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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Até A Volta, Arc!


Arc, o marciano, apareceu para se despedir.

- Então, não apareceu mesmo uma desculpa boa para você ficar?

- Não. Nem a daquele senhor que chamou a atenção para o perigo de o MST se infiltrar na minha nave e passar a ocupar terras em Marte...

- Poxa! Nem essa?

- Mas a verdade é que estou sendo chamado porque meus chefes acham que aqui não tem mesmo jeito, e querem que eu investigue se há vida possível em outro planeta.

- Como é que vocês chegaram à conclusão de que aqui não tem jeito?

- É tudo tão óbvio. Por exemplo, é óbvio que, se vocês quisessem, poderia não haver fome, guerra, violência, corrupção... É tudo tão óbvio...

- Óbvio para você...

- Exatamente. Vocês não conseguem enfrentar o óbvio. É óbvio que fazer guerra é uma besteira - mas vocês não conseguem evitar...

- Daí?

- Daí que não tem jeito mesmo.

- Você volta, um dia?

- Se meu próximo planeta for pior do que este, talvez...

E Arc, o marciano, SUMIU.

Thomaz Souto Correia - autor
Teagá - jornalista
Julio Cesar de Barros - editor
Publicado na revista Veja
www.veja.com.br


ARC, O MARCIANO
O LIVRO

Sinopse:


De 1999 a 2003, as páginas da revista Veja foram invadidas por um alienígena de olhar apurado e questionador que, por vezes, lembrava a famosa Mafalda, do cartunista argentino Quino, mas com uma identidade bem brasileira. Foi assim que Arc, marciano e invisível, conseguiu um ouvinte para suas dúvidas que semanalmente eram reproduzidas na revista.

Na tentativa de entender o planeta, indagava com graça e ironia sobre tudo: de política a costumes sociais, de religião a economia, mas na maioria das vezes não compreendia os absurdos terrestres.

Infelizmente, com tantas notícias sobre guerra e inúmeros conflitos eclodindo em toda parte, seus chefes decidiram que o melhor era procurar outra galáxia E ARC SE FOI.

Quem sabe ele volte, caso as coisas por aqui melhorem.

Autor: Thomaz Souto Correia
ISBN 858987611X
Literatura
Páginas: 256
Formato: 13 x 21
Edição: 1ª
Idioma: Português
Ano: 2004
Preço: R$ 35,00.
Libre - Liga Brasileira de Editoras.
http://www.libre.org.br/titulo_view.asp?ID=3327



Arc E Os Inocentes

Após ver durante dias seguidos a televisão mostrando sem parar as cenas de horror em Nova York, depois a guerra e agora a ameaça bacteriológica, Arc, o marciano, pensou em embarcar de volta para Marte e desistir de vez da Terra.

- Por que fazem isso, matando gente comum, inocente?

- A maioria dos ataques terroristas mata gente comum e inocente, Arc. Esse é um dos horrores do terrorismo... e da guerra.

- Essa tragédia mostra também que não há limite na cabeça dos terroristas. Eles parecem dispostos a tudo, a qualquer coisa. Como vocês vão parar com isso?

- Não sei, marciano. Aliás, ninguém sabe. Fanáticos dispostos a matar e a morrer por uma causa não se preocupam com limites.

- Vocês vão acabar se matando todos.

- Arc, não fale assim. Há milhões e milhões de pessoas neste mundo vivendo em paz. Há milhões trabalhando por uma vida melhor para todos. Temos tragédias, mas temos alegrias...

O marciano fica um tempo em silêncio, depois desabafa:

- Tá bem. Se tem uma coisa que eu aprendi com vocês foi essa esperança de dias melhores. Eu prefiro ficar aqui, onde ainda posso fazer perguntas. Mas vou-me embora quando achar que vocês não terão mais respostas...

(Arc é marciano e vem regularmente à Terra, inclusive ao Brasil, para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá...)

Thomaz Souto Correia - autor
Teagá - jornalista
Julio Cesar de Barros - editor
Publicado na revista Veja
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Arc - O Ano Novo


Arc, o marciano, foi ao Rio de Janeiro assistir à passagem do ano velho para o ano novo.

