A Terceira Idade
Como soa injusta aquela frase: A idade de uma mulher vê-se nas suas mãos.
E se não forem as mãos será o pescoço.
Se não for o pescoço o decote.
Talvez as pequenas rugas ao redor dos olhos.
Na verdade, não importa onde, o importante é que algo a denuncie.
Que venha à tona esse suposto segredo assustador, um segredo que o mundo parece achar que deve ser escondido.
E eu pergunto a mim mesma: por que devemos esconder a nossa idade como se fosse motivo de vergonha?
Porque a pele lisa é mais valorizada do que a bondade?
Por que as rugas assustam mais do que a ignorância?
Por que os cabelos brancos são considerados piores do que a crueldade?
Cada linha no meu rosto é marca de uma emoção vivida.
Eu ri até chorar.
Chorei em silêncio.
Passei noites inteiras sem dormir, por amor, pelos meus filhos, ou mergulhada num livro que não conseguia largar.
Tudo isso sou eu.
Curioso, não é?
Um homem com as têmporas grisalhas é chamado de “distinto”, “encantador”.
Uma mulher da mesma idade?
Muitas vezes é rotulada como “desleixada”.
As mãos trémulas de um avô comovem.
As mãos de uma mulher?
Dizem que revelam os seus anos.
Pois não.
Não tenho vergonha.
Não quero ser “eternamente jovem”.
Quero ser verdadeira.
Viva.
Uma mulher que teve a sua juventude, os seus erros, os seus amores e os seus medos.
Uma mulher cuja história não precisa ser desmascarada, porque é ela mesma que a conta, com dignidade.
a autoria
Foto da Web para ilustrar o texto

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