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terça-feira, 13 de maio de 2014

Padre Zé Coutinho - Carta



Padre Zé

Foi o sr. Antonio Barbosa, memorialista de mão cheia que reside em Esperança e possui um museu particular do som e da imagem da cidade, alvo de inúmeras reportagens a esse respeito, que me franqueou uma edição do Jornal da Paraíba em que foi publicada uma carta do Padre Zé.

Está na coluna do Rubens Nóbrega com o título “O exemplo de Padre Zé” a missiva endereçada ao Monsenhor Palmeira, datada de 27 de novembro de 1972.

Entre outras tantas, o articulista imprime a sua opinião precisa destacando a sua benevolência pelos pobres da nossa pequenina Paraíba, a qual destaco a frase: “Fazer bem ao próximo era a razão de ser e viver do Padre Zé. E até por isso foi que ele deixou de comparecer à festa com que o povo de Esperança se preparava para homenagear o Monsenhor Palmeira no final de 72”.

De fato, naquele ano a cidade homenageava o padre Manuel Palmeira da Rocha, que administrou a paróquia de Esperança de 1951 à 1980. Este pároco foi responsável por grande parte do desenvolvimento do nosso município. 

Em face da relevância histórica desta correspondência, reproduzimos pois o seu conteúdo neste blog: 

“Carta ao Monsenhor Palmeira 

João Pessoa, 27 de novembro de 1972. 

Caríssimo Colega e Amigo 

Monsenhor Manoel Palmeira da Rocha 

Esperança – Paraíba 

PAZ EM JESUS! 

Estou contentíssimo porque a minha querida Terra Natal vai homenagear o grande Apóstolo do meu povo e da minha gente, durante tantos anos, da melhor maneira. 

Tudo que se fizer por você é muito pouco, porque você é extraordinariamente caridoso, falemos em termos mais claros, verdadeiro Santo, que praticou totalmente o Evangelho, passando a vida inteira fazendo o bem. 

Não fossem meus males físicos e principalmente minha pobreza, eu iria à sua Festa. 

Mas, só viajo na boléia de uma camionete, com minha cadeira de rodas em cima, com quatro rapazes, que aqui no Instituto São José chamam de motoristas, para não ficar aí no meio da rua, sem poder me locomover para parte alguma. 

Existe, porém, uma razão séria ainda que me impede de ir – a minha responsabilidade financeira: para pagar Cr$ 13.000 (treze mil cruzeiros) em média por mês, recebendo do Poder Público e outras fontes apenas Cr$ 6.000 (seis mil cruzeiros), tenho que arrecadar Cr$ 7.000 (sete mil cruzeiros) de esmolas. 

Aqui na Capital, já estou feito, e a minha renda pessoal é de Cr$ 100 (cem cruzeiros) todo dia, agora as mensalidades, promessas etc. que rendem mais do que outro tanto, não podendo perder um só dia de constantes peditórios, sob pena de acumular minhas dívidas. 

Pedirei ao Prefeito Antônio Coelho Sobrinho, a quem vou fornecer uma cópia desta carta, pois desejo que ele e seus amigos saibam do Alto Juízo que faço a seu respeito e os sérios motivos porque não vou à Festa, que julgo a maior, que pode ser feita pela Comunidade Esperancense, embora você mereça muito mais. 

No domingo seguinte, celebrarei por sua felicidade pessoal e, antes do Evangelho, focalizarei a felicidade que tem a minha Terra Natal em possuir tão modelar Pároco. Pedirei ao povo uma prece por você, a ser rezada por ocasião da Oração dos Fiéis. 

Agradecendo antecipadamente a atenção que o Prezado Amigo prestar a esta carta, subscrevo-me sinceramente. 

Monsenhor José da Silva Coutinho 
Diretor do Instituto São José”. 

Padre Zé era sim um exemplo a ser seguido, em especial o seu desprendimento em favor dos pobres. E Monsenhor Palmeira, igualmente, como grande administrador que fora em nosso favor. 

Rau Ferreira 

Recebido por E-mail de Raul Ferreira

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Padre Zé Coutinho - Carta


Carta do Padre Zé via História Esperancense de Rau Ferreira em 04/08/11

Foi o sr. Antonio Barbosa, memorialista de mão cheia que reside em Esperança e possui um museu particular do som e da imagem da cidade, alvo de inúmeras reportagens a esse respeito, que me franqueou uma edição do Jornal da Paraíba em que foi publicada uma carta do Padre Zé.

