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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O Morro dos Ventos Uivantes faz lindo e artificial roleplay de paixão e desejo


Com Margot Robbie e Jacob Elordi, nova adaptação do livro de Emily Brontë é conquista estética

Guilerme Jacobs

12.02.2026, às 16H06.

Warner Bros.

Uma das escolhas mais curiosas de “O Morro dos Ventos Uivantes” vem logo em seu título, que cerca o nome do livro de Emily Brontë entre aspas. A decisão reforça o caráter de adaptação do material, explica a diretora e roteirista Emerald Fennell . 

A Internet, por sua vez, respondeu à pontuação com teorias; estaria o casal do filme recriando de forma metalinguística a trama de 1847? A verdade não é tão conspiratória assim, mas não invalida as teorias de fã: “O Morro dos Ventos Uivantes” parece acontecer de fato dentro de aspas.


Warner Bros.

5 principais diferencias entre o filme e o livro

Fennell adapta o material tomando uma série de liberdades – o irmão de Cathy (Margot Robbie) já morreu, Heathcliff (Jacob Elordi) é um pobre jovem britânico e não cigano, Edgar (Shazad Latif) e Isabella (Alison Oliver) Linton não são irmãos, Nelly (Hong Chau) tem ascendência asiática –, mas permanece a história de dois amantes proibidos cujo timing só não é pior do que suas habilidades de comunicação. 

Cathy e Heathcliff se amam desde crianças, mas quando ela decide se casar com seu rico vizinho, ele decide fugir. 

Anos depois, Heathcliff volta, agora rico, e reacende o desejo na mulher, que já trocou alianças com Sr. Linton. 

Trata-se de uma das narrativas mais adaptadas da história do cinema – há versões da Velha Hollywood, do cinema independente moderno, em espanhol, japonês e italiano. Cada uma com interpretações e ideias diferentes. 

Para Fennell, O Morro dos Ventos Uivantes é sobre sexo, desejo e, acima de tudo, aesthetics.


O Morro dos Ventos Uivantes 6 adaptações do livro para assitir

De acordo com a diretora, é em respeito a essa linhagem cinematográfica que ela usa as aspas. Ela encara seu filme como uma possível tradução do livro para as telonas, e não como algo definitivo. É um movimento que ela encena se distanciando dos acontecimentos, e os interpretando quase como uma brincadeira de casinha de bonecas. Da direção que os atores seguem ao visual meio gótico, meio TikTok, “O Morro dos Ventos Uivantes” se porta como uma performance do romance de Cathy e Heathcliff. 

A carga emocional é entregue de imediato, seja através das roupas chamativas de Jacqueline Durran ou das músicas pulsantes de Charli XCX. Essa decisão, talvez pensada para um público acostumado com o imediato e mais propenso ao impacto sensorial reiterado, convida o espectador a ser mais observador do que participante numa lenta sedução. Talvez resulte num efeito oposto da sensação de controle perdido prometida pelo marketing.

Por um lado, isso implica numa série de conquistas artísticas. O design de produção de Suzie Davies transforma a mansão no Morro numa casa carvada em meio a pedras que parecem congeladas no meio de uma explosão, como se a própria estrutura rochosa estivesse uivando. Enquanto isso, a direção de arte de Caroline Barclay e Neneh Lucia faz da Granja dos Lintons uma peça de surrealismo, onde paredes parecem pele, sangue e ossos. Graças à fotografia de Linus Sandgren, esses ambientes opulentos ganham textura e saltam da tela. Entre as colinas e corredores, Robbie e Elordi encarnam versões calculadamente exageradas desses personagens.

Não é um absurdo dizer que todas figuras de “O Morro dos Ventos Uivantes” são pintadas como crianças – algumas birrentas e outras mimadas – e essa linguagem potencializa o aspecto performativo, quase fantasioso de Fennell. Os gestos são grandes, mas nunca humanos. O calor é alto, mas sempre é fabricado. Isso apresenta alguns desafios para o elenco, e ninguém está mais à altura do que Robbie. Seu timing cômico agrega ao filme uma pitada de humor consciente essencial, e o talento da atriz significa que, mesmo nos maneirismos mais caricatos de Cathy, é possível identificar traços de vulnerabilidade e ânsia. Elordi, por sua vez, sofre para encarnar o romântico perdido. Sua atuação mais travada é melhor utilizada quando Heathcliff passa a ser maldoso e vingativo, e a frieza do ator sai do campo do galã misterioso para o indiferente cruel.

O que falta entre os dois, porém, é a atração genuína. Claro, há agarrões intensos e beijos molhados, mas quem mais parece despertar algo genuíno no Heathcliff de Elordi é a Isabella de Oliver, com quem ele eventualmente desenvolve uma relação de “sua bizarrice completa minha bizarrice”. A verdade é que Fennell parece tão interessada em embelezar a paixão do casal do que se deixar ser tomada por ela. Em mais de uma ocasião em “O Morro dos Ventos Uivantes”, Cathy chama Heathcliff de brinquedo. Mas, nas mãos da cineasta, todos os personagens parecem ter saído de uma caixinha de brincar. Eles se movem de acordo com o ritmo, e portanto jamais chegam a ditá-lo. Até pela minúcia com a qual a produção foi feita, estamos sempre no campo do artificial.