Meteu-se em Copacabana no meio da multidão vestido de branco, feliz e encharcado com a chuva, e ficou muito mais fascinado com as pessoas do que com os fogos de artifícios.

Arc viu gente jogando no mar barquinhos com presentes, garrafas mensagens, flores e mais flores, palmas brancas e rosas vermelhas, e quis entender o significado de tudo isso.

- São pedidos que as pessoas fazem à rainha do mar, Arc.

- E ela atende?

- Não sei, mas elas voltam todos os anos, logo...

- Logo, o quê? Pode ser que voltem porque não receberam nada no ano anterior, e querem pedir de novo.

- Pode ser, mas você também não sabe se os pedidos são atendidos ou não.

- Por que é preciso esperar um ano para fazer um novo pedido?

- É a tradição. À meia-noite do ano novo as pessoas vão às praias para fazer seus pedidos.

- E se o pedido for urgente?

- Olhe aqui, ô marciano, se o pedido for urgente, a pessoa se vira, tá bem?

- Continuo sem entender: por que um ano? Que tal feliz semestre novo, feliz mês novo, feliz dia novo? Daria para atender mais gente, e mais depressa. Seria lindo: fogos de artifício todo dia, até nos dias sem chuva...

(Arc é marciano e invisível e vem regularmnete à Terra, inclusive ao Brasil, para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá...)

Thomaz Souto Correia - autor
Teagá - jornalista
Julio Cesar de Barros - editor
Publicado na revista Veja
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ARc E O Novo Milênio

Arc, o marciano, quer saber por que todo esse alvoroço com o novo milênio, votos de feliz milênio.

- Muda tudo de um milênio para o outro?

- Claro que não, marciano.Aliás, não muda nada. O primeiro dia do novo milênio será mais um dia da nossa vida, salvo - em muitos casos - uma boa ressaca...

- Ressaca?

- É, ressaca é quando as pessoas bebem muito na noite anterior e ficam mal no dia seguinte. Na última noite do ano a gente diz adeus ao ano que passou e faz votos de que o ano seguinte seja melhor.

- Entendi: bebendo para festejar e passando mal no dia seguinte vocês garantem que o novo ano ou novo milênio será melhor.

- Arc, não é bem assim. A esperança faz parte da alma humana, a gente sempre espera por melhores dias.

-Mas você mesmo disse que não muda nada...

- Marciano, não chateia. A gente gosta de festa, tá bem? E muda sim, tá? Verdade que nem para todo mundo, e nem sempre para melhor, mas...

-Mas ter esperança para o milênio inteiro não é esperança demais?...

- É. Eu te desejo então um feliz Ano-Novo, marciano.

(Arc é marciano e invisível e vem regularmente à Terra - inclusive ao Brasil - para ver se vale a pena Marte investir aqui.Por enquanto, ele está achando que não dá).

Thomaz Souto Correia - autor
Teagá - jornalista
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Arc E A Educação Dos Filhos

Arc, o marciano, apareceu um dia com a idéia de que os políticos deveriam ser obrigados a estudar administração pública para servir o país. Agora ele apareceu com uma idéia mais inovadora.

- Quem educa os pais, para eles educarem os filhos?

- Os pais dos pais, os professores, as figuras que eles admiraram, amigos mais velhos...

- Não é isso. Como é o curso para educar filhos? Suponho que haja um curso nas escolas para ensinar pais a educar filhos.

- Esse curso não existe, Arc.

- E como é que alguém pode educar um filho se não teve lições sobre como preparar uma criança para enfrentar a vida?

- Já falei, marciano, os pais, os professores, os livros, os amigos...

- Preste atenção: acho que vocês chamam isso de "relações humanas". Existe ou não nas escolas um curso sobre relações humanas, em que as crianças aprendem a se relacionar com os pais, com os amigos, e - à medida que crescem - com as namoradas, os colegas, os patrões?

- Não , Arc, já falei: esse curso não existe. E daí?

- Quero saber como alguém decide ter um filho sem diploma para educar filho. Vocês adoram diploma. Mas logo nessa matéria...

- Marciano, nós existimos assim há milhares e milhares de anos!

- Não é à toa portanto...

- Arc, chega!

