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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Germano Romero - Basta Isso, Aos Que Amam



Basta isso, Aos Que Amam

Sexta-feira Santa e tanta coisa acontecendo. A Notre Dame incendiou-se, a encosta ruiu, o país está quebrado, o amado pai partiu...  

Mas a vida flui. O trem não para. Rios e mares seguem o curso. E o ciclone que turbina a existência leva tudo sem licença, não nos conta a que veio, nem pra onde, ou até quando, seguiremos neste barco.

"Muita luz" e "muita paz", desde ontem recebemos. Dos amigos de verdade, carne e osso, ou virtuais. É a Páscoa, tempo bom! Que este ano não terá um de seus mais belos palcos: a formosa catedral.

Muita gente já dizendo , " foi ultraje", "foi terror","foi a ineficiência do poder de governar". Há outros que sugerem refletir sobre a história, profecias que censuram  tanto luxo e ostentação  conferidos  a Maria e ao meigo Nazareno.

Em verdade lamentável, nunca foi compreendido o valor daquela luz que cobriu a manjedoura do rebento ali nascido.

Pelo menos, arte e música na igreja floresceram, embalando sentimentos , elevando emoções aos páramos mais sutis onde reinam a divindade, a beleza e a bondade. Basta isso, aos que amam... 

E assim como o Natal, hoje é tempo de perdão. De lembrar de quem nos trouxe a maior e mais sublime das mensagens cá deixadas. Seja aqui na nossa terra,num humilde vilarejo, na rica Escandinávia ou nas ilhas do Egen, haverá um templo erguido a lembrar do Galileu.

Verdade como a Sua, de entidades elevadas, mestres do supremo amor , que se fincaram na história e na mente dos que agem pelo bem e para o bem, jamais serão queimadas dentro ou fora de igrejas.

Lamentamos ver a arte destruída pelo fogo, mas sabemos, lá no fundo, que a centelha criativa, a fé raciocinada, a essência do que é belo e a  esperança no futuro não serão incendiadas. Aqui sempre estarão, latentes e pulsantes , capazes e dispostas, as melhores energias que em nome de Jesus são por nós retribuídas.

Germano Romero Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de sexta-feira 19 de abril de 2019.
Opinião.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Germano Romero - Como Dói Essa Saudade


Com dói essa saudade...Bem sabia que era assim. Mas a falta de costume ou da plena consciência faz a gente indiferente ao raiar do novo dia.

Como dói essa saudade...A vontade de apertar,de beijar e de chorar. Como dói essa saudade que eu tinha esquecido de sentir, de vez em quando, para que não olvidasse que  tempo é fugidio. Escapole a toda hora, segue o rimo inexorável. A gente é que não sente que é curto e transitório o abraço apertado.

Como dói essa saudade...que demora a passar e quiçá jamais se vá. Quem sabe até que um dia, acordemos com o sabor da lembrança que ficou. Entendendo que essa ausência, sentida por agora, tão doída e machucada, é sinônimo de um amor que havia, não se foi pra sempre haverá. 

Nossa casa, no jardim, há registro indeléveis, como música em partitura. Melodia  inesquecível que ecoa lá no fundo. E na frase que ora  escuto de um doce violoncelo , vejo toda a poesia que marcou a sua vida, que nos deu tão bom exemplo, que ensinou a prosseguir na esperança do amor. Do amor que demonstrou, na cozinha ou na sala, aqui perto ou bem mais longe, mas que ora sinto em tudo com o manto inseparável que ilumina a sua aura. 

E meus olhos à procura do que ele  observava seguem o rastro da lembrança, buscando a sintonia com a poesia do viver. Coisa que ele ensinou com a mais sábia maestria. Como dói essa saudade...

Lá fora vejo o mar que também nos quer contar do carinho que sentiu quando ele o contemplou.

E foi grande esse amor, do nosso amado mestre, cujo encanto se espalhava numa flor ou numa pedra, porque nele havia luz.

Como dói essa saudade...Não desejo que se apague, como não se apagará nada do que em nós deixou.Hoje tento aprender outro meio de ouvir, de falar e de sentir sua alma cintilante, que em breve encontrarei. Até lá, exclamarei, com aperto dolorido:como dói essa saudade..

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 22 de fevereiro de 2019,
Opinião.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Germano Romero - Lamentável Intolerância




Puxa vida, que inversão de valores! Quanta animosidade, quanta intolerância, quanta agressividade estamos vendo, entre as pessoas, nesta campanha eleitoral.Bem disse o nosso ilustre Procurador do Trabalho, Eduardo Varandas, num comentário em rede: "Não somos pacíficos e nem republicanos. Somos desinformados, racistas, machistas, elitista , higienista, segregacionista, homofóbicos e com discernimentos crítico quase nulo. A opção não ocorre entre as ideologias de direito e esquerda, políticas públicas ou planos de governo. A escolha é pelo ódio, pela revolta e pela violência. É triste, é verdadeiro, é o caos".

Acrescentaria à lúcida colocação de Eduardo, com quem desfrutamos o prazer da amizade e a quem admiramos de longas datas, a surpresa de que o brasileiro não é tolerante. Basta haver uma polarização ideológica, para que essa verdade venha à tona, em meio a um povo dantes imaginado cordato e solidário . Uma pena.

Atitudes e pensamentos extremistas são observados de ambos os lados. Nunca vimos com bons olhos nenhum tipo de rotulação, que só serve para generalizar, dividir e criar arestas entre raças, classes, e até contra a intimidade sexual e a tendência de comunhão afetiva entre as pessoas. Um assunto estritamente pessoal, que jamais deveria incomodar terceiros. Mas, os rótulos viraram moda. Fascista,esquerdista, ditador, machista, fundamentalista, homofóbico, são 'títulos' que viraram moda corriqueira nos lábios e discussões.