Gera-se algo que parece um role-play, ou – ouso dizer, devido à falta de faíscas – um cosplay. Todos se vestem de acordo, entram em cena e desempenham um papel. Até que, lá pelo final, que retém o destino trágico de Brontë para o casal, “O Morro dos Ventos Uivantes” ganha ares mais honestos. Fennell,, enfim, rende-se às lágrimas da conclusão, e no processo coloca em tela algo impactante o suficiente para que lamentemos o tempo perdido entre Cathy e Heathcliff mais do que o fazíamos quando os dois se encontravam em seu eterno vai-e-vem. Somos deixados com algo real, tangível e cru. As aspas são, enfim, levadas pelo vento.

"O Morro dos Ventos Uivantes"
"Wuthering Heights"
2026
136 min
País:Reino Unido, EUA
Classificação:16 anos
Direção:Emerald Fennell
Roteiro:Emerald Fennell
Elenco:Margot Robbie, Allison Oliver, Owen Cooper, Shazad Latif, Hong Chau, Jacob Elordi

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sábado, 28 de junho de 2025

‘As Pontes de Madison’



‘As Pontes de Madison’ – Um dos filmes mais românticos da história do cinema completa 30 anos

Por Pablo Bazarello

Meryl Streep e Clint Eastwood 

 Clint Eastwood e Meryl Streep é um dos filmes mais românticos da história do cinema. Você já ouviu falar em ‘As Pontes de Madison’? Se não conhece, deveria. Ainda mais se gosta dos atores citados, da direção de Eastwood ou filmes românticos em geral, daqueles repletos de questões que nos faz pensar “o que faríamos em determinada situação”. Caso não tenha assistido ou queira rever este verdadeiro “novo clássico” – que está completando 30 anos em 2025 – corra, pois ele está atualmente em cartaz no acervo do streaming HBO Max.

‘As Pontes de Madison (1995) nasceu a partir do livro homônimo escrito por Robert James Waller , publicado em 1992. O romance foi um grande sucesso de vendas, rapidamente conquistando o público com sua história simples, porém, emocionalmente intensa, sobre um breve e marcante caso de amor entre uma dona de casa e um fotógrafo itinerante.

Meryl Streep e Clint Eastwood 

Agora, você sabia que o longa também teve envolvimento de Steven Spielberg ? Pois bem, o cineasta ao perceber o potencial cinematográfico da obra, adquiriu os direitos logo após o lançamento do livro. A intenção inicial era que Spielberg dirigisse o projeto, mas devido a outros compromissos (o principal deles sendo o intenso trabalho de pós-produção e divulgação de ‘A Lista de Schindler‘), ele preferiu apenas atuar como produtor executivo. A direção então ficou a cargo de Clint Eastwood , que também assumiu o papel principal ao lado de Meryl Streep.

Eastwood ficou encantado com a delicadeza e o tom intimista da história, que contrastava com os filmes de ação pelos quais era mais conhecido. Ele optou por uma abordagem minimalista, fiel à essência do livro, focando nos diálogos e nas emoções contidas dos personagens. A escolha de Meryl Streep foi essencial para dar credibilidade e profundidade emocional à personagem Francesca.

Meryl Streep e Clint Eastwood 

Eastwood também fez questão de filmar em locações reais em Iowa, conferindo autenticidade ao cenário bucólico das pontes cobertas que simbolizam o romance. A combinação da direção sensível, trilha sonora sutil e atuações marcantes resultou em um filme que se tornou um clássico romântico, reverenciado até hoje.

‘As Pontes de Madison‘ conta a história de Francesca Johnson, uma dona de casa italiana que vive uma vida simples e rotineira numa fazenda em Iowa com o marido e os filhos. Em 1965, durante um raro momento em que sua família viaja para uma feira fora da cidade, Francesca conhece Robert Kincaid, um fotógrafo da National Geographic que está na região para fotografar as famosas pontes cobertas de Madison County.


Meryl Streep e Clint Eastwood 

O encontro casual entre os dois desperta uma conexão imediata e profunda. Nos poucos dias em que passam juntos, eles desenvolvem um intenso romance que mexe com as emoções e certezas de Francesca. Ela se vê dividida entre a paixão avassaladora e o compromisso com sua família.

Robert, por sua vez, também se transforma com a experiência, enxergando em Francesca algo que nunca tinha sentido em sua vida de viajante solitário. Ambos vivem um curto, mas inesquecível relacionamento que marcará para sempre suas existências. No entanto, ao final, Francesca precisa escolher entre permanecer com sua família, consciente das consequências de suas decisões e do impacto que uma mudança radical traria para todos ao seu redor; ou se aventurar na loucura da paixão e do desejo, de uma vida que sempre sonhou e precisou sufocar, ao lado do verdadeiro amor de sua vida, Robert – numa cena verdadeiramente poderosa, em um dia chuvoso no carro.

A história é contada no presente através dos filhos de Francesca, que, ao descobrirem os diários da mãe após sua morte, conhecem esse capítulo desconhecido e comovente da vida dela. O filme termina com uma reflexão sobre escolhas, sacrifícios e o poder das memórias que permanecem para sempre no coração.

Antes de Clint Eastwood  assumir a direção de ‘As Pontes de Madison‘, vários outros diretores foram considerados para o projeto. Entre os nomes cogitados estavam Sydney Pollack, Bruce Beresford e Robert Redford, todos conhecidos por seu trabalho em dramas com forte carga emocional.

Meryl Streep e Clint Eastwood 

Pollack, por exemplo, tinha o sucesso de ‘Entre Dois Amores‘ (1985) e a experiência com romances delicados. Robert Redford também chegou a ser sondado, tanto para dirigir quanto para protagonizar, mas acabou recusando. No final, a escolha de Eastwood trouxe uma abordagem mais contida e direta, alinhada ao estilo minimalista que marcou o resultado final do filme.