(Arc é marciano e invisível. Tem muita coisa na Terra que ele ainda não entende. Mas está sempre fazendo o possível para ajudar).

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Arc E A Copa Do Mundo


Arc, o marciano, leu na imprensa que ganhar a Copa do Mundo de futebol melhora a economia do país vencedor .

- Como é possível?

- O futebol é o esporte mais importante do mundo, marciano.

- E o que tem uma coisa a ver com a outra?

- Tem de ser terráqueo para entender, Arc. A Copa mexe com a emoção de um povo.

- E o que é que tem emoção futebolística a ver com desempenho da economia?

- O povo fica feliz, otimista! trabalha mais, trabalha com satisfação, os problemas ficam menos importantes, parece que tudo fica mais fácil.

- Não consigo entender racionalmente como ganhar no futebol faz com que algo que andava mal passa a andar bem.

- É que não é racional, marciano. Ponha isso na sua cabeça: é emocional, é emoção pura!

- Então me explique como é que os Estadso Unidos, que nunca venceram uma Copa, são a maior economia do mundo.

- É que lá é tudo muito racional.

- Mas eu não consigo entender como melhorar a economia é coisa emocional e não racional.

- Eu não disse isso. Eu disse que ajuda, entende?

- Se ajuda, o técnico da seleção deveria ser o presidente do país.

- Não adianta argumentar com você. Essa sua sugestão é muito emocional...

(Arc é marciano e invisível. Ele gosta da Terra, do Brasil, mas às vezes fica muito confuso com a nossa maneira de pensar).

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Arc E A "Bomba Suja"


Arc, o marciano, apareceu perguntando:

- Quem sujou a bomba?

- Quem sujou o quê, marciano?

- A bomba! Não descobriram nos Estados Unidos que os terroristas estariam montando uma "bomba suja"?

- Descobriram, e daí?

- E daí eu quero saber por que sujaram essa bomba. Ou seja, isso quer dizer que todas as outras são limpinhas.

- Arc, não se trata de uma questão de limpeza. Ela é chamada de "suja" porque espalha material radioativo, e as pessoas podem ser contaminadas sem saber, e morrer.

- E a "limpinha"?

- A "limpinha", como diz você, mata quando explode.

- E as bombas só existem para matar? O resultado de uma explosão "limpa" ou "suja" é a mesma coisa, a morte?

- É claro.

- Claro? É claro? Vocês acham claro viver sob ameaça de bombas?E ainda inventam brincadeiras, como chamar uma de "suja", insinuando que a outra é "limpa"?

- Não é brincadeira, Arc. É uma maneira de qualificar os dois tipos de bomba. Uma mata pela irradiação, outra pela explosão, entende?

- Como é que dá para entender vocês fabricando bombas para matar vocês mesmos?

(Arc é marciano e invisível.Ele gosta de estar na Terra, mas ainda tem muita dificuldade para entender algumas de nossas ações.)

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Arc E O Dia Das Mães

Impressionado com tanta propaganda, Arc,o marciano, quer saber por que há um dia só para as mães.

- Não basta comemorar o aniversário dela?

- Todo mundo faz aniversário, mesmo não sendo mãe. O Dia ds Mães, é uma data só para ela, entende?

- Não. Por que só para ela?

- Porque a mãe é quem carrega o filho, dentro dela, durante nove meses. É ela quem dá à luz. É ela quem melhor representa o amor...

- ...mas o pai não precisa colaborar?

- Arc! Claro que precisa. Mas é a mãe que tem o contato mais íntimo com o filho que vai nascer. Nós, terráqueo, não temos dúvida de que temos de homenagear nossa mãe.

- E o coitado do pai?

- Tem o dia dele, mas não é a mesma coisa.

- Por que?

- Porque... sei lá. Também tem o Dia da Criança. O comércio inventou ainda o Dia da Vovó, mas parece que não pegou.

- O comércio inventou??? E não pegou???

- Arc, todo mundo sabe que é uma promoção comercial, mas todo mundo gosta de ter uma razão para dar um presente à mãe.

- E para a criança, para o pai... todos ganham presentes...

- Não venha você com a velha gracinha de perguntar: e quando é que vamos comemorar o Dia do Marciano?