E haja incoerência. Gente que idolatra os princípios democráticos, mas defende ditadores. Gente que brada contra fascismo, esquecida de que é, historicamente, uma ideologia muito mais vinculada às ditaduras comunistas do que à democracia. 

Infelizmente, os programas mais importantes do país, como educação, saúde, insegurança pública, transportes e saneamento, vão ficando abaixo dos gritos de intolerância. Lamentável...

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 12 de outubro de 2018
Opinião

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Germano Romero - É Domingo, Hein?

Eita, ano difícil, esse 2018...Um ex-presidente é preso, um candidato a presidência é esfaqueado,temos uma campanha eleitoral conturbada e com tendências a polos extremos. Muita exacerbação de ânimos, amizades e laços familiares estremecidos, e um clima de acirramento nunca visto nas discussões políticas de outrora.

Para acidificar ainda mais o pleito, as chapas favoritas se compuseram com candidatos extremistas a vice-presidentes. De um lado, a militante de um partido comunista e, de outro, um general do Exército. Como a importância do cargo de vice-se evidenciou muito após o impeachment de Dilma, a população anda mais atenta às escolhas das chapas.

A verdade é que a disputa promete, Provavelmente, em dois turnos, exceto  se as urnas surpreenderem e desmoralizarem as tantas pesquisas já divulgadas.

O festival de acusações não tem mais tamanho. Chegaram a organizar manifestações inéditas contra candidatos.Curioso porque antigamente só se viam passeatas e carreatas a favor de alguém. O povo ia às ruas para demonstrar seu apoio,  seu entusiasmo pelo político que confiava, e não para protestar contra outro, que não era do seu agrado. Bem, são os frutos da democracia. Que assim seja.

A grande falta que faz ao povo brasileiro é, na verdade, o discernimento. E , para tê-lo, só com educação. Instruído, o povo se liberta, se conscientiza, começa a perceber as coisas com sabedoria. Mas, isso é o que os maus políticos não querem. Preferem o povo ignorante, dependente dos programas de distribuição de renda, facilmente manipuláveis.

Sem educação, o povo continuará a reeleger corruptos, candidatos de ficha suja. Continuará ludibriado e iludido movido por interesses pessoais, em benefício próprio. Um círculo vicioso sem fim. Como sem fim está parecendo esse fatídico ano de 2018.Ah ano difícil... Ainda bem que já vamos votar. É domingo, hein?

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 05 de outubro de 2018.
Opinião

terça-feira, 3 de abril de 2018

Germano Romero - A Verdadeira Páscoa



https://br.depositphotos.com


Hoje, "Sexta-feira da Paixão"dia de continuar apaixonado. Nada de tristeza. Vamos tirar Jesus da cruz, como costuma dizer o cronista Carlos Romero, cuja vida limpa e suave sempre foi um exemplo de paixão. Paixão é exacerbação do amor. E como é bom estar apaixonado pela vida, pelas coisas divinas, cultivando os sentimentos de reciprocidade, tão exaltados por Jesus!...

Que a paixão,hoje em cena, seja de júbilo e lembranças da mais sublime mensagem ensinada ao mundo. Deletemos a tristeza, a crueldade e a injustiça que marcaram os últimos momentos da passagem do Mestre pela Terra, pois, até Ele próprio perdoou seus algozes. E  o povo ainda continua "malhando" Judas...

Santifiquemos a Páscoa com impressões de solidariedade pelos semelhantes, de compreensão e de irmandade. A maioria das religiões não está conseguindo unir as pessoas. Pelo contrário, as crenças estão sendo cada vez mais sectaristas. Há "cristãos" que só tratam como "irmãos" aqueles que comungam na mesma igreja. E não foi isso - jamais- o que Jesus ensinou. Quando os discípulos já estavam prevendo a sua partida, quiseram saber como seriam identificados os verdadeiros cristãos no futuro. E Jesus não titubeou em lhes responder: "Os meus discípulos se conhecerão por muito se amarem". Simples assim.

Observemos a profundidade do que foi dito. O Mestre colocou o amor acima de qualquer virtude para aqueles que seguem o Evangelho. Alguém pode ser até ateu, sem nenhuma religião, mas se tratar o próximo como a si mesmo, cumpre o maior dos ensinamentos.

Mas vale uma vida de conduta guiada pelo bem, pela solidariedade incondicional, pelo perdão e cultivo dos sentimentos de amor do que anos de louvor hipócrita. De nada adiantam preces e jejum se não procurarmos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem. Essa é a verdadeira Páscoa!

Germano Romero.Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 30 de março de 2018.
Opinião.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Germano Romero - Perdão Às Estrelas



Será que fui peixe numa remota encarnação? Sim, porque tomando como verdadeira a assertiva atribuída ao pensador Léon Denis, de que "o Espírito dorme no mineral, sonha no vegetal, movimenta-se no animal e desperta no homem", é bem capaz de eu ter vivido no mar.



E não é porque somos loucos pelos oceanos que tais elucubrações nos emergem, mas, por sermos apaixonados pelo inverno, seus fenômenos molhados, e por tudo de bom que ele traz.Frio, umidade, orvalho, silêncio, aromas férteis e um imenso conforto na alma. Principalmente a chuva! Não há espetáculo mais belo do que ver a água que evaporou dos lagos, rios e mares, juntou-se nas nuvens, bailou pelos céus, tentando esconder o Sol,e de repente, resolve voltar  à terra para começar tudo outra vez.