Antes de Clint Eastwood decidir assumir também o papel de Robert Kincaid em ‘As Pontes de Madisonn‘, outros atores foram considerados para protagonizar o filme. Nomes como Robert Redford, Harrison Ford, Paul Newman e Sam Shepard chegaram a ser discutidos nos bastidores. Redford, inclusive, esteve fortemente associado ao projeto em suas fases iniciais, tanto como ator quanto como potencial diretor.

Meryl Streep e Clint Eastwood 

Harrison Ford também foi visto como uma escolha interessante, por sua popularidade e apelo romântico na época. No entanto, Eastwood, já confirmado como diretor, acabou optando por ele mesmo interpretar Kincaid, acreditando que poderia dar ao personagem a discrição e a melancolia necessárias para a história.

A escolha de Meryl Streep  para o papel de Francesca foi decisiva para o sucesso emocional do filme. Inicialmente, outras grandes atrizes foram consideradas, como Jessica Lange, Susan Sarandon, Anjelica Huston e Isabella Rossellini, todas com forte presença dramática. No entanto, Clint Eastwood  ficou impressionado com a capacidade de Streep em transmitir vulnerabilidade e intensidade com sutileza. Sua performance trouxe camadas de emoção e autenticidade à personagem, elevando o tom intimista da história. A atuação rendeu a Streep uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, consolidando sua escolha como uma das mais acertadas do projeto.

Meryl Streep

No lançamento em 1995, ‘As Pontes de Madison‘ recebeu elogios da crítica, principalmente pela direção sensível de Clint Eastwood  e pela atuação comovente de Meryl Streep. Muitos críticos destacaram a maneira contida e realista como o filme abordou o romance, evitando exageros melodramáticos. A química entre os protagonistas foi amplamente elogiada, com destaque para a vulnerabilidade e a entrega emocional de Streep. O filme também recebeu reconhecimento por sua fotografia e trilha sonora discretas, que complementaram o tom intimista da história. Apesar de algumas críticas pontuais ao ritmo lento, o longa se consolidou como um dos romances mais respeitados da década.

Na sua estreia nos cinemas americanos, no dia 2 de junho de 1995, As Pontes de Madison’ ‘ abriu em segundo lugar nas bilheteiras, atrás apenas de ‘Gasparzinho‘, superprodução para toda a família da Universal Pictures, que estava em sua segunda semana em cartaz. Nas semanas que seguiram em junho precisou enfrentar pesos-pesados como ‘Congo‘, ‘Batman Eternamente‘ e ‘Pocahontas‘ da Disney. Mesmo competindo com blockbusters de verão, o filme conseguiu um desempenho sólido, atraindo principalmente o público adulto em busca de dramas mais intimistas.

Meryl Streep e Clint Eastwood 

Sua estreia arrecadou cerca de US$10.5 milhões no primeiro fim de semana, o que foi considerado positivo para um romance de perfil discreto. Ao longo das semanas, o filme teve boa sustentação nas bilheteiras, impulsionado pelo boca a boca e pela crítica favorável. No total, ‘As Pontes de Madison’ faturou aproximadamente US$182 milhões mundialmente, consolidando-se como um sucesso comercial.

‘As Pontes de Madison’  recebeu quatro indicações ao Oscar em 1996, mas não venceu em nenhuma categoria. As indicações foram para Melhor Atriz (Meryl Streep), Melhor Ator (Clint Eastwood ), Melhor Trilha Sonora Original (composta por Lennie Niehaus) e Melhor Roteiro Adaptado (Richard LaGravenese). Embora não tenha levado nenhuma estatueta, as indicações confirmaram o reconhecimento da Academia à qualidade das atuações e da produção do filme, especialmente destacando a força dramática da dupla principal.

Meryl Streep e Clint Eastwood 

Trinta anos após sua estreia, ‘As Pontes de Madison‘ permanece como um dos romances mais icônicos e emocionais do cinema moderno. O filme é lembrado por sua abordagem sensível sobre escolhas, arrependimentos e amores impossíveis, conquistando novas gerações de espectadores.

A atuação de Meryl Streep continua sendo considerada uma das melhores de sua carreira, enquanto a direção minimalista de Clint Eastwood é frequentemente elogiada em análises retrospectivas. A obra também ajudou a consolidar o gênero de dramas românticos voltados ao público adulto, num período em que Hollywood começava a priorizar produções mais comerciais. Além disso, o filme mantém um lugar especial na cultura pop, com suas locações em Iowa se tornando pontos turísticos para fãs que desejam reviver a emoção da história.

cinepop.com.br

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Crítica | Os Sete Suspeitos



Sátira trabalha o thriller investigativo de maneira frenética e eleva o seu poder de farsa.

Por César Barzine



Como sátira de um subgênero (o suspense criminal investigativo), Os Sete Suspeitos atinge o completo sucesso quanto ao foco de seu objeto referenciado: o assassinato e a busca pelo respectivo responsável. Este aspecto é retratado, multiplicado e subvertido da maneira mais expressiva possível aqui. É algo gritado a todo momento, que vem e volta sem parar, de maneira completamente ligeira. Toda essa ênfase e velocidade constroem o caminho para a autoconsciência do longa; o que, ligado ao forte caráter de farsa, faz dele um pouco mais do que uma simples paródia: é como se fosse quase um laboratório de seu subgênero.


