A minha saga no Liceu Paraibano se encerrou de forma solene e inesquecível.
Deu-se que no fim dos anos cinquenta, a turma concluinte do curso colegial escolheu como paraninfo o então governador de Minas Gerais, Bias Fortes.Alegando a história entre Paraíba e Minas Gerais que, ao lado do Rio Grande do Sul lideraram a revolução de 1930, os estudantes convidaram o governador mineiro que, não só aceitou o laurel, como além de ter vindo a João Pessoa para a cerimônia de colação de grau e festa de formatura no Cabo Branco (na sede antiga, de Jaguaribe), proporcionou a todos os concluintes uma magnífica excursão de 15 dias em Minas Gerais - tudo às expensas do Governo mineiro.
Em Belo Horizonte, à época uma cidade ainda pequena, com pouco tráfego, bastante arborizada e de clima ameno, os estudantes paraibanos, capitaneados pelos professores Aníbal e Hugo Moura e Aurélio Albuquerque, foram brindados com várias homenagens, inclusive um coquetel no salão nobre do Palácio da Liberdade com o secretariado presente. Houve, também, visitas às cidades históricas de Ouro Preto, Sabará e Congonhas do Campo.
Mas o motivo da crônica é a presença de uma bela moça que, todas as manhãs, encantava os estudantes visitantes, hospedados no Departamento de Instrução da Polícia Militar, um complexo administrativo/esportivo dos mais modernos. Ela ensinava os primeiros passos da natação aos filhos dos oficiais, sendo, portanto, muito justificável a exibição dos seus dotes físicos em torno e dentro da piscina olímpica existente no parque.
Para ela se dirigiam, diariamente, após o café da manhã, os olhares dos concluintes do Liceu que não poupavam elogios aos seus invejáveis atributos, principalmente os contornos do corpo, bem distribuídos nos quase 1,70m de altura e outros centímetros de saliências e reentrâncias. Ela não se fazia de rogada e a todos tratava com lhaneza e distinção, em atitude simpática, típica da mulher mineira.
Soube-se que era ela filha do comandante da briosa polícia de Minas Gerais, um austero militar conhecido pela rigorosa disciplina que impunha à tropa e às filhas (em casa).
Pois não é que um nosso herói, nascido em Jaguaribe, magrinho, pobre e até mal vestido caiu nas graças da filha do comandante? O primeiro olhar ele pensou que era para o colega que estava ao seu lado. O segundo olhar ele creditou à sua imaginação. O terceiro ele identificou em sua direção e, enchendo-se de coragem por inteiro, dirigiu-lhe a palavra e começou uma conversa que, para sua surpresa, produziu os melhores resultados.
Para encurtar a história, no domingo à noite o nosso personagem já estava na igreja do bairro de Carlos Prattes, assistindo à missa das sete, ao lado da moça e de sua mãe. Depois da missa uma ida à casa, onde o comandante, o recebeu formal e educadamente, ele tremendo de medo ao lado da filha do homem. Ofereceram-lhe lanche e um terraço só para os dois. Daí para os abraços, beijos e outras carícias mais avançadas - foi um pulo.
Mas o namoro ficou só por aí, pois durou apenas enquanto o nosso mirrado representante esteve nas Minas Gerais. Depois restou a lembrança da filha do comandante que, esta semana sai do arquivo, por conta do relato prometido daquela que foi a minha quarta vida.
Carlos Pereira
Jornalista, escritor, engenheiro e
professor universitário
Publicada no jornal A União.
Edição 04/12/2010
domingo, 5 de agosto de 2012
Carlos Pereira - Sete Vidas - IV - Namoro Em Minas Gerais
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