E a alegria de recebê-la não é só nossa. Com a observação antenada para a poesia das sutilezas e limpando os olhos da alma, dá para ver como as plantas se regozijam com um banho de chuva.

Claro que é impossível não admirar as belezas do verão, assim como de todas as estações, mas, do inverno, que nos traz o frio, a chuva, a neve, os ventos uivantes que tudo varrem e o gostoso aconchego do sossego, somos fãs inveterados e incorrigíveis. Está no sangue, na alma, no coração, sabe-se lá onde esse amor não está. Quiçá, como disse, numa encarnação longínqua em que nadei de barbatanas.

A verdade é que esse amor pelo céu plúmbeo é tão exacerbado que, já saudosos das chuvas que encerraram o carnaval, minha cara-metade abriu a janela, uma noite dessas, e disse: deixe-me ver como está o céu". Desapontada, lamentou-se: "Está terrivelmente estrelado". Tive que rir e acrescentei: "Acho que somente uma tamanha paixão pela chuva faria alguém neste mundo dizer uma coisa dessas..."E o remorso logo lhe ecoou:"É mesmo...tão lindas que são as estrelas. Vou ali, olhá-las. Para tentar-me redimir.

Germano Romero.Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraiba
Edição de 02 de março de 2018
Opinião

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Germano Romero - Enquanto É Tempo


Uma das coisas que afligem as pessoas que morrem e deixam, aqui no plano material, familiares e entes queridos, é vê-los sofrer, de  onde estão. Seja de saudade irresignada, revolta, apego ou desilusão.

Se você perdeu a convivência de alguém que ama, recentemente ou não, o melhor bem que pode lhe fazer é pensar nessa pessoa com amor, gratidão, fé e esperança. Faça-o sentir que você acredita na imortalidade da alma, que a vida continua e que pode lhe enviar boas vibrações. Com toda certeza seu espírito se beneficiará bastante com essas energias.

Muitos médiuns evoluídos recebem mensagens aflitivas de irmãos desencarnados que sofrem desilusão ou se mantêm inconscientes, sem nem perceber que morreram. Tais sofrimentos são agravados quando sentem ou veem as dolorosas condições emocionais em que seus entes queridos permanecem, ou vivendo uma vida equivocada, leviana, sem nenhum progresso espiritual.

Essa situação foi muito bem esclarecida na parábola "Lázaro e o homem rico", proferida por Jesus para nos  ensinar sobre as condições além-túmulo. O rico, que viveu uma vida de excessos e luxúria, e Lázaro, que comia as migalhas que lhe sobravam, morreram e se encontraram na vida espiritual, em condições completamente opostas. Lázaro, num ambiente evoluído, agraciado com as bênçãos  divinas, na companhia do iluminado Abraão; e o homem rico na situação precária de um contexto desolador.

Tendo sido permitido ao rico que visualizasse tal situação, ele suplica a Abraão que o tire dali e o leve para onde Lázaro está. Mas, o profeta lhe adverte que é impossível. Daí ele pede que seja enviado um espírito para dizer à sua família que mudem de vida, antes que lhes aconteça o mesmo. Novamente, o pedido é negado, quando Abraão o lembra que eles dispõem das revelações, mas continuam indiferentes, sem pensar na verdadeira vida... Acordemos enquanto é tempo.

Germano Romero Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 20 de outubro d 2017
Opinião A6

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Germano Romero - Flores E Espinhos

Se as flores sorriem exalando poesia e esperança, sugerindo gratidão pelas bênçãos deste Universo fantástico, regido por leis perfeitas e imutáveis, por que nós também não aprendemos a sorrir para a vida, para as pessoas ao nosso redor? É tão agradável receber um cumprimento de alguém que passa, um aceno, um olhar de afeto, ouvir um suave "bom dia".

Da mesma forma que vislumbramos os encantos da existência na chuva que cai, no amanhecer radioso, na lua que cintila, na brisa que afaga, há nas pessoas o brilho do ser, da intuição amorosa e vibrações de afeto. É só cultivá-las,buscá-las em si e nos outros, desarmando-se, desabrochando-se. Isso! É preciso aprender a desabrochar.

Mas, há tantos que isso ignoram. Que preferem a rudeza, a distância, a redoma do orgulho e do individualismo.

Ao entrar na reitoria, acompanhado de papel, onde íamos resolver assuntos de cadastro, nos deparamos no lobby com uma voz bem humorada que logo nos recebeu com um "bom dia", meu bem!".Era uma funcionária da recepção. À qual respondemos no mesmo tom que brilhava lá fora, na primavera. Mais adiante, no corredor, comentei: "Como é bom receber um bom dia assim...!

Ao voltar, depois de resolvidas as burocracias, encontramos a moça que nos cumprimentara, na porta de entrada. Aproveitamos para elogiar a forma bem humorada de seu "bom dia, meu bem"!

Então ela disse: "Mas, vocês sabiam que tem gente que não gosta?"Como assim, Edna?" -  (esse era o seu nome). "Pois é, um dia desses, cumprimentei uma senhora que entrou aqui, dizendo "bom dia", querida", e ela veio a mim, bem perto, e perguntou: "Você me conhece de onde? Eu não gosto desse tipo de intimidade".

Pois é, Edna, a natureza é assim... Há rosas, orquídeas, petúnias e dálias. Mas também há os cactos e muitos espinhos. Cabe a cada um perfumar sua manhã com amor, ou manchá-la com a dor.