A sensação é que os personagens e o cenário são um microcosmo manipulado e observado por algo acima dele. Tudo parece, no final das contas, um experimento — e é daí que floresce o alto nível de autoconsciência do filme. Tal fator presente nele possui uma motivação bem específica: além de se basear em longas de suspense, Os Sete Suspeitos possui também uma inspiração em jogos de tabuleiros. Essa influência se reflete nitidamente na obra por tudo ser muito direto, engenhoso e, mais uma vez, consciente de si mesmo.


O roteiro prepara um terreno que transparece completamente essa natureza de jogo. O ponto de partida da história é a união de sete desconhecidos entre si que, sob um convite sem muita razão, encontram-se numa mansão para um jantar. Logo em seguida, em uma reunião, os segredos de cada um são revelados pelo mordomo e todo o projeto por trás de todos ali é exposto em poucos instantes. Há uma abordagem bem imediatista para esse desenvolvimento que cria um senso de planejamento, que está ao lado de uma sensação de distanciamento causada pela noção de peças sendo manipuladas por algo maior.


E tudo isso só poderia acontecer de maneira orgânica porque, além do filme reverenciar seu gênero, ele é uma sátira ao mesmo. Ou seja, trabalha com a falta de seriedade que permite algo tão seco e artificial. No cinema em geral, o humor é uma ferramenta muito eficiente para a farsa, e aqui ele está perfeitamente em função dela. O humor naturaliza e desnaturaliza, ao mesmo tempo, toda a trama e seu suspense. Desnaturaliza porque parte para a galhofa e o besteirol, e naturaliza porque este é o único caminho possível para fazer a farsa não ser apenas um estranho amontoado de situações implausíveis e jogadas ao vento.


As interpretações seguem um tom equilibrado de estarem em consonância com o pastelão (são carregadas) sem aderirem a ele por completo, evitando uma coisa exageradamente cartunesca. Algo que se desvie disso é a presença da empregada doméstica, que, com seu uniforme curtíssimo e seios à mostra, dá um toque mais caricato à produção. Por outro lado, a comédia fica um pouco mais sofisticada com as tantas piadas políticas feitas aqui — cairiam melhor no auge da Guerra Fria. Para completar, o filme expande ainda mais seu escopo de gêneros ao flertar com o terror. Vemos ele justamente tirando a seriedade da produção, como nos planos iniciais da mansão (algo também caricato e meio gótico) e a trilha sonora estridente em momentos de ação.


Mesmo com toda essa mistura, Os Sete Suspeitos nunca perde a mão na força de seu suspense. Há aqui o grande mérito de ser tanto comédia quanto thriller; é uma paródia a um outro gênero, ao mesmo tempo que está dentro desse gênero em si. Existe um enredo extremamente mirabolante, um verdadeiro quebra-cabeça com intrigas atrás de intrigas. O roteiro trabalha com a questão homicídio/suspeita sempre se renovando com um encadeamento de inúmeros acontecimentos em série. Há sempre novos crimes, suspeitas e revelações. A velocidade com que tudo ocorre se dá mais pela verborragia de diálogos expositivos do que pelo retrato das próprias ações, o que fornece um forte peso às discussões e raciocínios dos personagens, fisgando a atenção do espectador.


Todavia, seria ingênuo ver esse lado mirabolante como uma grande manifestação de criatividade artística. De certa forma, boa parte do desenrolar da narrativa é somente a continuidade de um algoritmo criado. Em outras palavras, o primeiro ato programa certo tipo de narrativa (numa linha genérica de Agatha Christie), e o longa apenas dá andamento a elas de modo mecânico criando uma intriga atrás da outra — daí vemos, por exemplo, novos personagens aleatórios entrando na casa para render novas confusões. Assim vemos que o recém-citado quebra-cabeça tem mais a ver com quantidade do que com profundidade. O lado inventivo de Os Sete Suspeitos não deixa de estar preso a um lado genérico — o que não chega a ser um problema.


Essa questão de ser genérico e inventivo mutuamente se encontra fortemente em seus múltiplos finais. É quando o filme vira um pequeno Rashomon  e vemos dois finais alternativos para além do principal. Todos eles seguem o tal algoritmo, mas não deixam de tornar a obra menos engenhosa — primeiro, pelo próprio artifício em si; e, segundo, por ser a cereja do bolo para um filme que, assim como um jogo de tabuleiro ou um experimento controlado, soa como objetos maleáveis abertos a diferentes rumos.


Os Sete Suspeitos (Clue) — EUA, 1985

Direção: Jonathan Lynn

Roteiro: John Landis, Jonathan Lynn, Anthony E. Pratt

Elenco: Eileen Brennan, Tim Curry, Madeline Kahn, Christopher Lloyd, Michael McKean, Martin Mull, Lesley Ann Warren, Colleen Camp, Lee Ving, Bill Henderson, Jane Wiedlin, Jeffrey Kramer, Kellye Nakahara, Will Nye, Rick Goldman, Don Camp, Howard Hesseman

Duração: 94 min.