Está na coluna do Rubens Nóbrega com o título “O exemplo de Padre Zé” a missiva endereçada ao Monsenhor Palmeira, datada de 27 de novembro de 1972. Entre outras tantas, o articulista imprime a sua opinião precisa destacando a sua benevolência pelos pobres da nossa pequenina Paraíba, a qual destaco a frase:

“Fazer bem ao próximo era a razão de ser e viver do Padre Zé. E até por isso foi que ele deixou de comparecer à festa com que o povo de Esperança se preparava para homenagear o Monsenhor Palmeira no final de 72”.

De fato, naquele ano a cidade homenageava o padre Manuel Palmeira da Rocha, que administrou a paróquia de Esperança de 1951 à 1980. Este pároco foi responsável por grande parte do desenvolvimento do nosso município.

Em face da relevância histórica desta correspondência, reproduzimos pois o seu conteúdo neste blog:

“Carta ao Monsenhor PalmeiraJoão Pessoa, 27 de novembro de 1972.

Caríssimo Colega e AmigoMonsenhor Manoel Palmeira da RochaEsperança – Paraíba

PAZ EM JESUS!

Estou contentíssimo porque a minha querida Terra Natal vai homenagear o grande Apóstolo do meu povo e da minha gente, durante tantos anos, da melhor maneira.

Tudo que se fizer por você é muito pouco, porque você é extraordinariamente caridoso, falemos em termos mais claros, verdadeiro Santo, que praticou totalmente o Evangelho, passando a vida inteira fazendo o bem.

Não fossem meus males físicos e principalmente minha pobreza, eu iria à sua Festa.Mas, só viajo na boléia de uma camionete, com minha cadeira de rodas em cima, com quatro rapazes, que aqui no Instituto São José chamam de motoristas, para não ficar aí no meio da rua, sem poder me locomover para parte alguma.

Existe, porém, uma razão séria ainda que me impede de ir – a minha responsabilidade financeira: para pagar Cr$ 13.000 (treze mil cruzeiros) em média por mês, recebendo do Poder Público e outras fontes apenas Cr$ 6.000 (seis mil cruzeiros), tenho que arrecadar Cr$ 7.000 (sete mil cruzeiros) de esmolas.Aqui na Capital, já estou feito, e a minha renda pessoal é de Cr$ 100 (cem cruzeiros) todo dia, agora as mensalidades, promessas etc. que rendem mais do que outro tanto, não podendo perder um só dia de constantes peditórios, sob pena de acumular minhas dívidas.

Pedirei ao Prefeito Antônio Coelho Sobrinho, a quem vou fornecer uma cópia desta carta, pois desejo que ele e seus amigos saibam do Alto Juízo que faço a seu respeito e os sérios motivos porque não vou à Festa, que julgo a maior, que pode ser feita pela Comunidade Esperancense, embora você mereça muito mais.No domingo seguinte, celebrarei por sua felicidade pessoal e, antes do Evangelho, focalizarei a felicidade que tem a minha Terra Natal em possuir tão modelar Pároco.

Pedirei ao povo uma prece por você, a ser rezada por ocasião da Oração dos Fiéis.

Agradecendo antecipadamente a atenção que o Prezado Amigo prestar a esta carta, subscrevo-me sinceramente.

Monsenhor José da Silva Coutinho
Diretor do Instituto São José”.

Padre Zé era sim um exemplo a ser seguido, em especial o seu desprendimento em favor dos pobres. E Monsenhor Palmeira, igualmente, como grande administrador que fora em nosso favor.

Rau Ferreira

Fonte:- PARAÍBA, Jornal da. O exemplo de Padre Zé, texto de Rubens Nóbrega. Domingo, 24 de julho de 2011.- http://www.paraiba1.com.br/polemicapb/2011/07/25/o-exemplo-de-padre-ze-rubens-nobrega/História Esperancense - http://historiaesperancense.blogspot.com Conteúdo protegido pela Lei de Direitos autorais (Lei nº 9.610/98)

Colaboração de Raul Ferreira
Publicado em seu blog em 04/08/11.

http://historiaesperancense.blogspot.com

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Padre Zé Coutinho- Justa Homenagem

Rau Ferreira

disse... 