Germano Romeo é arquiteto e bacharel e Música.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 08 de setembro de 2017
Opinião

sábado, 2 de setembro de 2017

Germano Romero - Vem Chegando A Primavera



Vamos aprender com a Natureza? É tão fácil. Pouco mais, o Inverno cederá espaço à Primavera. E é na dança de estações que está uma das maiores lições da Criação Divina.

No Verão, fica explícito que a força vem do Sol. Poderosa energia, que ilumina nossa Terra, nossa Lua e as Estrelas. Dando cor e muito brilho a tudo que existe na crosta do planeta. Faz brotar o que é vida, imanente ou latente, presente em todos reinos do Divino Criador. Fulgurante e incandescente, no Verão o astro-rei mostra a força e o poder, quando acorda bem mais cedo e demora um pouco mais.

Depois dele, o Outono faz brotar do vegetal o que a Terra oferece de mais nobre aos seus filhos: Seus frutos reluzentes que pendem em copas mil. Todo tipo, toda forma de sabor que vem da flor. É no Outono que se entende o que seja gratidão. Que do solo faz nascer, sem impor e sem cobrar tudo o que nos faz viver. Ensinando que devemos dar de graça o que de graça recebemos ao nascer. Pois também vem do alimento, o leite bem mamado, no momento mais amado em que as trocas se oferecem da maneira mais divina.

E os frutos vão-se embora, com o anúncio do Inverno.Doce Inverno, rico em vento nuvens densas, céu escuro e muita paz. É hora de olhar para o lado cá de dentro, conversar cm os botões e com tudo à sua volta. Escutar lá no telhado ou na ponta da biqueira o ruído mais gostoso que do céu cai de mansinho. Mesmo quando vem pesada, ao som da trovoada com relâmpado e muito vento, é a chuva abençoada que regressa aos riachos, oceanos e lagoas de onde veio no vapor que um dia foi para céu.

Mas a hora é de poesia, pois chegou a Primavera. É com ela que a mensagem do que há de mais divino se enxerga na beleza que floresce pelos campos. Numa riqueza infinita de matizes e bordados são as flores que nos fazem crer em Deus sem duvidar.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 25 de agosto de 2017
Opinião

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Germano Romero - O Caminho do Bem

Em tempos de tanta propaganda religiosa, proliferação de crenças e igrejas, padres e pastores cantando em festas e trios elétricos, louvores e clamores misturados com política, novenas e procissões, somos sempre levados a pensar sobre o sentido da oração e como dela nos falou Jesus. Ao lhe pedirem:"Mestre, ensina-nos a orar", ele respondeu com o "Pai Nosso".

Pai Nosso, Criação de tudo e de todos, Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas! Que qualquer menção ao teu nome seja acompanhada da reverência íntima de respeito, amor e gratidão! Venham a nós todos os reinos da existência, desde os bilhões de galáxias ao infinito mundo microscópico.Sejamos conscientes da grandeza dos tesouros que nos rodeiam, do mundo vegetal ao animal, mineral e espiritual.

Procuremos nos conscientizar de que, sendo  parte integrante dos mecanismos regidos pelas leis, sob a Ordem do Universo, somos todos vulneráveis aos fenômenos pertinentes à geologia do planeta e às condições da natureza humana. Inspirados, portanto, a aceitar os fatos com a serenidade e a compreensão de que tudo acontece como tem de acontecer.

Que o pão e os alimentos que nos dão vida, que brotam  da terra fértil e benevolente, sejam tidos como um bem de todos. E que possamos distribuí-los, sempre que possível, a todos os seres, indistintamente.

Que nossas ofensas sejam perdoadas exatamente na mesma medida em que soubermos perdoar, pois é dando que se recebe, é plantando que se colhe. A lei é dura e não falha. A justiça tarda, mas não falta. A cada ação corresponde uma reação;

Ergamos o pensamento e sempre na direção no bem, da gratidão, da compreensão e da tolerância com os nossos semelhantes . Isto é amar o próximo.Somente assim, estaremos prontos e vigilantes para não cairmos em tentação, pois a vida e o dia-a-dia são uma sucessão de escolhas. Cabe a nós o caminho do bem.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 21 de julho de 2017
Opinião 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Germano Romero - Aos Que Passaram Dos 50

E dos 60, 70,90, quanto mais melhor!
Nessa idade, já está mais do que na hora de aprender a ser seletivo, de entender que já vivemos muito mais tempos do que o que nos resta.

Alguns sábios confessaram  quanto se arrependeram das energias gastas e emoções vividas com o que não compensa, nem traz felicidade. E muito já se disse acerca dos martírios em consequência do remorso e do arrependimento.

Na maioria das vezes é uma questão de escolha. Da mesma maneira que a humanidade sofre os efeitos de sua imprudência, da forma injusta como se organizou socialmente, de seus preconceitos, da fala de amor e da forma insensata de um progresso devastador, nós também somos auto penalizados, individualmente, pela maneira como pensamos, agimos e criamos o nosso ambiente astral.

Essa verdade se reveste de mais importância e significado quando, ao passar dos 50 , constata-se que temos muito menos tempo para viver do que os anos que já vivemos.

E a melhor maneira de ser feliz durante o tempo que nos sobra é nos livrando dos desprazeres.Para que estar assistindo a filmes agressivos, lendo notícias ruim, se revoltando com política, com um terremoto, ou com um atentado, se tudo é resultado da lei de causa e efeito, sob a divina Ordem do Universo?