 César Barzine


Redescobri o cinema aos 13 anos, e passei a (tentar) escrever sobre ele aos 14. Percebi que a escrita era um complemento da experiência fílmica, um modo de concretizar e externalizar minhas ideias e sentimentos. Venho encarando o cinema como um instrumento de espiritualização, sendo ele uma forma de viver as vidas que não vivi. Sou entusiasta da década de 1950, mas também abro o meu coração para a Hollywood Clássica por completa - sem dispensar as demais nacionalidades. Tenho Luis Buñuel em primeiro lugar, e mais uns seis diretores em segundo.







segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Urso de Prata para o 'O último azul'

Diretor Gabriel Mascaro recebe o Grande Prêmio do Júri Urso de Prata ao lado de Rodrigo Santoro e Denise Weinberg, protagonistas de "O último azul"
crédito: Ronny HARTMANN/POOL/AFP

Urso de Prata para o 'O último azul'
Filme brasileiro de Gabriel Mascaro, com Denise Weinberg e Rodrigo Santoro, leva o segundo prêmio. 'Drommer', de Dag Johan Haugerud, ganha o Urso de Ouro

Berlim, Alemanha – O filme "O último azul", do cineasta Gabriel Mascaro, ganhou o Grande Prêmio do Juri no Festival de Berlim, na tarde de ontem (22/2), considerado o segundo maior prêmio do evento, atrás apenas do Urso de Ouro, que foi para o norueguês "Drommer", de Dag Johan Haugerud.

É a primeira vez que um filme nacional leva o Grande Prêmio do Júri desde 1978, quando "A queda", de Ruy Guerra e Nelson Xavier, foi laureado. O Brasil já levou o Urso de Ouro em duas ocasiões –com "Central do Brasil", em 1998, de Walter Salles, e com "Tropa de elite", em 2008, de José Padilha.

A premiação impulsiona a atenção internacional aos filmes brasileiros há uma semana da cerimônia do Oscar, no próximo domingo (2/2), quando "Ainda estou aqui" compete pelas estatuetas de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Filme Internacional.

Mascaro, diretor dos célebres "Boi neon" e "Ventos de agosto", subiu ao palco do Berlinale Palast com seus atores principais, Denise Weinberg e Rodrigo Santoro, e agradeceu ao júri, presidido pelo diretor americano Todd Haynes.

"Muitos filmes que me inspiraram como cineasta estrearam aqui (na Berlinale). Quero expressar minha mais profunda gratidão ao júri por confiar este prêmio ao meu filme. Ele existe graças à dedicação de muitas pessoas que trabalharam duro para transformar este sonho em realidade", afirmou.

Resumiu ainda a mensagem de sua obra. "Fala sobre o direito de sonhar e a crença de que nunca é tarde para encontrar um novo significado para a vida."

Idosos em colônias

O filme de Mascaro imagina um país que despacha idosos a partir dos 75 anos para colônias, que soa como eufemismo de um governo de slogans e publicidade. A protagonista, Tereza, vivida por Weinberg, prestes a ser exilada, resolve fazer uma coisa que nunca fez na vida e, para tanto, parte em uma jornada pelo único caminho clandestino que lhe restou, os rios amazônicos.

Com uma participação pontual, Santoro dá lastro internacional ao filme no papel de Cadu, um barqueiro que aparece no caminho de Tereza. A obra, exibida nos primeiros dias do evento, era uma das favoritas da competição, liderando em avaliações positivas nas tabelas de críticas de revistas como a Screen International.

Delicadeza

Já Haugerud, diretor do delicado "Drommer", fez um pedido ao público, logo depois de receber o Urso de Ouro: "Escrevam mais, leiam mais. Isso expande a mente. Só fará bem a vocês". Era uma referência à personagem principal de seu filme, uma adolescente de 17 anos que escreve um livro sobre sua paixão por uma professora e dá um nó na cabeça dos adultos em volta – mãe e avó.

Depois de "Sex" e "Love", "Dreams" é a terceira parte de uma trilogia que se desenrola em Oslo. Os dois primeiros filmes foram apresentados nos festivais de Berlim e Veneza.

Entre os outros premiados, o chinês Huo Meng levou o Urso de Prata de melhor direção por "Living the land", enquanto o romeno Radu Jude, veterano do festival, ganhou o prêmio de melhor roteiro por "Kontinental '25".
Atuações

No flanco das atuações, o Urso de Prata de atuação principal foi para Rose Byrne, por "If I had legs I'd kick you" (“Se eu tivesse pernas, eu te chutaria”), enquanto Andrew Scott foi eleito o melhor coadjuvante, por "Blue moon", de Richard Linklater.

O júri desta edição presidido por Haynes, autor de "Segredos de um escândalo", tinha como membros o diretor franco-marroquino Nabil Ayouch e o argentino Rodrigo Moreno, a atriz chinesa Fan Bingbing, a figurinista alemã Bina Daigeler, a crítica de cinema americana Amy Nicholson e a atriz alemã Maria Schrader.

Documentário

Na competição principal da Berlinale, o Brasil também já foi destaque com três brasileiras que levaram o prêmio de melhor atriz –Fernanda Montenegro, por "Central do Brasil"; Marcélia Cartaxo, por "A hora da estrela", em 1986, e Ana Beatriz Nogueira, por "Vera".

Já os curtas nacionais "Ilha das flores", de 1990, e "Manhã de domingo", em 2022, venceram a principal competição do evento.
Nesta edição, "A hora do recreio", documentário da diretora brasileira Lúcia Murat, ganhou uma menção especial do júri jovem da mostra Generation, voltada ao público infantojuvenil.

Arranque político

A Berlinale deste ano teve um início político com as eleições alemãs à vista, nas quais o partido de extrema direita AfD pode obter um resultado histórico, e com as posturas mordazes contra Donald Trump de Tilda Swinton, convidada de honra, e de Todd Haynes.

