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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tem canto que não é só venda,


Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

é pedaço da vida da gente…
essa bodega aí mesmo
guarda história que nem se sente.

Tem o ovo na bandeja,
o doce no vidro guardado,
o caderno do fiado antigo
com nome de todo agregado.

O telefone tocando lento,
a prosa correndo ligeira,
e a dona ali no balcão
sabendo da vida inteira.

Quem já entrou num lugar assim
sabe bem o que eu tô dizendo…
não era só comprar mantimento,
era um mundo acontecendo.

Agora me diga aqui, meu povo:
quem já viveu uma cena dessa na infância?

quem já foi em bodega assim, no interior? 

Conta aí… que memória boa
não foi feita pra ficar calada não.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

Tem gente que mora em mansão




Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

Tem gente que mora em mansão
e vive sem paz no coração…
já nesse pedacinho de barro
mora um amor que vale um mundão.

Na cadeira da calçada
eles venceram a vida juntos,
sem luxo, sem riqueza,
mas com respeito e muitos assuntos.

Foi nessa casa simples
que criaram seus filhos com dignidade,
enfrentando seca, luta e dificuldade,
mas nunca perderam a humildade.

O povo da cidade grande
talvez nem entenda direito,
mas felicidade de verdade
não se compra com dinheiro no peito.

Enquanto muitos reclamam da vida,
eles agradecem todo dia ao Criador…
porque no sertão nordestino
até a simplicidade floresce em amor.


domingo, 5 de julho de 2026

**Na feira, o milho conta história,**



Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

**Na feira, o milho conta história,**
de quem planta com fé e colhe com dedicação.Cada espiga é fruto do trabalho,
regado com esperança e oração.

Entre a conversa e o movimento,
a feira ganha vida desde cedo.

O produtor chega com orgulho,
sabendo que seu esforço tem valor.

Do roçado direto para a banca,
o sabor da terra chega à cidade.

É o sertão mostrando sua força,
com simplicidade e muita dignidade.

**Valorizar quem produz é fortalecer o nosso sertão. **

**E aí, você prefere milho cozido, assado ou uma boa pamonha?**

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Na beira do rio manso



Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

Na beira do rio manso
onde a vida corre devagar,
tem uma casa amarela
que aprende todo dia a lutar.

De frente pro mundo simples,
com a porta sempre aberta,
vive gente que não tem luxo,
mas tem a alma certa.

No terreiro, a galinha cisca,
no varal a roupa balança,
e na horta ali na frente
brota fé junto com esperança.

A mulher na porta parada
segura o pano na mão,
olhando o tempo passar
com paz dentro do coração.

Cada detalhe ali vivido
não foi comprado, foi suado,
é história feita na luta
de quem nunca foi derrotado.

E assim segue o sertão,
forte, bonito e verdadeiro,
onde o pouco vira riqueza
na mão do povo guerreiro

terça-feira, 14 de abril de 2026

Ele jogou as malas dela na chuva…



Chico - Cartas de Paz e Consolação

Ele jogou as malas dela na chuva… mas o que aconteceu 6 meses depois fez todo mundo que riu naquela noite engolir o próprio orgulho.

A chuva caía forte, pesada, daquelas que não dão trégua. E foi no meio daquele barulho que Clara ouviu o som mais frio da vida dela: a porta sendo fechada na sua cara depois de 18 anos de casamento.

As malas vieram logo em seguida. Uma… duas… jogadas sem cuidado, como se ali dentro não tivesse uma vida inteira.

— Acabou, Clara. — a voz de Renato veio seca, sem emoção. — Essa casa agora é minha.

Ela ficou parada por alguns segundos, tentando entender se aquilo era real. A água escorria pelo rosto, misturando chuva com lágrimas. O vestido grudava no corpo. As mãos tremiam.

Atrás dele, Vanessa cruzava os braços com um sorriso leve… quase entediado.

— Tem mulher que não percebe quando já venceu o prazo.

Algumas janelas ao redor já estavam acesas. Cortinas discretamente afastadas. Gente assistindo. Gente julgando. Gente em silêncio.ando.

