quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Germano Romero - As Flores Da Manhã

um conto - uma crônica
 
Nas margens do caminho, elas iam se mostrando. Quanto mas a gente andava, aumentava o seu bando. Variavam-se em mil cores, com a alegria da manhã. Ao vento se jogavam, mas a tempo se retinham. A lição que nos passavam, em acenos de beleza, insistia em nos lembrar como é bela a Natureza.

Tão simples e tão puras, sem ninguém pra lhes cuidar. Só a vez por outra, ao cair lhes doa vida. Mesma vida que tiveram quando ali, assim ao céu, sem sementes floresceram.

Pedalamos adiante, para vê-las em buquês, que surgiam aos montes, quase sem acreditar. Como pode um campo desses ter nascido assim do nada? Como pode ser intacto a um mundo tão cruel? Mas será que alguém as vê?Creio não, pois hoje em dia ninguém olha para uma flor.

E aquelas surpreendem, pois à margem do caminho continuam a viver com as cores que também vemos no alvorecer. Ó meu Deus, como é bom aqui saber, que fizeste esse mundo tão bonito de se ver. Bem que Teu amado filho insistiu em nos dizer: nem o grande Salomão, com o luxo que vestiu, chegou perto da beleza dessas flores que ora miro.

Mais parecem borboletas, asas dadas pelo vento, vão pra lá e vêm pra cá, nem se importam com a gente. Nem de longe pensaria, uma delas arrancar, como fazem os egoístas, que pra si tudo ajuntam. Chegam até a prender flores, inclusive as que cantam e conseguem idem voar. E até que chega o dia que alguém que nunca viu o sorriso de uma flor, muito menos do amor, é capaz de as tirar deste céu azul do mar, e jogá-las num cubículo engradado e sem lugar. É dos pássaros que vos falo. Outras flores que encantam, pois além de colorir foram feitas pra voar.

É, amigos, na manhã deste passeio, vi afagos da beleza, que desejo na lembrança eles possam se manter. Pra que nunca eu esqueça, que de amor Deus fez o mundo, pois é só querer olhar e pra sempre se lembrar que amanhã é mais um dia em que o sol irá brilhar. Mas é ora  de voltar pro aconchego do meu lar, de onde dá pra ouvir o mar e destas flores me lembrar.

Agora já é noite, e tem lua acolá prateando o horizonte. Vou ali pra espiar, cujo brilho a esta hora deve estar iluminando os caminhos da manhã, que fincados na lembrança para sempre restarão.

Ainda bem que pude ver num passeio sem motivo, mil motivos pra me dar cem razões de se encantar. Vou dormir com essa ideia, com a qual possa sonhar, que me leve lá de volta, ver as flores da manhã...

Germano Romero é bacharel em música.

Publicado no jornal Correio da Paraía
Caderno Opinião
07/09/2012.

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