"Como há eleições amanhã (hoje), espero que, no ano que vem, o festival não abra com 'Triunfo da vontade' de Leni Riefenstahl", um dos filmes mais famosos da propaganda nazista da Alemanha de Hitler, declarou o diretor romeno Radu Jude. (Com AFP)

VENCEDORES

Conheça os premiados da competição principal do Festival de Berlim deste ano
*Urso de Ouro*

"Drommer", de Dag Johan Haugerud
*Grande Prêmio do Júri*
"O último azul", de Gabriel Mascaro
*Prêmio do júri*
"El mensaje", de Iván Fund
*Melhor direção*
Huo meng, por "Living the land"

*Melhor atuação principal*
Rose Byrne, por "If I had legs I'd kick you"

*Melhor atuação coadjuvante*
Andrew Scott, por "Blue Moon"

*Melhor roteiro*
Radu Jude, por "Kontinental '25"

*Melhor contribuição artística*
Lucile Hadzihalilovic pelo conjunto do filme "La Tour de glace"

EM.com


terça-feira, 7 de janeiro de 2025

O Sexto Sentido

Haley Joel Osment e Bruce Willis

1999 – o ano que redefiniu o cinema: O Sexto Sentido

Continuando nossa saga, hoje vamos lembrar do filme que contém, muito possivelmente, o maior plot twist da história das telonas. O Sexto Sentido foi a grande obra de Shyamalan, um diretor que oscila entre filmaços e tosqueiras horríveis – hoje em dia pendendo mais pro segundo.

Pra quem não lembra, ou não viu – o que seria um pecado mortal – Sexto Sentido conta a história de uma criança que vê pessoas mortas, então sua mãe, que acha que ele está é sem um parafuso; contrata – ou o filme faz parecer que sim – um psicólogo para o ajudar, e em vez de tentar “curar” o garoto.

É claro que o ponto alto do filme é seu final, mas o filme todo é um espetáculo sensorial. A relação entre médico e paciente vai evoluindo a toques muito lentos, com poucas palavras, com olhares e gestos minimamente calculados para estarem lá e te fazerem sentir alguma coisa – é um filme de suspense de gente morta, então, às vezes, esse alguma coisa é um susto ou medo mesmo.

As cores, por vezes monocromáticas, dão a sensação da tristeza em que o garoto vive, de passar por situações impossíveis, vendo coisas terríveis e não ter com quem compartilhar. Sua mãe tem por ele do mesmo tamanho um amor e desespero imensos, de ver seu filho dizer que vê espíritos em todo lugar, tudo é melancólico em sua vida.

E o suspense e mistério estão lá para nos prender a cada segundo na tela, de forma muito bem elaborada.

Aí temos o final – olha o spoiler – onde descobrimos que o psicólogo também está morto- tava tudo lá, cada ceninha, cada frase, cada detalhe, nos mostrava isso – e não, você não viu, ninguém viu. É brilhante, genial, surpreendente, perfeito. O doutor completa seu ciclo, entende o que lhe passou, não sem antes ajudar o garoto a entender que seu dom é esse, ajudar almas perdidas a encontrarem seu caminho, e que nada há a temer, pelo menos não dos mortos, mas aí é outra história.

Samuel M. Bertoco é formado em Marketing e Publicidade

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

10 Filmes que são releituras de CLÁSSICOS do cinema!



By Raphael Camacho
17 de dezembro de 2024


Remakes são sempre polêmicos muito por conta da análise comparativa que não deixa de existir com a obra original. Algumas produções trazem novas releituras, outras seguem à risca o roteiro original. Pensando em algumas obras que são releituras de clássicos do cinema, segue abaixo uma lista com 10 dessas produções:


Cidade dos Anjos
Nicolas Cage e Meg Ryan

Na trama, conhecemos um anjo chamado Seth (Nicolas Cage), uma alma imortal que tem a missão de olhar pelas pessoas em aflição em uma Los Angeles da atualidade. Quando ele começa a se aproximar da história da médica Maggie (Meg Ryan), uma intensa paixão logo toma conta dele fazendo com que o mesmo opte pela mortalidade mesmo sabendo os riscos desse desejo

Nasce uma estrela
Bradley Cooper e Lady Gaga

Na trama, conhecemos a esforçada Ally (Lady Gaga) uma sonhadora que vive de trabalhos pingados mas não deixa de se apresentar como cantora em uma boate na cidade onde mora. Certo dia, em mais uma dessas apresentações acaba sendo avistada pelo famoso músico Jackson Maine (Bradley Cooper) que fica encantado pela jovem. A partir desse encontro, os dois ficam cada vez mais próximos, apaixonados, e Jackson não medirá forças para conseguir a chance de sucesso que Ally buscava. Mas como tudo na vida tem um preço, o sucesso de Ally acaba afetando demais o relacionamento próximo dos dois.


Overboard
Eugenio Derbez e Anna Faris

Remake de um homônimo conhecido filme de comédia do final dos anos 80 – com Goldie Hawn, Kurt Russell e dirigido por Garry Marshall – Overboard (2018) busca atrair o público com algumas similaridades com o original. Na trama, conhecemos a esforçada Kate (Anna Faris), uma mãe solteira com três filhas para criar que sonha em terminar seu curso de enfermagem. Entre um bico e outro, acaba indo prestar um serviço no iate do megamilionário Leonardo (Eugenio Derbez), com quem logo se estranha e é bastante mal tratada. Alguns dias após esse choque, Anna descobre via matéria de televisão que o mesmo Leonardo está em um hospital desnorteado, pois perdeu a memória. Assim, por incentivo de sua melhor amiga Theresa (Eva Longoria) bola um plano para convencer Leonardo de que é sua esposa.