Mas o que ninguém ali sabia… é que aquela não era só a pior noite da vida dela.

Era o começo.

Ela caminhou sem rumo por quase vinte minutos. Os pés doíam, o corpo pesava, mas o pior era o vazio. Não era só o fim de um casamento. Era a sensação de ter sido descartada depois de ter dado tudo.

Tudo.

Ela lembrava das noites em claro quando Renato quebrou. Das contas que ela segurou sozinha. Das joias que vendeu em silêncio. Das vezes que engoliu o cansaço pra manter a casa de pé.

E agora… aquilo.

Quando parou na frente de uma padaria ainda aberta, não foi por esperança.
Foi por exaustão.

Entrou tremendo. Molhada. Sem dignidade nenhuma aos olhos de quem visse de fora.

— Minha filha… senta aqui — disse o dono, um senhor de voz calma. — Você vai pegar um resfriado desse jeito.

Ela tentou recusar. Não conseguiu.

O café veio quente. A toalha veio seca. E, pela primeira vez naquela noite… alguém olhou pra ela como gente.
— O que aconteceu?

Ela não contou tudo. Mas contou o suficiente.
E foi aí que algo inesperado aconteceu.

— Espera… você é a Clara que fazia bolos no Jardim Esperança?
Ela levantou o olhar, surpresa.
— Sou…

O homem sorriu.

— Minha filha nunca esqueceu um bolo seu. Disse que foi o melhor aniversário da vida dela.

Fazia anos que ninguém lembrava de algo bom sobre ela.

Antes de ir embora, ele disse:

— Tenho uma cozinha parada no fundo. Se você quiser… começa amanhã.

Ela quase disse não.
Quase.

Mas alguma coisa dentro dela… cansou de perder.

No dia seguinte, ela voltou.
E no outro também.
E no outro.

No começo, eram poucos pedidos. Pequenos. Simples.
Mas tinha algo diferente.

Clara não fazia só bolo.
Ela colocava ali tudo o que tinha sido engolido por anos: o silêncio, a dor, a força, o recomeço.
E as pessoas sentiam.

Três meses depois… já não era mais “um favor”.
Era fila.

Seis meses depois… o nome dela estava em embalagens, redes sociais, encomendas fechadas para semanas.

E numa tarde comum…
um carro conhecido parou em frente à padaria.
Renato desceu.
Sozinho.
Sem o brilho de antes.
Sem a confiança de antes.
Entrou devagar, olhando ao redor… até ver o nome no balcão:

“Clara Doces”
Ela estava ali. De pé. Segura. Inteira.

Ele se aproximou.
— Clara… a gente precisa conversar.

Mas não havia mais tremor. Nem pressa. Nem dor.

— Sobre o quê?
Ele hesitou.
— Eu… cometi um erro.
Silêncio.
— Aquela casa… não deu certo. As coisas… mudaram.

Clara respirou fundo.
Por um segundo… lembrou da chuva.
Da porta.
Das malas.
Das risadas.

E então respondeu, com uma calma que não existia antes:
— Mudaram mesmo.
Ele tentou sorrir.
— A gente pode tentar de novo…

Ela negou com a cabeça.
Sem raiva. Sem vingança.
Só verdade.

— Eu precisei perder tudo pra me encontrar. E você… foi parte disso.
Ele não disse mais nada.
Porque, pela primeira vez…
não havia mais nada que ele pudesse oferecer.

Quando ele saiu, algumas pessoas no salão cochichavam. Outras observavam em silêncio

Mas Clara não olhou pra nenhuma delas.
Voltou pro balcão.
Porque agora ela sabia.
Naquela noite, ele fechou a porta pra ela…

Mas foi ali que a vida dela finalmente abriu.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Don Jorge tinha 79 anos quando se aposentou.



Chico Cartas de paz e consolação

Don Jorge tinha 79 anos quando se aposentou.

Não comprou taco de golfe. Não comprou rede pra descansar.

Pegou um pedaço de papelão. Escreveu à mão. E pendurou na janela da garagem:

"Algo quebrado? Traga aqui. Arranjo grátis. Só peço chá e uma boa conversa."

