sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Germano Romero - O Eterno Jesus





um conto - uma crônica

Há pesquisas que indicam como incerta a data em que Jesus nasceu. Por isso há gente que queira desmerecer as homenagens do dia 25, amanhã, quando o mundo ocidental comemora o Natal.

Mas não importa se foi, ou não, em dezembro ou junho que renasceu na Terra aquele que, apenas com sua mensagem de amor e exemplo de vida, foi capaz de dividir a história da humanidade em antes e depois de si. Aquele que influenciou e deixou sua marca nos mais ocultos e longínquos recônditos da superficie terrestre, tanto na romântica cumeeira da igreja de Santa Maria de Bergen, na Noruega, como na torre da capela de São Francisco de Assis, em Riacho dos Cavalos, na Paraíba.

E assim como criaram o Dia dos Pais, das mães, do professor, do médico, do arquitto, por que não escolher um para lembrar dele com mais ênfase? Ele, que foi o maior dentre os que já encarnaram neste planeta?

Entretanto, o Natal, assim como todo o Cristianismo, tem evoluído ao longo dos anos, para práticas cada vez mais distante de seu patrono, o meigo Jesus de Nazaré. Esqueceram justamente daquilo que mais essencial e verdadeiro há nos seus ensinamentos evangélicos.

Esqueceram da simplicidade e da humildade ressaltada como a virtude dos que merecem o Reino dos Céus. E assim, erigiram e continuam erigindo templos ricos e suntuosos pelo mundo afora, para atrair os que são fáceis de se enganar. Esqueceram de que o Mestre advertiu para não acumularmos riquezas materiais, que são incompatíveis com os tesouros celestiais. E hoje o que se vê é igreja virando empresa, cada vez mais rica.

Esqueceram de que Jesus recomendou para que, quando quiséssemos orar, nos recolhêssemos à intimidade entre 4 paredes, e o fizéssemos em absoluto silêncio. Ele foi quem mais criticou a maneira que os fariseus oravam, em voz alta e em público. E hoje o que se vê são templos que mais parecem casa de show, e procissões e "caminhadas" que usam até trio elétrico.

Também esqueceram da maior lição que há no Evangelho, acerca do amor, do respeito e da compreensão solidária, que não admite nenhum tipo de discriminação e preconceito. Lição evidenciada no tratamento que o Mestre dispensou à mulher adúltera e na sua amizade à Maria Madalena,mulher discriminada pela sociedade de então, mas que terminou sendo a escolhida por Jesus como a primeira a quem ele apareceu após ressuscitar. Mas hoje vemos crenças religiosas pregando a homofobia e ainda discriminando as mulheres...

E, no Natal, há muitos que esquecem não só da mensagem do Evangelho, mas, principalmente, do seu magnífico autor, aniversariante do dia, símbolo do amor incondicional, o Eterno Jesus!

Germano Romero
Arquiteto.

Publicado no jornal Correio da Paraíba
Edição de 23.12.2011.
Coluna Opinião.
Imagem recebida por e-mail de Brígida Brito

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