raro para alguém com a rotina de um presidente. Escrever uma carta à mão. Não havia assessores, não havia mídia, não havia qualquer intenção de tornar aquilo público.
Havia apenas um homem, uma folha em branco e uma gratidão que não cabia no peito. Aquela carta, Lula agradecia por algo que nenhuma política pública, nenhuma vitória nas urnas ou cargo poderia proporcionar consolo emocional. Ele citava uma música em especial, caminhoneiro, que, segundo ele, foi uma espécie de oração durante os dias mais difíceis da sua juventude.
A canção lhe trazia lembranças do Pai, das viagens longas, do silêncio da estrada, da ausência e da saudade. Era como se a voz de Roberto, ao cantar aquelas palavras, dissesse: "Você não está sozinho". E ali naquela carta singela, Lula contou o que nunca havia dito em público, que em noites frias no ABC paulista, quando voltava do trabalho exausto e com as mãos calejadas, era a música que o mantinha em pé.

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