Os vizinhos do tranquilo bairro de Maple Grove acharam que ele estava louco.

"De graça? Ninguém trabalha de graça", murmurava o barbeiro da esquina.

"Ele deve estar entediado", dizia a dona da padaria.

"Coitado. Perdeu a cabeça", comentavam as senhoras no mercado.

Mas Don Jorge tinha suas razões
.
Sua esposa, Ruth, tinha partido um ano antes.

Durante 50 anos de casamento, ela costurou casacos rasgados, consertou molduras velhas, remendou

meias furadas — tudo de graça, pra quem pedisse.

Ela sempre dizia:

"O desperdício é um vício, mas a bondade é remédio."

Agora, sozinho naquela casa vazia, Don Jorge sentia que suas mãos precisavam consertar algo.

Mesmo que fosse só um pedacinho do mundo que tinha ficado quebrado sem ela.

A primeira a chegar foi Mia.

Uma menina de 8 anos. Segurando um carrinho de plástico com uma roda caída.

"Meu pai diz que não podemos comprar outro", disse baixinho, envergonhada.

Don Jorge sorriu. Pegou a caixa de ferramentas.

Uma hora depois, o carrinho rolava de novo.

A roda? Uma tampa de refrigerante. Presa com fita prateada.

"Agora tem seu toque especial", piscou pra ela.

Mia saiu correndo, feliz.

Mas a mãe dela ficou na porta. Hesitante.

"Senhor... o senhor também sabe ajudar com currículo? Eu perdi o emprego quando a fábrica fechou.

Não sei nem como começar."

Don Jorge não sabia fazer currículo.

Mas conhecia alguém que sabia.

No dia seguinte, apareceu uma professora aposentada.

"Ouvi dizer que tem gente precisando de ajuda com currículos. Posso ajudar?"

E então veio uma viúva. Com um relógio quebrado.

"Era do meu marido. Ele dava corda todo domingo. Desde que ele morreu, parou de funcionar."

Don Jorge consertou o relógio.

E ela ficou pra conversar. Sobre perda. Sobre saudade. Sobre Ruth.

E assim, aos poucos, a garagem virou um formigueiro.

Um adolescente trouxe a mochila rasgada.

Uma costureira apareceu pra remendar.

Um pai solteiro trouxe a bicicleta do filho.

Um mecânico aposentado se ofereceu pra ajudar.

E todo mundo tomava chá. E conversava.

Sobre a vida. Sobre as dificuldades. Sobre esperança.

Até que um dia, apareceu um inspetor da prefeitura.

"Isso é um negócio ilegal. Você está violando as regras municipais."

Don Jorge olhou pra ele. Calmo.

"Não é um negócio. É uma garagem. E estou consertando coisas de graça."

"Mesmo assim. Precisa de licença. Precisa de autorização."

O inspetor levou o caso pro prefeito.

E o prefeito, meio irritado mas curioso, foi até lá.

Viu a fila de pessoas. Viu as ferramentas espalhadas. Viu os sorrisos.

E disse:

"Se você quer tanto continuar consertando, faça direito. Vou emprestar o antigo quartel dos bombeiros.

Sem promessas."

E foi assim que a estação abandonada se transformou numa oficina comunitária.

Voluntários limparam. Pintaram tudo de amarelo-sol.

E penduraram uma placa:

"Casa Ruth."

Lá dentro, Don Jorge ensinava encanamento básico.

Adolescentes aprendiam a costurar meias.

Um padeiro trocava cupcakes por microondas reparados.

Uma viúva consertava um candeeiro ao lado de um pai solteiro remendando o pneu de uma bicicleta.

E todos conversavam.

Sobre perdas. Sobre recomeços. Sobre Ruth.

Em poucos meses, algo incrível aconteceu:

O lixo da cidade caiu um terço.

As pessoas pararam de jogar fora o que poderia ser consertado.

Mas a verdadeira magia não estava nos objetos.

Estava nas conversas.

Nas conexões.

Na semana passada, Don Jorge encontrou um bilhete na caixa de correio.

