Onaldo Queiroga - A Primeira Bicicleta
um conto - uma crônica
Menino é bicho danado, quando quer uma coisa , saia da frente, pois chora, esperneia e grita até conseguir o que quer, ou, então, leva umas boas palmadas e fica de castigo.Mas quando se tem avô por perto, daqueles que paparicam o neto, fica difícil para os pais controlar que os desejos do menino sejam atendidos.
Lembro-me que quando eu tinha uns 6 anos de idade, o meu sonho era ter uma bicicleta. Estava em Pombal, num dia de sábado, acompanhado de meus pais, transitando pelas ruas do centro, e quando passamos pelo comércio de seu Gentil, vislumbrei uma bicicleta "Caloi", de cor verde, pequena, mas que representava, na ocasião, o meu maior sonho.
Meus olhos brilharam ,fiquei deslumbrado e comecei a pedir aos meus pais para comprarem aquele brinquedo, aquela pequena bicicleta, mas incompreensivelmente ouvi um não. Fui levado, chorando, saí pelas ruas aos prantos até chegar à casa do meu avô Antonio Rocha, justamente na hora do almoço. Quando ali cheguei que vi o meu avô sentado na mesa para o almoço, menino danado, autucioso, logo aumentei o choro, pois naturalmente queria chamar a atenção dele, sim do meu querido avô.
O plano deu certo. Vovô presenciando aquela cena, indagou: Por que esse menino está chorando? Minha mãe, respondeu: ele está querendo uma bicicleta que está exposta à venda lá em seu Gentil.
Meu avô nada disse. Silene permaneceu por alguns minutos. Depois sorrateiramente saiu de casa, ninguém percebeu, mas ele desceu a rampa do terraço e saiu pela calçada até chegar ao estabelecimento de seu Gentil. Comprou a bicicleta, a colocou debaixo do braço e voltou pela mesma calçada em direção a sua casa.
Quando lá chegou, abriu o portão e vislumbrou o menino, sentado num batente do terraço, de cabeça baixa, ainda chorando, baixinho, mas chorando.Ele, então, falou Naldinho tome sua bicicleta, meu filho. Levantei a cabeça e vi meu sonho, verde como a esperança se transformar em realidade. Corrí em direção ao meu avô. Ele me deu um cheiro na cabeça, enxugou minhas lágrimas e me entregou a bicicleta.
Montei na sela dos meus sonhos, cambaleando sobre as rodas da infância, pelo enorme terraço da minha casa dei as primeiras pedaladas. Minha mãe reclamou do meu avô, tinha total razão, pois suas normas educacionais haviam sido quebradas, mas ao perceber a alegria do filho, logo a sua firmeza cedeu lugar ao sorriso da ternura.
Com essa bicicleta corri o mundo. Pelas calçadas e ruas da minha feliz infância pedalei muito.Recentemente relembrei esse fato, quando presenteei uma bicicleta à um menino chamado Dudu, ví nos seus olhos a felicidade que um dia meu avô encontrou nos olhos daquele menino chamado Naldinho.
Não sei onde anda a minha caloi, se ainda existir, certamente, feliz um novo menino deve andar por aí pedalando.
Onaldo Queiroga.
Escritor e Juiz de Direito.
Publicada no Jornal Correio da Paraíba.
Coluna: Opinião
Edição de sábado.
13/08/2011.
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