Podemos até tomar conhecimento dos fatos, pois, plugados como estamos, é impossível não se inteirar do que acontece, seja na Terra ou em Júpiter, mas, sem perder a serenidade.

Tenho-me esforçado para impedir qualquer combustão interna que me perturbe a paz de espírito. Viro as páginas desagradáveis, troco os canais que destilam ódio, prefiro os filmes que enternecem aos de violência, tento esquecer magoas e ofensas.

Façamos a nossa parte, como a andorinha que levava a gota d'água para apagar o incêndio. Nenhuma felicidade é maior do que a consciência em paz, principalmente, depois dos 50.

Germano Romero, Arquiteto e bacharel de Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 28 de abril de 2017
Opinião 

terça-feira, 28 de março de 2017

Germano Romero - Prisioneira Da Janela


Andei passando pelo bairro Cruz das Armas, cuja razão de seu nome desconheço. Mas, sei que é um dos bairros mais importantes da cidade. Populoso e adensado, antigamente era completo. Tinha tudo. O cinema Glória, o Clube Internacional, o Estado da Graça, o Mercado Público, bom comércio e serviços são apenas algumas das características que o tornavam uma comunidade, a bem dizer, autônoma. Além de um bucolismo aconchegante, sobretudo lá pelas décadas de 50 e 60, tempo em que galos " teciam as manhãs", e pouco mais, os passarinhos.Tempo em que, um dia, se dava um bom dia.Tempo de janela aberta,em que as tardes convidavam a postar-se nas calçadas, sem pressa e sem medo.

Hoje mudou tudo. O trânsito é intenso, o barulho é urbano, já reflete a agonia de um tempo que é moderno. Muitas casas reformadas e famílias que partiram.

Naquela manhã, entrando em João Pessoa, tive que passar por lá.Cedo, com o Sol ainda morno, e o rebuliço urbano que já rugia voraz. O trânsito emperrado, parando nos sinais e, numa dessas paradas, observei uma casa que guardava em seu jardim, e na fachada original traços do romantismo de outrora. Mesmo com as janelas, agora, gradeadas, a casa era muito simpática e me transportou, ainda que por alguns segundos, aos tempos de paz e poesia.

Olhei para o terraço e vi na portinhola engradada o rosto de uma senhora, avançada na idade, contemplando o que passava e quiçá a própria vida.

Os cabelos quase brancos e os olhos fixados num tempo bem distante. Fiquei imaginando que lembranças desfilavam dentro daquele olhar. Tão sereno, tão distante, tão opaco. 

Certamente em muita história ela havia de pensar. Ao ver aquela rua com zoada e tanto carro. Tudo se tornara estranho, sem bom dia, sem boa tarde, nem cadeira na calçada. Só o medo e o progresso que agora lhe prendiam por detrás da janelinha.

Germano Romero, arquiteto e bacharel em Música.

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 24 de março de 2017
Opinião

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Germano Romero - Por que o Espiritismo?



um conto-uma crônica

Por que gosto do Espiritismo? Porque todos os cultos, reuniões, palestras e demais eventos promovidos por esta doutrina são realizados em nome de Jesus, o maior Mestre que já passou pela Terra. Se Ele deixou dito numa clara lição ecumênica, que estaria presente quando duas ou mais pessoas se reunissem em seu nome, decerto suas vibrações de energia se conectam a todas as atividades em torno de sua mensagem.

Por que confio no Espiritismo? Porque nele tudo é espontâneo, nada é obrigatório, ninguém cobra, não se discrimina, nada se exige e o trabalho de todos os seus colaboradores são absolutamente espontâneos, sem benefício pessoal de espécie alguma. Porque não há dogmas, rituais, luxo, ostentação, tudo é simples e verdadeiro. Porque as mulheres têm papel igualmente fundamental nas pregações e atividades educacionais, sempre baseadas em estudos do Evangelho e atualizações científicas.

Por que acredito no Espiritismo? Porque nele se prega a vida espiritual, que segue além da morte do corpo físico, que continua consciente e vivendo em outras frequências vibratórias, como tantas vezes foi evidenciado por Jesus, ao se referir às muitas moradas da casa do Pai. Tanto quando Ele conversou com os espíritos de Elias e Moisés, na presença de Pedro, Tiago e João, dando o maior testemunho do fenômeno mediúnico, mostrando que é possível a comunicação entre encarnados e desencarnados.

Por que aceito o Espiritismo? Porque ele prega a reencarnação, reciclagem óbvia e natural entre toda a vida orgânica do planeta. Também evidenciada pelo Cristo que, quando indagado pela volta de Elias, disse:"Ele já veio e não o reconheceram", referindo-se a encarnação de João Batista.

Por fim, como não confiar em uma doutrina que tem como lema principal o ensinamento mais ecumênico de todos: "Fora da Caridade não há salvação"?

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 16 de setembro de 2016
Opinião 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Germano Romero - Um Canto De Gratidão


um conto-uma crônica

Os coqueiros são nostálgicos, dançam ao vento como se dessem adeus à vida que passa, ao crepúsculo que chega, às bênçãos da lua. O meu primo, Saulo Romero, arquiteto sensível, disse-me, certa vez , que é a árvore mais bonita do mundo. Talvez porque a infância abençoada pela paz do coqueiral da Ribeira, onde o deleite em família era pleno de harmonia, nutriu-lhe esta preferência.

E parece que é a beira-mar que a presença dos conqueiros se dá em total simbiose com a natureza, bordando enseadas, enfileirados nos declives das falésias, como que descendo para um banho de mar.

