Um conto - uma crônica
Os instantes de desânimo são compreensíveis, mas não devemos permitir, de nenhum modo, que eles se prolonguem. Não existe nada mais lesivo e prejudicial para nossa caminhada espiritual do que a auto-piedade e o negativismo. Sentir pena de si mesmo é desbotar o próprio brilho interior e estancar as fontes vivas que jorram abundantemente em nossa alma. Esse é um erro terrível ao qual não devemos aderir. Se não somos perfeitos é porque ainda estamos a caminho, mas isso não é razão para desanimar e desistir da jornada.
Se as estrelas se assustassem, com a extensão das trevas, a sua luz se empalideceria. Mas elas não interpretam a escuridão com temor. Para as estrelas, as trevas são apenas a moldura do seu próprio brilho, assim como, para nós, as dificuldades podem ser o realce de nosso próprios dons.
O nosso coração sabe da importância de nossos motivos. Lutamos pela felicidade e pela realização, mas, para atingí-las, existem etapas e regras. Estas, por sua vez, exigem a presença de uma diligente disciplina. Cada êxito só é conseguido à custa de boa vontade e dedicação. Nenhuma conquista se faz de graça no universo.
Dentro de nós mesmos estão todos os instrumentos para conseguirmos o que queremos. Temos, no entanto, de lançar mão deles e iniciar a luta. Deus nos dá os meios, mas somos nós que devemos trilhar o caminho.
O pessimismo é uma astuciosa manobra de covardia. O pessimismo sempre atribui o seu insucesso aos outros ou às circunstâncias. Se ele não atinge aquilo que deseja, isso nunca se deve a sua própria inabilidade ou ausência de empenho, mas sim às contingências exteriores ou à falta de apoio que recebeu.
Quando um pássaro é bem pequeno e deseja voar, é certo que ele recebe a ajuda inicial de sua mãe, que o auxilia em suas tentativas desengonçadas, porém, o único apoio concreto que ele possui são suas próprias asas, pois, sem elas, por mais que sua mãe o desejasse, ele jamais conseguiria alçar vôo.
Do mesmo modo, sempre existirão pessoas mais experientes e sábias do que nós, que podem nos ajudar com as suas orientações, porém, a despeito do carinho e atenção que dispensem em nosso favor, nada efetuaremos sem o apoio do nosso próprio esforço.
Existe uma constatação que as almas amadurecidas fazem: o mundo à nossa volta só se modifica na medida em que nós mesmos nos modificamos. Isso quer dizer que, se não temos uma atitude mental positiva, os obstáculos em torno de nós não podem ser removidos. A vida muda se nós mesmos mudarmos.
Se, em vez de superarmos os desafios com uma disposição perseverante, nós os trazemos para o nosso interior, tudo fica mais difícil. Devemos aprender que a nossa fé pode nos favorecer ou nos prejudicar dependendo somente do uso que fazemos dela. Se acreditamos que estamos presos a algo, ninguém nos libertará do nosso confinamento sem a nossa permissão. Tudo aquilo em que acreditamos dá certo, inclusive aquilo que pode nos fazer sofrer. Assim é a lei, e é desse modo que ela funciona.
Emerson Barros de Aguiar.
Jornalista e filósofo.
Publicada no Jornal O Norte.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Emerson Barros de Aguiar - Tornar-se...
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