Caçadores de Emoções
Luke Bracey e Edgar Ramirez

Dirigido pelo cineasta Ericson Core, o remake do clássico de Kathryn Bigelow, na trama conhecemos o ex-perito em esportes radicais Utah (Luke Bracey), que agora é agente do FBI, que descobre uma quadrilha especializada em esportes radicais que não obedece a lei. Sendo assim, pede permissão para se infiltrar como agente disfarçado nessa quadrilha e assim acaba conhecendo o líder do bando Bodhi (Edgar Ramirez), um homem cheio de inconsequências nas ações que busca percorrer 7 desafios que ninguém nunca conseguiu.

Poltergeist – O Fenômeno
Sam Rockwell

Na trama, acompanhamos o azarado Eric Bowen (Sam Rockwell) que mesmo sem emprego tenta dar uma vida nova para sua família. Assim, a família Bowen se muda para uma cidade onde não conhecem nada nem ninguém e aceitam comprar uma nova casa, que mais tarde eles viriam saber ser construída embaixo de um antigo cemitério. As crianças da casa são as primeiras a perceber que a casa está amaldiçoada por fantasmas, sendo assim os pais precisarão reunir força para combater essas inacreditáveis aparições assombrosas.

Oldboy – Dias de Vingança
Josh Brolin

Com a difícil missão de criar um remake de um dos filmes orientais mais aclamados por crítica e público em toda a história do cinema, o diretor norte-americano Spike Lee tentou. Na trama, conhecemos o alcoólatra e cafajeste Joe Doucett (Josh Brolin). Um homem odiado por muitos que após uma reunião imperfeita em um chique restaurante, resolve afogar sua mágoas e beber além da conta, acabando acordando em um misterioso quarto de hotel. Aos poucos, Joe vai descobrindo que está sendo na verdade mantido como refém e isso continua por intermináveis 20 anos. Até que um dia, após uma tentativa frustrada de fuga, é largado dentro de uma mala no meio de um vasto campo verde e assim inicia sua busca pela filha abandonada e por vingança.


Robocop
Joel Kinnaman

Na trama ambientada em 2028 na cidade de Detroit, conhecemos o incorruptível detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) que diariamente luta contra os criminosos da cidade, além de colegas de corporação extremamente corruptos. Certo dia, após chegar em casa depois de mais um dia cansativo, sofre um atentado na porta de casa ficando em estado grave, à beira da morte. Sua sorte é que a equipe do Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) estava procurando exatamente um ex-policial que sofrera algum tipo de acidente para criar um robô de combate ao crime, financiado pelo bilionário Raymond Sellars (Michael Keaton). Alex então vira Robocop, um super policial, sem se esquecer de sua mulher e seu filho. Assim, luta contra o crime e busca sua verdadeira personalidade em meio ao caos político que se instaura em sua cidade.

Carrie, a Estranha (2013)












Chloë Grace Moretz

Na história, conhecemos Carrie White (Chloë Grace Moretz) uma jovem que entrou no colégio recentemente a pedido da justiça já que antes recebia apenas aulas em casa. Sua mãe Margaret White (Julianne Moore) é uma costureira e fanática religiosa que impõe uma severa disciplina de sua jovem filha. Certo dia, Carrie sofre um intenso bullying de sua classe dentro da banheiro e a partir deste fato vai descobrindo que possui poderes especiais que culminam no terrível dia de sua formatura na escola.


Ben-Hur
Charlton Heston,


O irretocável filme do final da década de 1950, dirigido por William Wyler, ganhou uma nova versão em 2016. Na trama conhecemos Judah Ben-Hur , acusado de traição, luta pela sobrevivência sem deixar de se afastar do desejo de vingança contra o melhor amigo que o traiu.


Saída de Mestre


Mark Wahlberg

Charlie Croker (Mark Wahlberg) é um gênio do crime, que está decidido a recuperar um cofre repleto de ouro que fora roubado por seu ex-sócio Steve (Edward Norton), que o traiu. Para tanto ele conta com uma gangue formada pelo gênio da computação Steve (Seth Green), Handsome Rob (Jason Statham), o especialista em explosivos Left Ear (Mos Def), o arrombador de cofres John Bridger (Donald Sutherland) e ainda a bela Stella Bridger (Charlize Theron). O plano da gangue é recuperar o cofre em plena Los Angeles, criando para tanto o maior engarrafamento que a cidade já viu em sua história.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Uma Segunda chance para Amar



Globoplay

Em Uma Segunda chance para Amar, Kate (Emilia Clarke) é uma jovem inglesa com uma vida que é uma bagunça. Além de ter dificuldades em lidar com a mãe Petra (Emma Thompson) e a irmã Marta, ela trabalha como elfo em uma loja temática de natal durante todo o ano. E é às vésperas do Natal que ela conhece Tom (Henry Golding), e o que parecia impossível se torna realidade, conforme o rapaz enxerga através de todas as barreiras que ela construiu para sua vida.