O vigor de sua reprodução é tão intenso que os filhotes brotam dos cocos caídos pelo chão, sem que se plantem ou aguem. Dá pena vê-los jogados nos lixos, terrenos baldios, quando furam a casca dura e sorriem ao Sol, querendo viver.

Vez por outra, colhemos alguns, antes que toquem fogo no lixo que não coletam, e os plantamos pelas trilhas que percorremos de bicicleta. Houve um, bem pequeno, que enterramos à beira de um maceió. Ao avistá-lo, depois de uns dias, a verdura de suas palmas nos inspirou à gratidão pela vida.  

Entretanto, da vez seguinte, vimos que o arrancaram e deixaram-no ao léu. Decerto, por gente que não gosta da vida, quiçá nem de sua própria existência...

Replantamos a mudinha, que ainda vivia, mas, preocupados com seu estado, veio-nos a ideia de regá-la, pois água doce era o que não faltava, bem perto, no maceió.

Assim que lhe derramamos algumas cuias d'água, surgiu, subitamente por trás dos coqueiros adultos, uma revoada de jandaias gritando com eufórico entusiasmo, passando por cima de nossos olhos ensimesmados.Na mesma hora, algo me cochichou à consciência dizendo que aquela alegria toda era um canto de gratidão pelo coqueirinho replantado. E, no íntimo, concordei. É verdade, "a natureza agradece".

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 26 de agosto de 2016
Opinião

Germano Romero - Enfim, A Felicidade


um conto-uma crônica

Não há estado de espírito ou meta da natureza humana mais almejada do que a felicidade. No entanto, é tão desejada quanto diversificado é o seu significado.

Muitos julgam impossível, outros um estado transitório. Poucos acreditam em uma felicidade plena e permanente.

E quantas estratégias há para conquistá-la!... Através da riqueza material, da beleza física, da fama, do poder, sem lembrar de que são virtudes essencialmente transitórias. Nem de que alguém pode chegar a ser muito rico de dinheiro, mas muito pobre de espírito. Outros podem ser lindos de feições, mas de uma imensa feiura interior. Já o poder e fama são tão efêmeros como a juventude e a própria vida terrena.

A grande verdade é que alguém pode ser rico, mas infeliz, poderoso, mas desgraçado, famoso e mal-amado, bonito e carente. E mais, alguém pode ter tudo isso além de muita saúde, e, ainda assim, ser desgraçadamente infeliz.

Por outro lado, uma pessoa que nada possui, que mora num casebre, que é desprovido de atrativos físicos, não tem saúde, fama, nem poder algum, pode ser muito feliz. Acredite se quiser.

Alguns estudiosos do comportamento humano consideram a consciência culpada, o remorso e o doloroso arrependimento como estados incompatíveis com a felicidade. Outros sugerem a inveja como um dos maiores entraves ao bem-estar interior.

Penso que para começar a ser feliz, a primeira coisa é aniquilar o ego. Quanto mais adquirimos consciência de nossa própria insignificância diante da imensidão cósmica em que estamos inseridos, mais felicidade conquistaremos. Entendendo que o tempo e o espaço são infinitos, e que apesar de sermos um grãozinho de poeira ao vento, somos parte integrante desta maravilhosa Criação Divina. Aí, sim, começaremos a ter o Reino dos Céus dentro de nós, como ensinou Jesus.

Encontrando, enfim, a felicidade.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 12 de agosto de 2016
Opinião

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Germano Romero - O "Golpe" Foi Do Povo


um conto-uma crônica

Uma lição que andava muito esquecida dos que gostam de política, emergiu com força total neste processo de impechmente.A de que numa democracia como a nossa, quem manda, de verdade, é o Poder Legislativo.

Tal ensinamento ora emerge com tanta veemência que nos obriga a refletir sobre o tipo de parlamentar que o povo está escolhendo. Se o legislativo é quem decide os destinos do país - e isso ficou mais claro do que nunca - por que estamos elegendo e reelegendo políticos descomprometidos com a honestidade?

Ora, o Congresso Nacional, que um de seus membros recentemente acusou de 'sem moral', é quem define os gastos públicos, autoriza orçamentos, cria e vota as leis que normatizam a vida da população, e ainda tem o poder de retirar os ocupantes dos caros que o povo escolheu por maioria absoluta. 

Mas, não se pode esquecer que o Congresso também foi escolhido pela maioria do povo, que lhe deu esse poder., porque a Constituição Federal assim determina. Então, seu poder é legítimo porquanto outorgado pela população.

No caso de impechment, o afastamento só se concretiza se houver atos lesivos ao patrimônio público, chamamos crimes de responsabilidade fiscal.Mas, quem decide o que é crime fiscal? O Congresso. Mais grave: Quem julga se é crime, ou não? O Congresso. Mesmo sem conhecimento técnico, econômico, financeiro, jurídico, contábil, apenas por razões políticas, a Constituição Federal dá aos parlamentares o poder de se tornarem juízes do mandatário da nação.

Muitos questionaram o processo de impechment dizendo que foi ilegítimo retirar do cargo alguém que foi eleito democraticamente pelo povo. Esquecidos de que este mesmo povo também escolheu seus representantes, com total poder para afastar prefeitos, governadores e presidentes, idem pelo voto. Ou seja, se houve 'golpe', foi patrocinado pelo povo.