Era de Mia. Agora com 16 anos. Estudante de robótica.

"Sr. Jorge,

O senhor me ensinou a valorizar o que está quebrado.

Estou construindo uma mão prostética com energia solar.

P.S. Seu carrinho ainda rola. Nunca vou jogar fora."

Don Jorge leu. Releu.

E chorou.

Porque finalmente entendeu o que Ruth sempre dizia:

"Consertar coisas não é sobre objetos. É sobre pessoas."

Hoje, existem "Centros de Reparação" em 12 cidades do estado.

Nenhum cobra.

Todos servem chá ou café.

E sempre tem alguém disposto a ouvir.

Porque Don Jorge não consertou só carrinhos e relógios.

Ele consertou solidão. Desespero. Isolamento.

Ele criou uma comunidade onde antes havia só vizinhos distantes.

E tudo começou com um pedaço de papelão e uma promessa simples:

"Traga aqui. Arranjo grátis. Só peço chá e uma boa conversa."

Don Jorge tem 81 anos agora.

Ainda conserta coisas todo dia.

Mas o que ele mais conserta?

Esperança.

Como uma pessoa, uma chave de fenda e um coração bondoso podem começar a consertar o mundo

inteiro.

Essa é a história de Don Jorge. 79 anos. Viúvo. Que transformou uma garagem em revolução.

Todo mundo naquele restaurante



Victor Alves

Todo mundo naquele restaurante chique parou de falar quando viram a porta se abrir.Um homem

rico,terno alinhado, cheiro de dinheiro e poder, entrou firme…

E atrás dele vinha uma mulher mendiga, roupas rasgadas, pele suja, cabelo desgrenhado.

Os olhares começaram imediatamente:

Sussurros, caras feias, gente balançando a cabeça.

Mas ele… parecia não ligar.

Sentou-se à mesa mais elegante do lugar e puxou a cadeira pra ela sentar também.

A mulher tremia.

Segurava a barra da blusa rasgada com tanta força que parecia medo de desaparecer.

Ela olhava as taças brilhando, os talheres pesados…

Parecia não pertencer ali.

E talvez fosse isso que mais doía.

O garçom hesitou.

Ficou parado, sem saber se se aproximava ou não.

O homem rico encarou ele e disse:

— Traga o melhor prato da casa. Pra nós dois.

A mulher arregalou os olhos.

“Pra… nós?”, ela perguntou, com voz embargada.

Ele apenas sorriu.

Enquanto esperavam, as pessoas cochichavam:

“Que absurdo…”

“Deve ser alguma loucura…”

“Isso estraga o ambiente…”

Mas o homem rico mantinha o olhar firme nela.

E então ele disse algo que ninguém ouviu:

— Você lembra de mim?

A mulher engoliu seco e balançou a cabeça.

Ele inspirou fundo, como quem carrega anos de história no peito.

— Há 15 anos, eu era só um menino perdido. Minha mãe morreu, eu dormia na rua… e um dia você me

deu um pedaço de pão. Disse que eu era forte. Que Deus cuidaria de mim.

Os olhos da mulher se encheram de lágrimas imediatamente.

Ele continuou:

— Aquela noite, suas palavras salvaram minha vida. Hoje, Deus me deu condições… e eu vim devolver

o que recebi. Você não está sozinha. Nunca esteve.

A mulher começou a chorar silenciosamente.

O choro de quem esperou uma vida inteira para ser vista.

Para ser lembrada.

O garçom voltou com o prato caro.

Ela olhou aquilo como se fosse um milagre.

E pela primeira vez em muitos anos… sorriu de verdade.

O homem, emocionado, segurou a mão dela por cima da mesa:

— Hoje você come comigo. Amanhã… você recomeça sua vida. Eu vou te ajudar.

E no restaurante inteiro, ninguém disse mais nada.

Porque naquele momento…

todo mundo entendeu que grandeza não é sobre dinheiro.