- Errou: acho que vamos comemorar o Dia das Mães Marcianas.

(Arc é marciano e invisível. Tem muita coisa na Terra que ele ainda não entende. Mas, às vezes, mesmo sem entender, gosta do jeito que os terráqueo fazem as coisas).

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Arc E As Armas De Brinquedo


- Para que servem as armas de brinquedo?

- Para brincar de mocinho e bandido, marciano.

- E é divertido?

- Arc, tem gente que diz que esse brinquedo faz parte da formação das crianças, e tem gente que acha que ele torna as crianças violentas.

- Quem decide qual é o mocinho ou o bandido?

- Depende, Arc. Pode ser na sorte, pode ser o mais forte, o mais rico...

- E como é que se ganha essa brincadeira?

- Normalmente ganha o mocinho. Mas ganha mesmo quem matar o outro primeiro. De mentirinha, entende?

- Entendo. Um aprende a ser mocinho, o outro a ser bandido?

- É tudo brincadeira, marciano. Coisa de criança. Até porque ultimamente, na vida real tem mais bandido ganhando do que mocinho...

- Claro, né?

- Por que "claro, né"?

-`Porque vocês ensinam a brincadeira, os meninos crescem, quem puder ser mocinho vai ser mocinho; quem não puder vira bandido. Claro,né?

(Arc é marciano e invisível. Tem muita coisa na Terra que ele ainda não entende. Mas está fazendo o possível para entender. Só que às vezes fica muito difícil...)

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Arc E A Pancadaria


Arc, o marciano, leu que houve uma forte pancadaria na convenção de um partido político em Brasília.

- Os que trocam pancada são do mesmo partido?

- São.

- Se são de um mesmo partido, estão de acordo com o que o partido quer?

- Não, Como você viu pela pancadaria, havia dois grupos de opiniões diferentes.

- Explique como dois grupos de um mesmo partido não conseguem resolver suas questões sem partir para a pancadaria.

- É que uma ala do partido queria um candidato, e a outra queria outro candidato.

- Mas eles não resolvem isso votando?

- É, a decisão é no voto, mas a discussão é na pancadaria.

- Ou seja, toda discussão envolve pancadaria?

- Não, Arc. É que às vezes as opiniões são muito divergentes, os ânimos se exaltam, a situação degenera, sai pancadaria!

- Se entendi, na convenção de um partido, dois grupos de opiniões diferentes partem para a pancadaria, mesmo sabendo que a solução só sai no voto.

- É isso mesmo. E daí?

- Nada. Se todos sabem que é no voto que a questão vai ser resolvida de qualquer maneira, por que a pancadaria?

(Arc é marciano e invisível. Ele gosta de estar na Terra, mas ainda encontra muita dificuldade para entender algumas de nossas ações.

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Arc E A Dengue


- Como é que eu vou saber se a dengue é uma doença municipal, estadual ou federal?

- Que questão mais boba, Arc. Onde éque você viu isso?

- Eu li que um político importante fez essa pergunta.

- Arc, pense: que importância tem o mosquito ser municipal, estadual ou federal?

- Terráqueo, foi um de vocês, aliás um federal bem importante, que apareceu com essa dúvida. Eu achei que existia uma hierarquia de mosquito, na qual o federal seria o mais importnte. Logo...

- Logo o quê, Arc?

- Logo o municipal deve ser um mosquitinho minúsculo, o estadual um pouco maior, o federal maior ainda.

- Que loucura é essa, Arc? Não tem essa de hierarquia de mosquito. São todos iguais. E picam as pessoas municipais, as estaduais e as federais... que são as mesmas.

- Como as mesmas?

- Arc, todo mundo mora num município, que pertence a um Estado, que é parte da federação, entendeu?

- Entendi. Mas minha preocupação é com os marcianos.

- E mosquito lá pica marciano, Arc?

- Não sei. Se existirem mosquitos municipais, estaduais ou federais, logo virão os internacionais, e depois os interplanetários. E Marte tem muita água parada. Se chega uma nave lá, com um mosquitinho dentro, acabam com a nossa raça Vocês não conseguem curar a vocês mesmos, imagine os marcionos...

(Arc é marciano e invisível. Tem muita coisa na Terra que ele não entende. Mas pelo jeito ele gostou, porque vai ficando, ficando...)