Germano Romero
Arquiteto e bacharel em Música

Publicada no jornal Correio da Paraíba
Edição de 02 de setembro de 2016
Opinião

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Germano Romero - As Flores Da Manhã

um conto - uma crônica
 
Nas margens do caminho, elas iam se mostrando. Quanto mas a gente andava, aumentava o seu bando. Variavam-se em mil cores, com a alegria da manhã. Ao vento se jogavam, mas a tempo se retinham. A lição que nos passavam, em acenos de beleza, insistia em nos lembrar como é bela a Natureza.

Tão simples e tão puras, sem ninguém pra lhes cuidar. Só a vez por outra, ao cair lhes doa vida. Mesma vida que tiveram quando ali, assim ao céu, sem sementes floresceram.

Pedalamos adiante, para vê-las em buquês, que surgiam aos montes, quase sem acreditar. Como pode um campo desses ter nascido assim do nada? Como pode ser intacto a um mundo tão cruel? Mas será que alguém as vê?Creio não, pois hoje em dia ninguém olha para uma flor.

E aquelas surpreendem, pois à margem do caminho continuam a viver com as cores que também vemos no alvorecer. Ó meu Deus, como é bom aqui saber, que fizeste esse mundo tão bonito de se ver. Bem que Teu amado filho insistiu em nos dizer: nem o grande Salomão, com o luxo que vestiu, chegou perto da beleza dessas flores que ora miro.

Mais parecem borboletas, asas dadas pelo vento, vão pra lá e vêm pra cá, nem se importam com a gente. Nem de longe pensaria, uma delas arrancar, como fazem os egoístas, que pra si tudo ajuntam. Chegam até a prender flores, inclusive as que cantam e conseguem idem voar. E até que chega o dia que alguém que nunca viu o sorriso de uma flor, muito menos do amor, é capaz de as tirar deste céu azul do mar, e jogá-las num cubículo engradado e sem lugar. É dos pássaros que vos falo. Outras flores que encantam, pois além de colorir foram feitas pra voar.

É, amigos, na manhã deste passeio, vi afagos da beleza, que desejo na lembrança eles possam se manter. Pra que nunca eu esqueça, que de amor Deus fez o mundo, pois é só querer olhar e pra sempre se lembrar que amanhã é mais um dia em que o sol irá brilhar. Mas é ora  de voltar pro aconchego do meu lar, de onde dá pra ouvir o mar e destas flores me lembrar.

Agora já é noite, e tem lua acolá prateando o horizonte. Vou ali pra espiar, cujo brilho a esta hora deve estar iluminando os caminhos da manhã, que fincados na lembrança para sempre restarão.

Ainda bem que pude ver num passeio sem motivo, mil motivos pra me dar cem razões de se encantar. Vou dormir com essa ideia, com a qual possa sonhar, que me leve lá de volta, ver as flores da manhã...

Germano Romero é bacharel em música.

Publicado no jornal Correio da Paraía
Caderno Opinião
07/09/2012.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Germano Romero - A Jovem Doutrina



 Allan Kardec

um conto - uma crônica 
Costuma-se dizer que religião não se discute, mas que seria da filosofia se não fossem as perguntas, o diálogo. Sem dúvida, nesta época áurea da comunicação mundial, as ideias e o pensamento humano só têm a enriquecer sujeitando-se ao debate. E diante da grande proliferação de novas crenças e igrejas que se ramificam em segmentos empresariais, e até políticos, com direito a "bancada" no Congresso, não há como deixar de abordá-las.


Não é exatamente em uma discussão que hoje colocaremos o Espiritismo, que há poucos dias completou 155 anos. Apenas 155 anos. Isso mesmo, convivendo com religiões tradicionais que remontam a milênios de existência, como o Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, e outras.


Na metade do século 19, em Paris, os fenômenos conhecidos como "mesas girantes" chamaram a atenção de educadores e cientistas. Dentre eles, um discípulo do pedagogo suíço Johann Pestalozzi, chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec),  foi incentivado a pesquisar tais fatos,  embora descrente de tudo. Mas, qual não foi a sua surpresa ao constatar que as tais "mesas" eram influenciadas fisicamente por forças ocultas inteligentes (!), e respondiam a perguntas da plateia.


Abraçando a causa, Allan Kardec entregou-se de corpo e alma a um trabalho de pesquisa fundamentado em uma série de reuniões em que 3 jovens médiuns, Caroline e Julie  Boudin (irmãs) e Celine Japhet, intermediavam as perguntas e respostas formuladas aos espíritos, "visivelmente" presentes.



Deste ciclo resultou a compilação  de 1018 questões em um livro intitulado "O Livro dos Espíritos",depois complementado por mais 4 volumes - "A Gênese", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "O Céu e o Inferno" , e "O Livro dos Médiuns", chamadas as obras básicas do Espiritismo.






Tais conhecimentos me fascinaram desde criança por não se restringirem a uma crença dogmática e ter um tríplice perfil - "Ciência", pois nasceu do fenômeno; "religião", ao tomar os ensinamentos de Jesus como lema de conduta; e "filosofia", por se basear em questões fundamentais para compreensão da vida.



Entretanto, o que mais me atrai nessa religião, tão nova, é o seu ecumênico e principal slogan - "Fora da caridade não há salvação". Além da lúcida recomendação do próprio Kardec, acerca do futuro de seu trabalho "Quando o Espiritismo se confrontar com a Ciência, fiquem com a Ciência".

Germano Romero
 Arquiteto e bacharel em Música.
Publicado no jornal Correio da ParaíbaEdição de 04/05/2012
 Coluna Opinião.