Justa a homenagem, o Padre Zé é uma das figuras mais importantes da nossa Paraíba e poderia muito bem ser candidato a santo, pois a meu ver preenche todos os requisitos.

Suas obras sociais e seu amor pelos pobres falam por si; esse patrimônio moral ainda hoje é lembrado pelos pessoenses.

Homem de cultura, maestro, regente e músico, jornalista e escritor, o que poderemos dizer senão uma mente privilegiada.

Mas de tudo sobressaia a sua bondade.

Parabéns a editora deste blog, Sra. Ilce Marinho por lembrar deste importante esperancense.

Saudações,

Rau Ferreira
http://memoep.tk 

20 de outubro de 2010 02:21 

Foto: cedida por Raul Ferreira

http.memoep.tk

Padre Zé Coutinho- O Anjo De João Pessoa-Emerson Barros de Aguiar



Não se restringia a dar o pão, pois foi pioneiro na formação profissional de pessoas em situação de risco social.



João Pessoa teve sua Madre Tereza. No caso da cidade das acácias, atendia pelo nome de Padre Zé Coutinho. Um anjo de temperamento sanguíneo e coração de manteiga, que se dedicou totalmente aos pobres.Não precisou de cargos ou de mandatos para realizar a maior obra social já realizada na cidade. É um ícone universal da caridade, que merece vir a lume para inspirar e dar testemunho de uma vida verdadeiramente cristã.


Ele morreu no mesmo ano em que nascí, 1973, no dia 5 de novembro. Nascemos os dois num dia l8. Ele em novembro de 1897, eu em maio de 1973. Tive a oportunidade de conhecer de perto a sua história, já que era primo em primeiro grau do meu avô materno.

Uma vida dedicada integralmente ao semelhante sofrido e marginalizado. Ordenou-se no dia 23 de maio de 1920. Neste caso, foi mais o sacerdócio que ganhou com a adesão de um homem santo àquela vocação.

Visitava os salões elegantes da cidade, pedindo esmolas para os "seus pobres" aos que tomavam drinques sofisticados. Diante da força moral que a sua simples presença impunha, ninguém tinha coragem de lhe negar o acesso ou a contribuição solicitada. Mesmo quando já estava confinado à sua cadeira de rodas, continuou o seu périplo de petição e de assistência. Um apóstolo do amor radical aos outros, fiel até o fim. Costumava fazer isso até no dia de finados, como a apontar que é importante e justo lembrar dos que partiram, mas ainda mais necessário ajudar a manter vivos os que precisam de pão, carinho, atenção e dignidade. Dava a oportunidade àqueles que se lembravam dos mortos, de também olharem para os seus semelhantes necessitados.

Um homem de visão, muito a frente do seu tempo. Não se restringia a dar o pão, pois foi pioneiro na formação profissional de pessoas em situação de risco social. Dedicou-se com afinco à educação de jovens e de crianças e à inserção laboral de pessoas sem recursos econômicos, através da criação de escolas profissionalizantes gratuitas e de programas de alfabelização. Atendeu a milhares de indivíduos, restituindo-lhes a dignidade e a cidadania que lhes tinham sido negadas.

Tinha um senso apurado de justiça, pondo-se sempre ao lado do mais fraco e perseguido. Honesto, transparente e rigoroso, carreava cada centavo doado que recebia aos trabalhos aos quais se dedicava. Sua atuação em João Pessoa mudou a fisionomia social da cidade, à época. Se a isso se pode chamar de assistencialismo, então eu digo: !Senhor, manda-nos mais assistecialistas como Padre Zé Coutinho!"

Entre as obras que resistiram à sua morte, estão o Instituto São José, e sua Casa dos Pobres, e também o Hospital que hoje atende por seu nome.