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Arc E "Casa Especial"


Arc, o marciano, fica com as antenas em pé toda vez que recebe notícias do planeta vermelho.

- Vocês vivem mandando sondas espaciais e o povo lá fica todo ouriçado...

- Ouriçado? Que palavra, marciano... Por que?

- Porque depois de cada relatório que eu mando eles querem saber se é verdade mesmo.

- Eles não confiam em você? Em sua palavra?

- O problema não é esse, terráqueo. É que é difícil mesmo acreditar em algumas coisas que acontecem aqui.

- Então não sei por que eles ficam ouriçados.

- Um exemplo. Eles querem saber se é verdade que uma emissora de televisão trancou um monte de jovens numa casa e mostra tudo o que acontece lá dentro.

- Tudo não, mas quase tudo. E daí?

- Daí que eles querem saber qual é a graça em mostrar um monte de gente fazendo coisas sem graça., quando na verdade todo mundo queria ver essas pessoas fazendo aquilo que acha que eles deveriam estar fazendo, quando todo mundo sabe que a televisão não vai mostrar aquilo que todo mundo queria ver, mas todo mundo continua assistindo assim mesmo, sem ter graça.

- E por que o ouriço com a sonda espacial?

- E se o tal monte de jovens estiver dentro da sonda?

(Arc é marciano e invisível e vem regularmente a Terra, inclusivel ao Brasil, para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquant
o, ele está achando que não dá...)

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Teagá - jornalista
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Arc E O Euro

Arc, o marciano, leu nos jornais que alguns países da Europa adotarão a moeda única, o euros, a partir de janeiro de 2002.

- O que tem isso de importante?

- Cada país do mundo tem sua moeda, Arc.

- E elas obviamente valem a mesma coisa...

- Obvio para você, que é marciano. Aqui, cada moeda tem um valor, comparada ao dólar americano, que é o padrão internacional.

- Por que o dólar?

- Lá vem você. Porque o país mais rico tem a moeda mais forte.

- Por que os outros não adotam o dólar também? Ficava mais fácil...

- Ficar, ficava. Ms não é assim que as coisas funcionam aqui. Cada país tem sua cultura, sua economia e...


- e nada. Vocês gostam mesmo é de complicar. E esse euro?

- Então, para mostrar que não gostamos só de complicar, mais de dez países da Europa se juntaram para fazer uma comunidade só, com uma moeda só, uma economia só...

- ... uma língua só!

- Mas que uma língua só, Arc. Você acha que franceses, alemães, italianos, espanhóis, portugueses e outros vão falar uma língua só? E quem resolveria que língua única seria essa?

- Os americanos... não mandam na moeda? Se deixaram fazer o euro, podem mandar todos falar a língua ouro.

- Arc!

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Teagá - jornalista
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Arc E O Clone


Arc, o marciano, leu nos jornais que a ovelha clonada Dolly está sofrendo de artrite e ficou intrigado.

- Por que vocês querem clonar os animais?

-Veja bem, marciano: se se consegue produzir um clone, tem mais carne e mais leite para alimentar a humanidade, por exemplo.

- Mas eles não se reproduzem sozinhos?

- É verdade, mas pode ser que se chegue a uma espécie mais saudável... Aí essa coitada da Dolly fica com artrite, que é coisa de velho, e ela ainda é muito jovem.

- Conta a verdade: vocês querem mesmo é clonar o ser humano.

- Arc, isso é uma discussão enorme. Tem gente que quer, tem gente que acha um absurdo - afinal, é a vida humana. Será que é lícito ao homem ignorar a natureza e se construir em laboratório? Tem a questão religiosa...

- Não complica, terráquio. Eu sempre achei que vocês queriam, por exemplo, fazer rodízio de vocês mesmos. Você faz um rodízio com os seus clones. Um fica em casa, outro vai trabalhar, outro tira férias... Para levar a vida com menos cansaço e mais prazer.

- Que idéias maluca, marciano. Como é que tem um que trabalha e outro que fica em férias? Qual a vantagem?

- Vantagem? O que sai de férias leva um clone de Vera Fischer, da Giovanna Antonelli...

