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sábado, 8 de março de 2025



Memórias da Resistência | A história de Dom Hélder, o “Arcebispo Vermelho” do Recife

Religioso é o brasileiro que mais vezes foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, sendo a 1ª das quatro em plena ditadura

10.abr.2021 às 10h36
Recife (PE)
Vinícus Sobreira

A Arquidiocese de Olinda e Recife espera que Dom Hélder seja canonizado , reconhecido como Santo 

Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza (CE) no dia 7 de fevereiro de 1909, filho de uma professora e um jornalista e crítico teatral. 

Aos 14 anos ingressou no Seminário da Prainha, onde fez ensino médio, filosofia e teologia. 

O ensino era bastante conservador. 

Até os ideais do iluminismo e da Revolução Francesa eram vistos com rejeição. O comunismo era abominado.

Foi ordenado padre em 1931, aos 22 anos. 

E recebeu a tarefa de acompanhar os Círculos Operários Cristãos e a Juventude Operária Católica  (JOC), onde contribuiu com a alfabetização de adolescentes pobres e ajudou na organização sindical de mulheres das camadas populares, como lavadeiras, passadeiras, empregadas domésticas e outras categorias.

Com viés nacionalista, somada à formação ideológica recebida no seminário, o padre Hélder simpatizou com movimentos como a Legião Cearense do Trabalho (1931), grupo político-sindical e religioso que rejeitava o capitalismo e o comunismo, buscando ideais da Idade Média. 

Dom Hélder também militou na Ação Integralista Brasileira, movimento de inclinações fascistas que reuniu brasileiros sob o lema “Deus, Pátria, Família”.

Além da luta por transformações internas da igreja e de sua atuação como educador popular e alfabetizador, o padre Hélder se destacava principalmente por ser um dirigente político.

Uma vida de luta pelos que menos têm / Instituto Dom Helder Câmara

Conseguiu resultados expressivos para a Liga Eleitoral Católica no Ceará, foi secretário estadual de Educação e aos 27 anos (1936) já trabalhava no Ministério da Educação, no Rio de Janeiro. 

No ano seguinte, quando Getúlio Vargas instaurou a ditadura do “Estado Novo”, Hélder Câmara desvinculou-se da AIB.

Ficou por mais de 10 anos no Rio, onde foi ordenado bispo aos 43 anos (1952). 

Passou a dedicar-se principalmente a reformas na Igreja para aproximá-la de compromissos sociais com o povo pobre.

Fundou o projeto “Cruzada São Sebastião” e o “Banco da Providência”, para viabilizar moradias populares.

Foi Dom Hélder que conseguiu autorização do Vaticano para fundar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM, 1955). 

No Concílio Vaticano II (1965), Dom Hélder foi propositor do “Pacto das Catacumbas”, documento com 13 compromissos, como colocar os pobres no centro da atividade pastoral e levar uma vida simples, rejeitando símbolos de privilégio e poder. 

Este documento influenciou a criação do movimento da Teologia da Libertação.

Semanas antes do golpe militar de 1964, Dom Hélder foi designado arcebispo na Arquidiocese de Olinda e Recife, cargo que ocuparia por 21 anos, mesmo período que perdurou a ditadura. 

Em terras pernambucanas, fortaleceu as comunidades eclesiais de base (CEBs).

Sempre se colocou publicamente em oposição à ditadura. 

Os meios de comunicação foram proibidos, a partir do AI-5 (1968), de entrevistá-lo. 

Dom Hélder seguia falando em conferências e meios de comunicação internacionais, denunciando os crimes do regime ditatorial brasileiro.

Em 1969 o auxiliar de Dom Hélder, o padre Antônio Henrique Pereira Neto, foi assassinado por uma milícia armada apoiada pela ditadura. 

O Padre Henrique, que era professor, teve uma reunião com pais de estudantes na noite de 26 de maio.

Quando retornava para casa, já na madrugada do dia 27, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) – grupo paramilitar apoiado pelo regime militar e por empresários locais – sequestrou o Padre Henrique, torturou e assassinou.

Seu corpo foi encontrado nas ruas do bairro da Várzea, próximo das terras de uma família notável do estado e que apoiava o CCC.

Dias antes a milícia havia metralhado o centro educacional onde o Padre Henrique trabalhava, o Juvenato Dom Vidal (atualmente é as costas do prédio antigo do Shopping Boa Vista). 

Nesta ação do CCC o estudante Cândido Pinto ficou paraplégico.

Com o papa João Paulo II / Divulgação

Dom Hélder passou a ser reconhecido mundialmente como liderança contra o autoritarismo e em defesa dos Direitos Humanos. 

Foi premiado com 32 títulos de doutor honoris causa em universidades brasileiras e estrangeiras, além de prêmios internacionais. 

O regime militar muitas vezes o acusou de ser comunista e até de contrabandear armas para grupos de guerrilha contra a ditadura.

Dom Hélder é o brasileiro que mais vezes foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações.