É sobre amor, gratidão e propósito.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Que o sol desta manhã encontre teu coração em paz,



Associação Cultural Poetas Patativa do Assaré

mesmo que a vida ande pesada e o caminho nem sempre seja fácil.
Cada novo dia nasce como um recomeço silencioso,
trazendo consigo a chance de fazer diferente,
de acreditar mais uma vez
No sertão da vida, ninguém vence sem lutar.

Há dias de cansaço, dias de aperreio,
dias em que a esperança parece pequena.
Mas também há manhãs como esta,
em que o céu se abre bonito
e lembra que todo esforço vale a pena.

A força do povo simples não faz barulho,
ela vive nas mãos que trabalham cedo,
no olhar firme de quem nunca desistiu,
na coragem de quem levanta todo dia
mesmo sem saber como será o amanhã.

Porque quem carrega fé no peito
sempre encontra motivo pra continuar.

Que hoje não falte ânimo pra tua caminhada,
nem coragem pra enfrentar o que vier.

Que a paz visite tua casa,
que a saúde permaneça firme
e que a esperança nunca se afaste do teu coração.

Valorize as pequenas conquistas,
os gestos simples, os momentos de sossego.

É neles que mora a verdadeira riqueza da vida.

Se ontem foi difícil, hoje é nova chance.

Se a luta é grande, maior é tua força.

E enquanto houver um novo amanhecer,
sempre haverá também um novo motivo
pra acreditar, agradecer e seguir.

Que teu dia seja leve, produtivo e abençoado.

Que a luz desta manhã ilumine teus passos
e fortaleça tua caminhada.

Porque a vida segue,
e quem não desiste dela
sempre encontra um jeito bonito de vencer.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

No terreiro simples, de chão marcado,


No terreiro simples, de chão marcado,
tem história viva em cada lado…
uma casa pintada de esperança,
guardando o tempo, guardando a lembrança.
Na mão, o verde que brota da terra,
sinal de luta que nunca se encerra,
folha colhida com fé e cuidado,
fruto de quem nunca foi derrotado.

No olhar sereno, mora a coragem,
de quem venceu cada dura viagem,
sem luxo, sem pressa, sem vaidade,
mas rica de força e dignidade.

Ali não é só um canto qualquer,
é vida plantada por uma mulher,
que ensina ao mundo, sem precisar falar:

quem cuida da terra… aprende a viver e a amar.

Na prateleira simples da casa antiga,



Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

Na prateleira simples da casa antiga,

mora um pedaço vivo da lembrança,

cada peça guarda uma história bonita

de um tempo de luta, fé e esperança.

O alumínio gasto não é só objeto,

é testemunha calada de quem já viveu,

do café passado ainda bem cedo,

do cheiro que a casa inteira encheu.

O pilão, o bule, a chaleira alinhada,

cada um com seu valor guardado,

foi mão calejada que usou com cuidado,

foi amor simples que ali foi deixado.

E assim, no silêncio dessa parede,

a vida antiga continua a falar:

que a riqueza do povo nordestino

não tá nas coisas…

tá no jeito de amar.

Sentada ali no batente,


Associação  Cultural Poeta Patativa do Assaré

Sentada ali no batente,
com a calma de quem já viveu,
segura na mão um instante
que o tempo nunca levou.

O sol beija a parede antiga,
pintando de ouro o lugar,
e cada sombra que passa
traz coisa boa pra lembrar.

Na cesta, fruto da lida,
na xícara, um gole de paz,
naquele silêncio bonito
tem tudo que a vida traz.

A estrada de pedra e poeira
já viu muita história passar,
mas ali naquele cantinho
a esperança insiste em ficar.

É simples, mas é verdadeiro,
é forte sem precisar dizer,
porque quem vive do pouco
aprende o valor de viver.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Lá vai Dona Raimunda



Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

pela estrada de terra macia, de costas pro mundo apressado e de frente pra própria história.

A bacia firme na mão, equilibrada com prática de anos, como quem já carregou chuva, sem nunca deixar cair a esperança. 

Debaixo da mangueira frondosa a sombra abraça seus passos, e o vento mexe nas folhas como se quisesse acompanhar a caminhada tranquila dela.