- Ô Arc: eu não sabia que existia marciano machistas.

(Arc é marciano e invisível e vem regularmente à Terra, inclusive ao Brasil, para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá...).

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Arc E O Crime Organizado

Arc, o marciano, voltou de férias achando que as coisas tinham melhorado muito por aqui.

- Veja, por exemplo - disse ele.

- Aqui o crime já está organizado. Em Marte nem organizado está...

- Como? O quê?

- Vocês, aqui, conseguiram organizar o crime.

- Nós? Quem organizou o crime foram os bandidos, marciano.

- É mesmo? Eu achei que "crime organizado" era o resultado de um trabalho feito por vocês, que teriam finalmente colocado ordem na onda de violência que preocupava todo mundo quando eu saí de férias. Ou seja, vocês não conseguiram pôr ordem?

- Não é só uma questão de conseguir, entende?É complicado...

- É, sim, uma questão de saber quem organiza o crime: a polícia ou os bandidos. S os bandidos organizam, a polícia desorganiza...Se a polícia conseguir organizar, os bandidos vão desorganizar; assim não dá.

- Arc, pelo amor de Deus... Aonde é que você quer chegar?

- Talvez esteja na hora de criar a "polícia organizada".

(Arc é marciano e invisível. Já desistiu de convencer as autoridades de Marte a investir na Terra. Tem muita coisa que ele ainda não consegue entender a nosso respeito. Mas, pelo jeito, ele gosta mesmo é de ir ficando por aqui).


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Arc E Os Investimentos Em Marte

Arc, o marciano, recebeu algumas mensagens, todas fazendo mais ou menos a mesma pergunta: se o Arc levar muito tempo para decidir se Marte quer investir ou não na Terra, não corre o perigo de a Terra querer investir em Marte primeiro?

- Então, como é que você reage a essa provocação? Afinal, nossas sonda espaciais já estão fotografando seu planeta desde 1976. Você não viu em VEJA da semana passada?

- Terráqueo, enquanto vocês ainda estão fotografando, nós já estamos aqui.

- E daí?

- Vocês estão tirando fotografias há 25 anos e não viram nada.

- E você está aqui há um tempão e ainda não decidiu se quer investir ou não.

- E você acha qu é fácil tomar uma decisão de tamanha responsabilidade?

- Eu entendo a responsabilidade, mas...

- ... mas você não percebe o problema! Quanto mais eu falo dos problemas da Terra, mais marcianos começam a achar engraçado o que vocês fazem aqui.

- E daí?

- Daí que, se Marte fica igual à Terra, não precisa mais investir aqui. E quando vocês chegarem lá vai ser igual a aqui.

- E daí, Arc?!

- Daí que eu gosto daqui como é aqui, e de lá como é lá. Senão, qual é a graça?

(Arc é marciano e invisível e vem regularmente à Terra, inclusive ao Brasil, para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá...).

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

ARC E O Futuro Dos Artistas

Arc, o marciano, anda desconfiado de que Silvio Santos quer esticar o programa dos artistas por muito tempo.

- Ele decidiu que quem quiser, mesmo ganhando o prêmio máximo, pode ficar na casa.

- E daí, marciano.

- Daí que ele vai ter de organizar melhor a vida dos que vão ficando. Imagine que alguém decida se casar.

- Maravilha, Arc. Imagine o que a produção vai inventar para a festa do casamento. Dá até capa de Caras.

- Vamos em frente. A moça fica grávida... digamos a Tiazinha.

- Mais uma festa para a produção. Aliás, o bebê também vai para a capa de Caras.

- Onde o casal vai dormir com o bebê?

- Sei lá, marciano. A produção faz um puxado para o casal e o bebê.

- Mas aí a Feiticeira também se casa, tem uma filha; o filho da Tia

zinha cresce, se casa com a filha da Feiticeira, e a Tiazinha vira a Vovozinha. E aí...

- ...tá bem. E aí, o quê? Aonde é que você quer chegar?

- Que a casa vira um edifício, depois uma cidade, a vida volta à normalidade, fica tudo chato, aí o Silvio faz o quê? O quê?

- O quê?

- Começa tudo de novo. Com a Casa dos Netos dos Artistas...