Desde a primeira, em 1970, a ditadura militar brasileira empreendeu uma dura campanha difamatória sobre o religioso no exterior, associando-o num momento ao integralismo, noutro ao comunismo.

Dom Hélder perderia o prêmio para o criador do “milho híbrido”. Dom Hélder ainda seria indicado nos três anos seguintes, sem sucesso.

Aos 76 anos de idade, em 1975, deixou o comando da Arquidiocese de Olinda e Recife. 

Ele seguiu vivendo na capital pernambucana, numa pequena casa aos fundos da Igreja de Nossa Senhora das Fronteiras, na rua Henrique Dias, bairro da Boa Vista.

Morreu aos 90 anos, em 27 de agosto de 1999.

Desde 2015 o Vaticano o reconhece como “Servo de Deus”, primeira etapa do processo de beatificação.

A Arquidiocese de Olinda e Recife espera que Dom Hélder seja canonizado, reconhecido como Santo, processo que leva décadas.

Entre as homenagens, “Dom Hélder” hoje dá nome a diversas organizações educacionais, sociais, políticas e religiosas, sempre vinculados à defesa dos Direitos Humanos. 

No Recife ele também dá nome a dois conjuntos habitacionais (Iputinga e Vasco da Gama), um centro de saúde (Nova Descoberta), a duas escolas (Barro e Espinheiro), uma praça (Torrões), um centro cultural e esportivo (Ilha de Joana Bezerra), além de diversos logradouros.

Edição: Vanessa Gonzaga
Tags: Pernanbuco

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Dom Hélder Camara




IDHeC - Instituto Dom Helder Camara

sábado, 21 de julho de 2012

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dom Hélder Câmara



Mesmo que a maior angústia te visite e te acompanhe, não deixes que ela se reflita em teu rosto. Mundo agitado e triste precisa que leves contigo tua paz e tua alegria."


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dom Hélder Câmara - Biografia


1909 - 1999

Dom Hélder Câmara nasceu em Fortaleza e foi um bispo católico que pregava uma igreja voltada para os pobre .

Chegou a ser arcebispo de Olinda e Recife.

Foi defensor da não violência.

Foi indicado quatro vezes para o prêmio Nobel da Paz .

Mensagem de Dom Hélder

O mistério das mãos

Você já meditou alguma vez o mistério das mãos?...
Prestam-se para gestos altamente construtivos.

Mãos juntas, acompanhando a oração: penso de modo especial, em mãozinhas de criança que a jovem junta quando ensina a rezar, e as mãos trêmulas dos velhinhos que pedem para seus filhos e netos ausentes...

Mãos de cirurgião, que salva vidas...basta recordar a perícia com que manejam cérebros e corações...

Mãos calejadas de trabalhadores, quase sempre mal remuneradas...

Mãos ágeis dos datilógrafos que batem um números incrível de batidas por minuto...

Mãos de músicos que nos deleitam, nos transportam bem além do tempo e espaço...

Mãos que espalham sementes que se tornam alimentos, e sementes de amor, de esperança e de paz...

Mãos de pintorres e de escritores, qeu se esforçam para não trair os sonhos de beleza que se aninham no pensamento e no coração do artista...

Mãos dos linotipistas que compõem os jornais com a síntese dos dias em que estamos vivendo...

Mãos dos técnicos de rádio, TV, cinema, que nos permitem viver, de hora em hora, os grandes acontecimentos de qualquer parte do mundo...

Mãos que acariciam: mãos de mães, de namorados,m]aos de esposos...

Será fácil continuar a enumeração. Mas, é importante recordar também, que as mãos humanas, capazes de tantas grandezas, de tanta beleza, espalham igualmente a desolação e a morte.

Há mãos que se fecham egoístas e avaras.

Hámãos que se encrespam, cheias de ódio, chegando às vezes, ao extremo de ferir e matar...

Há mãos que fecham a porta a quem necessita entrar...

Há mãos preguiçosas e que transferem para outros o trabalho que lhes compete fazer...

Há mãos que roubam dos ricos e dos pobres também. Há mãos que sequestram pessoas...

Há mãos que metralham, jogam bombas arrasadoras, inclusive bombas que queimam as criaturas vivas... que são uma ameaça permanente de extermínio da vida sobre a terra...

CRISTO, na Tua encarnação, na Tua vida mortal, usaste Tuas mãos admiráveis.

Elas passaram fazendo o bem...

CRISTO,

que nossas mãos estejam sempre a serviço do Bem e da Beleza. Que nossas mãos, à imitação das Tuas, sejam semeadoras de

TRANQUILIDADE,

ESPERANÇA,

AMOR e de

PAZ.

Dom Helder Câmara.

"Fico pensando
nos que imaginam Deus
como o Senhor Altíssimo
para além das nuvens
quando Deus
não está perto, nem longe:
está dentro de nós
e nós mergulhados n'Ele."

Publicado no Jornal O Norte.