Livros de Allan Kardec - As Obras Básicas do Espiritismo.www.lake.com.br/livros

Foto de  universoespirita.multiply.com/photos/album/7/Allan_Kardec




sexta-feira, 13 de abril de 2012

Germano Romero - O Pai Nosso


 um conto - uma crônica
Cada vez que pensamos, refletimos, ou meditamos inspirados na prece "Pai Nosso", ditada por Jesus como ensinamento acerca de "como deveríamos orar", aumenta-nos a admiração pela grandeza da mensagem nela contida.



É bom lembrar que esta "receita" para a prece, do maior mestre de todos os tempos, se refere a um modelo exemplar de palavras, expressões e sentimentos capazes de nos aproximar de Deus, da Criação e de sua Inteligência  Suprema, causa primária de todas as coisas. Pai Nosso! - "Universo pai", infinito e belo, em que nos inserimos como deuses de um mesmo Deus! Que estais no céu, no cosmo, e em todos os lugares criados por Vós. Santificado, reverenciado, respeitado e eivado de fé, seja qualquer pensamento ou menção ao Vosso nome.



Venham a nós o Vosso Reino, e a imagem de tudo o que criaste no mundo vegetal, animal, mineral e no espaço sideral. Imagem que nos promova sempre a lembrança de Vossa perfeição e grandeza infinitas.



Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu, em qualquer parte deste e de outros mundos, perante a qual tenhamos a sabedoria da resignação e da compreensão de nossa insignificância diante dos destinos da vida que nos foi dada, e que não podemos mudar.



Que o pão nosso de cada dia nos alimente o corpo, e a nossa consciência sobre a importância da Natureza, do meio ambiente, a que devemos respeitar, cuidar e preservar.



Perdoai as nossas dívidas, na exata medida com que soubermos perdoar a quem nos tem ofendido, pois, para isso, é necessário que façamos aos outros só aquilo que gostaríamos que nos fizessem. E que estejamos vigilantes para não cairmos nas armadilhas das ilusões, que nos levam a desacertos e inconsequências provocados pelas tentações mundanas.



Somente assim contornaremos o mal com o sábio discernimento que nos fará entender que os fatos que nos parecem maus são sempre mal interpretados. Com a sabedoria para enxergar que tudo é consequência do cumprimento da Lei Maior, do carma coletivo, a própria natureza humana e do estágio evolutivo de seres que surgiram na Terra há tão poucos milênios... e que ainda têm muito o que aprender colhendo o que semeiam.



Foi da inexorabilidade desta colheita, sob a Lei de Causa e Efeito, que Jesus tanto nos falou. E assim seja.
Germano RomeroArquiteto.
Publicado no jornal Correio da ParaíbaEdição de 30/03/2012Coluna Opinião.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Germano Romero - O Eterno Jesus





um conto - uma crônica

Há pesquisas que indicam como incerta a data em que Jesus nasceu. Por isso há gente que queira desmerecer as homenagens do dia 25, amanhã, quando o mundo ocidental comemora o Natal.

Mas não importa se foi, ou não, em dezembro ou junho que renasceu na Terra aquele que, apenas com sua mensagem de amor e exemplo de vida, foi capaz de dividir a história da humanidade em antes e depois de si. Aquele que influenciou e deixou sua marca nos mais ocultos e longínquos recônditos da superficie terrestre, tanto na romântica cumeeira da igreja de Santa Maria de Bergen, na Noruega, como na torre da capela de São Francisco de Assis, em Riacho dos Cavalos, na Paraíba.

E assim como criaram o Dia dos Pais, das mães, do professor, do médico, do arquitto, por que não escolher um para lembrar dele com mais ênfase? Ele, que foi o maior dentre os que já encarnaram neste planeta?

Entretanto, o Natal, assim como todo o Cristianismo, tem evoluído ao longo dos anos, para práticas cada vez mais distante de seu patrono, o meigo Jesus de Nazaré. Esqueceram justamente daquilo que mais essencial e verdadeiro há nos seus ensinamentos evangélicos.

Esqueceram da simplicidade e da humildade ressaltada como a virtude dos que merecem o Reino dos Céus. E assim, erigiram e continuam erigindo templos ricos e suntuosos pelo mundo afora, para atrair os que são fáceis de se enganar. Esqueceram de que o Mestre advertiu para não acumularmos riquezas materiais, que são incompatíveis com os tesouros celestiais. E hoje o que se vê é igreja virando empresa, cada vez mais rica.

Esqueceram de que Jesus recomendou para que, quando quiséssemos orar, nos recolhêssemos à intimidade entre 4 paredes, e o fizéssemos em absoluto silêncio. Ele foi quem mais criticou a maneira que os fariseus oravam, em voz alta e em público. E hoje o que se vê são templos que mais parecem casa de show, e procissões e "caminhadas" que usam até trio elétrico.

Também esqueceram da maior lição que há no Evangelho, acerca do amor, do respeito e da compreensão solidária, que não admite nenhum tipo de discriminação e preconceito. Lição evidenciada no tratamento que o Mestre dispensou à mulher adúltera e na sua amizade à Maria Madalena,mulher discriminada pela sociedade de então, mas que terminou sendo a escolhida por Jesus como a primeira a quem ele apareceu após ressuscitar. Mas hoje vemos crenças religiosas pregando a homofobia e ainda discriminando as mulheres...

E, no Natal, há muitos que esquecem não só da mensagem do Evangelho, mas, principalmente, do seu magnífico autor, aniversariante do dia, símbolo do amor incondicional, o Eterno Jesus!

Germano Romero
Arquiteto.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 23.12.2011.
Coluna Opinião.
Imagem recebida por e-mail de Brígida Brito