(Tem muita coisa na Terra que Arc, o marciano, não entende. Ele faz o possível para colaborar.Mas não aguenta mais reality shows).

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Arc E O Big Brother Na Casa Dos Artistas

Arc, o marciano, andou confundindo o Big Brother Brasil com a Casa dos Artistas. Achou que os dois programas são iguais.

- Não são? Qual é a diferença?

- Além de passarem em canais diferentes, Casa dos Artistas é um programa feito com gente anônimas.

- E pessoas normais se submetem a isso?

- Arc, milhares de pessoas se inscrevem, sim.

- Mas o que acontece para haver tanto sucesso?

- Dois programas diferentes, em canais diferentes.

- Tá bem. Mas eu quero saber o que essa gente faz para os programas terem tanta audiência.

- O que fazem as pessoas em uma casa, Arc: comem, dormem, fazem exercícios, fofoca, maldades, bondade... quem chega até o fim ganha um bom dinheiro.

- Qual é a graça para quem vê?

- Marciano, é o seguinte: as pessoas querem ver as moças e os rapazes bonitos, querem conferir se eles mostram partes íntimas do corpo, querem saber se acontece algo de proibido, se rola um namorozinho mais explícito.

- Continuo sem ver diferença. A não ser que as pessoas queiram ficar famosas no Big Brother para ir trabalhar na Casa dos Artistas... Esse Silvio Santos...

(Troque idéias com outros fãs do Arc em www.veja.com.br; o e-mail do Arc é arc.marciano@abril.com.br.

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Arc E O Carnaval

Arc, o marciano, resolveu ver o Carnaval pela televisão. A primeira coisa que ele notou foi que, na Bahia, o povo dançava, enquanto no Rio o povo assistia. Depois registrou que um número incontável de moças belíssimas, praticamente despidas, desfilavam para o povo que assistia, enquanto ninguém aparecia nu no meio do povo que dançava.

- Por que na Bahia o povo gosta de dançar e no Rio de assistir?

- Não generalize, marciano. No Rio, muita gente sai sambando atrás dos blocos de rua; e a Bahia há de ter as suas despidinhas...

- Agora me explique por que no Rio gostam mais de mulher nua do que na Bahia?

- Todo mundo, ou quase, gosta de ver moças bonitas despidas.

- Então por que a diferença?

- Porque o Carnaval no Rio virou um show, em que moças despidas são um ingrediente obrigatório. Já na Bahia a turma vai se esfalfar dançando noite e dia.

- Mudem as datas. Faz Salvador numa semana e o Rio na semana seguinte.

- Não dá, Arc. O Carnaval cai sempre três dias antes da Quarta-feira de Cinzas. Assim, o pessoal, acabada a folia, vai pedir perdão pelos excessos cometidos no Carnaval.

- Entendi: pode-se farrear à vontade que o perdão é garantido.

- Arc!

( Arc é marciano e invisível. Ele adorou o Carnaval... Tanto que voou para Marte na Quarta-feira de Cinzas. Parece que finalmente o Arc encontrou uma desculpa para a turma dele investir no Brasil)

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Arc E O Ódio Entre Os Povos

Arc, o marciano, andou lendo que "os povos judeu e palestino se odeiam"..

- Como dois povos podem se odiar se nem todos se conhecem de um lado e do outro?

- Como assim?

- Todos os palestinos odeiam todos os judeus?

- Claro que não, marciano. Até porque VEJA disse que são 7 milhões de palestinos de um lado e 6 milhões de judeus do outro.

- Que absurdo dois povos se odiarem sem se conhecer! Como é que se pode odiar alguém que não se conhece?

- Essa não, marciano. Tem umas pessoas que eu não conheço pessoalmente, mas não gosto nada delas...

- Tudo bem, mas você sabe alguma coisa delas, pela imprensa, porque lhe contaram. Não é o caso dos judeus e dos palestinos.

- Como assim?

- Como assim? Como é que se pode odiar alguém que você nunca viu, que podia ser seu amigo mas você não sabe nem o nome?

(Arc é marciano e invisível. Tem muita coisa na Terra que ele ainda não entende. Mas está fazendo o possível para entender. Só que às vezes fica muito difícil...


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