O chinelo marca o chão vermelho, cada pegada é lembrança viva de quem constrói a vida um dia de cada vez, sem barulho, sem vaidade.

A rua simples, as casas quietas, o céu aberto anunciando tarde bonita, e Dona Raimunda seguindo firme,
porque quem é do interior aprende cedo a nunca parar.

Ela não precisa olhar pra trás, carrega no peito a certeza. E isso basta.

Entre a poeira leve da estrada e o verde que contorna o caminho, vai uma mulher inteira, rica de coragem.

Dona Raimunda não caminha sozinha.

Vai com ela a fé,a dignidade, e a sabedoria de quem sabe

que a verdadeira grandeza

está nas pequenas tarefas

cumpridas com amor.

E assim o dia segue, com o sol iluminando o caminho

e Dona Raimunda mostrando,

sem dizer palavra alguma,

que viver é continuar andando

mesmo quando a estrada é de barro —porque o coração dela é firme como raiz de mangueira.

Bom dia chegando de mansinho


Associação Cultural Poeta Patativa do Assaré

na calçada onde a vida se senta, 

quatro cadeiras enfileiradas

iluminando rostos cheios de história.

O dia começa sem correria,

com o vento leve passando na rua

e a conversa brotando simples,

daquelas que aquecem o coração

como café quente logo cedo.

Ali o tempo não aperta,

não empurra ninguém pra frente.

Ele para um pouco, respeita,

senta junto na calçada

e escuta as lembranças do povo.

Cada sorriso guarda luta,

cada olhar carrega saudade,

mas também traz a certeza

de que viver no interior

é aprender a ser forte e leve.

O sol bate na parede antiga

e pinta o chão de luz dourada,

enquanto a manhã abre os braços

como quem diz baixinho:

“Hoje vai ser um dia bonito.”

pra quem senta na porta de casa,

pra quem valoriza a prosa simples

e encontra alegria

nas pequenas coisas da vida.

Que o dia seja leve e manso,

cheio de paz e boas notícias,

e que nunca falte esse costume bonito

de sentar na calçada

e agradecer por mais um amanhecer.

Na casa antiga onde morei,






Associação Cultural Poeta Patativa do Asaré


o tempo não passou — ele ficou guardado.

Cada parede ainda conhece meu nome,

cada janela guarda o vento

das manhãs em que a vida começava cedo.

Ali moravam meus avós,

seu Antônio e dona Rosa,

dois corações simples e fortes

que fizeram daquela casa pequena

um mundo inteiro de amor.

Foi ali que cresci,

correndo pelo terreiro de pés descalços,

rindo sem saber das dores do mundo,

acreditando que a vida era só o cheiro do café

e o abraço quente de quem me criou.

Hoje, vovó Rosa vive de saudade.

Saudade das manhãs barulhentas,

do fogão aceso antes do sol nascer,

do riso de seu Antônio chamando a família,

das conversas na varanda

que pareciam nunca ter fim.

Seu Antônio se foi como o vento manso

que passa e deixa silêncio.

Mas deixou na casa antiga

o eco da sua voz e da sua coragem.

Vovó senta na porta e olha o caminho,

como se esperasse ver de novo

a vida de antes chegando pela estrada.

Eu, Maria Clara,

sou a neta que carrega essa história no peito.

Cresci vendo o esforço deles,

aprendi que viver é lutar todos os dias

sem perder a ternura.

A infância foi simples,

mas cheia de verdade.

A luta diária nunca foi leve,

mas me ensinou a ser forte

como as raízes daquela casa.

Hoje, quando volto ali,

sinto o coração apertar e aquecer ao mesmo tempo.

Vejo vovó Rosa olhando o horizonte,

segurando lembranças como quem segura flores.

E eu entendo que a saudade

é apenas o amor que ficou morando

onde o tempo não consegue apagar.

A casa antiga ainda está de pé,

guardando nossa história em silêncio.

E mesmo que os anos passem,

ela continuará viva dentro de mim —

como abrigo da minha infância,

como símbolo da nossa luta,

como prova de que o amor de avô e avó

nunca desaparece…

apenas vira saudade bonita

morando para sempre no coração.