segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Que Não Se Usa Mais

A bengala, o chapéu, a cadeira, o terço, o véu, a pena e o tinteiro. 

Na década de 40, o aluno não usava caneta e sim a "pena" (não de ave); a partir do terceiro ano primário o aluno era obrigado a escrever os deveres com tinta azul, pela a inexistência da caneta esferográfica, automática ou caneta tinteiro, que somente veio ao mercado em 1947.

Todo aluno conduzia junto aos seus livros escolares, fora ou dentro da bolsa, um tinteiro e uma "pena" com caneta e ambos eram adquiridos nas "vendas" ou nas "bodegas". Em geral, o tinteiro era amarrado a um barbante no gargalo de vidro próprio para o líquido com rolha de cortiça; o conteúdo media cerca de 70 ml na cor azul.

As carteiras escolares tinham uma abertura na lateral, própria para a incorporação dos vidros. As "penas" eram de metal e mediam cerca de 3 cm, acoplada a uma peça de madeira de 20 cm em cuja extremidade era um encaixe em forma de calha.

Para realizar a escrita fazia-se necessário molhar a pena no tinteiro a cada frase de 4 ou 5 palavras. Muitas  vezes o excesso de tinta borrava a frase e sujava a mão ou o vestiário. Era comum ao final dos meses, a "prova" onde os alunos levavam para sala de aula uma folha de papel pautado, o tinteiro e a "pena".

- O véu na igreja

Era prática comum o uso de véu para mulheres e moças, sobre a cabeça nas igrejas; o véu branco para as moças e o preto para as mulheres que além do véu, levavam o missal e o terço.

Nas freguesias, as pessoas de classe média possuíam cadeira própria nos templos para ajoelharem-se, onde era presa uma almofadinha. O assento das cadeiras eram dobráveis em um ângulo de 45 graus. Na realidade, media-se a situação econômica da família pela sofisticação da cadeira.

- O uso do chapéu

Ao homem era dado o uso de chapéu, de acordo com a situação econômica. Aos mais abastados o uso do chapéu Chile, Ramenzone ou Paramá; inclusive um destes um conselheiro do Tribunal de Contas e escritor famoso, usa sem nenhum constrangimento um belo chapéu Panamá e que distingue-se pela elegância.

No passado o chapéu servia como símbolo de cumprimento; o homem ao passar por uma autoridade ou uma senhora tirava o  chapéu como reverência. Aos amigos e pessoas de sua intimidade um toque com os dedos polegar e indicador na aba indicava um cumprimento.

No início do século passado era comum o chapéu coco para homens e o "palheta ou palhinha" para os jovens, assim como o uso de bengala como complemento. As bengalas para rapazes era de caniço e dos adultos de madeira ou trabalhadas e incrustadas de metal. Uma forma de elegância era girar a bengala em 180 graus.

- A elegância da colônia italiana

Na década de 30 a colônia italiana se destacava na sociedade pelos seus membros. Primeiro porque as indumentárias masculinas eram por encomenda e a referida colônia dominava o mercado como a Alfaiataria do Norte, na rua Maciel Pinheiro, assim como os demais: Alfaiataria Grise, os Faraco, Cantizanis, Lianzas, Sorrentinos e os Zacaras.

Os mais elegantes eram o Dante Zacara e Gim Cantizane. Vestiam-se com esmero e elegância: colete, correntão e polainas sobre os sapatos.

Fonte: Arion Farias
Historiador e professor universitário

Publicado no jornal O Norte
Ilustração de João Paulino, digitador de O Norte.

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