Certa vez, olhando para os seus antigos pertences pessoais, muito simples, hoje expostos no Instituto São José, situado na Praça do Bispo, um nó me veio à garganta. Tive a visão de um homem que enxergava nos seus semelhantes, irmãos. Irmão é um tipo muito próximo de parente. E era assim que ele sentia cada um dos que o procuravam. Contudo, ele não se contentava em ser procurado pela gente pobre e necessitada. Ia ao encontro dela, onde quer que estivesse. Como também buscava aqueles que não tinham a sua coragem de doar e de ajudar: os indigentes da alma, os covardes espirituais, os escravos do conforto, os viciados do consumo, ou seja, os verdadeiros "miseráveis". Convidava a todos, generosos ou usuários para o banquete de amor que o Pai Celestial preparou para quem se dispõe a amar o outro desinteressadamente.

Sabia que os seus semelhantes mereciam todo o amor do seu coração e todo o labor das suas mãos e que, em vez de se por a exaltá-los com palavras, deu-lhes de comer, quando tinham fome, e lhes vestiu, quando tinham frio.

Obrigado, anjo de João Pessoa, você nos ensina amar!

Emerson Barros de Aguiar.
Escritor e filósofo.

Publicada no Jornal O Norte.Foto: cedida por Raul Ferreira
http.memoep.tk

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Padre Zé Coutinho- O Pai Da Pobreza-Raul Ferreira

1897 - 1973

De Raul Ferreira
http://memoep.tk

Nascido aos 18 dias do mês de novembro de 1897, filho do casal Júlio da Silva Coutinho e de Eusébia de Carvalho Coutinho, sobrinho de D. Santino Maia da Silva Coutinho, arcebispo de Alagoas, e afilhado do Monsenhor Odilon da Silva Coutinho, Vigário Geral da Arquidiocese da Paraíba e seu maior benfeitor. 

Iniciou seus estudos no Colégio Nossa Senhora das Neves, na capital do Estado; fez o curso de Humanidades no Colégio Pio X e o Eclesiástico no Seminário Paraibano. Nesse período (1912 a 1920) participou da fundação do Jornal “O Lábaro” e da orquestra “Regina Pacis”, e criou uma espécie de cooperativa para ajudar os seminaristas pobres. Ordenou-se padre em 23 de março de 1920, na Catedral Metropolitana, e seguiu sua carreira religiosa sendo Capelão da Ordem Terceira, Vigário da Catedral Metropolitana, Capelão do Abrigo Jesus de Nazaré, oficiando também na Igreja de Nossa Senhora das Mercês.

Entre seus maiores feitos estão: - o início da construção da Igreja de Santa Teresinha, no bairro do Roger; - destacou-se no jornalismo com atuação marcante, chegando a dirigir o órgão católico “A Imprensa” em período difícil da nossa história; - compôs os hinos de Nossa Senhora das Neves e de Santa Teresinha, e a Novena em homenagem a Nossa 

- apresentou por muitos anos, na Rádio Tabajara AM, o programa “vinte e cinco minutos com o padre Zé”.

Monsenhor Coutinho foi o pioneiro na promoção humana, tendo fundado a 19 de março de 1935 o “Instituto São José”, o qual dirigiu até seu falecimento, tornando-se conhecido como o “Pai da Pobreza”. Nos últimos anos, já de idade avançada, saia em sua cadeira de rodas para angariar fundos para as suas obras sociais.

Cidadão benemérito de mais de 40 municípios, faleceu no dia 5 de novembro de 1973, e o seu sepultamento foi um dos mais concorridos do nosso Estado.

No ano de 1997 comemorou-se na Capital do Estado o centenário do seu nascimento, com vasta programação, entre elas: sessões solenes na Câmara Municipal de João Pessoa e na Assembléia Legislativa, e a homenagem da Ordem Terceira do Carmo em reconhecimento aos seus quase 30 anos de vida sacerdotal. Na oportunidade, foi lançado no Instituto São José a 2ª Edição do livro “Meu Depoimento Sobre o Padre Zé”, do historiador Humberto Nóbrega, reeditado pela UFPB.

Raul Ferreira 

Fonte:- Folheto de celebração dos “100 Anos do Pe. Zé”, Governo do Estado da Paraíba, texto: Graça Coutinho, 1997; - - Site "Caminheiros em Notícias" -disponível em http://www.casadocaminho-embu.org.br/arquivos/jornal/7ed/padre.html, acesso em 06/09/09.

Colaboração de Raul Ferreira.
Foto: cedida por Raul Ferreira
http.memoep.t