Natal embalado a George Michaelpor Laysa Zanetti

Quando tudo começa a dar estranhamente certo para o casal protagonizado por Emilia Clarke e Henry Golding, com muitas coincidências em jogo ao mesmo tempo, é natural que alguém eventualmente chegue à conclusão de que há algo de errado no desenvolvimento dessa história. Para Paul Feig, no entanto, nada é por acaso, e tudo fica claro quando Uma Segunda Chance para Amar eventualmente chega ao lugar em que pretendia chegar.Tratando-se de uma comédia romântica natalina, 

Uma Segunda Chance para Amar não cai muito longe de uma árvore tipicamente conhecida, mas é charmoso quando pede ao espectador que suspenda algumas de suas crenças naturais para mergulhar nesta história, que tem origem em uma família Iugoslava que migra para o Reino Unido em busca de uma vida melhor. A inserção de um subtexto político serve de pretexto para que o Brexit e uma eventual reflexão sobre os radicalismos atuais.

 Emília Clarke

 Emília Clarke e Henry Golding

Henry Golding e Emilia Clarke

“Uma Segunda Chance para Amar” é uma adição recente ao catálogo da Netfix O filme se destaca não apenas pelo seu elenco estelar, com Emilia Clarke, mundialmente famosa por “Game of Thrones” e “Como Eu Era Antes de Você”, mas também pela profundidade emocional e temática intrincada que esconde por trás de sua superfície de comédia romântica.

Serviços de streaming de filmes online

A Protagonista e sua Complexa Vida

Kate, interpretada por Emilia Clarke, é uma jovem inglesa cuja vida é tudo menos simples. Vivendo em Londres, uma cidade repleta de histórias e mistérios, ela enfrenta uma série de desafios pessoais e familiares.

Sua família migrou para Londres no final dos anos 90, fugindo dos conflitos na Iugoslávia. As cicatrizes dessa transição são palpáveis. A mãe de Kate, Petra (interpretada por Emma Thompson), está constantemente preocupada com o futuro da família em meio ao cenário político do Brexit. Já seu pai está tão absorvido por seu trabalho como taxista que parece usar o ofício como uma desculpa para estar próximo da família.

Além das questões familiares, Kate tem seus próprios demônios para enfrentar. Um problema cardíaco quase a levou à morte, e a recuperação veio com a doação de um novo coração. Mas desde então, ela sente que algo mudou em seu interior, levando-a a comportamentos autodestrutivos.

Seu trabalho como elfo em uma loja temática de natal sob a supervisão de Papai Noel (interpretada por Michelle Yeoh) também reflete sua desordem interna. Papai Noel observa a mudança em Kate após sua doença, marcada por negligências no trabalho e um distanciamento crescente da realidade ao seu redor.

A Reviravolta: Tom e a Revelação

Em meio ao caos de sua vida, Kate conhece Tom (Henry Golding). Através de conversas sinceras e passeios por Londres, Tom oferece a Kate uma nova perspectiva sobre a vida. Mas o verdadeiro choque vem com a revelação de sua identidade.

Tom é Real ou Apenas uma Alucinação? 

O mistério se aprofunda quando se revela que Tom é, na verdade, um fantasma. Ele morreu em um trágico acidente de bicicleta, e seu coração agora bate no peito de Kate. As interações entre eles, embora pareçam reais, têm uma nuance sobrenatural. Tom serve não apenas como uma janela para o autoexame de Kate, mas também como uma conexão tangível entre a vida e a morte, o passado e o presente.

Elenco

Emilia Clarke
Personagem : Kate

Henry Golding
Personagem : Tom

Michelle Yeoh 
Personagem : Santa

Emma Thopson
Personagem : Petra

Fotos








Detalhes técnicos
Nacionalidades Reino Unidos, EUA
Distribuidor Universal Pictures
Ano de produção 2019
Tipo de filme longa-metragem
Curiosidades -
Orçamento -
Idiomas Inglês
Formato de produção -
Cor Colorido
Formato de áudio -
Formato de projeção -
Número Visa -

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

As Cores do Mal: Vermelho


Divulgação / Netflix
O filme que parece um livro de Agatha Christie: o melhor mistério de 2024 vai te deixar de boca aberta, na Netflix

Por Helena Oliveira 
em Filmes
15/12/2024 “As Cores do Mal: Vermelho” mergulha em uma atmosfera densa e perturbadora que ecoa os mistérios imortais de Agatha Christie. Quase cinco décadas após a morte da “Dama do Crime”, o diretor Adrian Panek nos conduz por um emaranhado de intrigas onde cada detalhe, cada silêncio e cada sombra podem ocultar segredos fatais. Inspirado no romance “Czerwień” (2019), de Małgorzata Oliwia Sobczak, o filme é um thriller policial que explora o lado sombrio de uma sociedade contaminada pelo poder e pela corrupção.

No epicentro da trama, está Leopold Bilski, um detetive que precisa desvendar um assassinato ocorrido em Tricidade, região costeira composta por Gdańsk, Gdynia e Sopot, no norte da Polônia. Uma jovem é encontrada morta à beira do mar Báltico — sua pele fria e sem vida revela uma crueldade indescritível: seus lábios foram removidos. Um crime brutal, quase ritualístico, que vai muito além da superficialidade de uma simples investigação policial. Os indícios são fragmentados, e a busca pela verdade revela uma rede de relações perigosas.

Monika Bogucka, a vítima, é apresentada em um flashback que a mostra vivaz e desafiadora, bebendo em uma boate pouco antes de seu destino selado. A interpretação magnética de Zofia Jastrzębska dota Monika de uma combinação intrigante de coragem e imprudência — uma personagem cuja própria ousadia parece ter pavimentado seu fim trágico. Mesmo em suas ausências físicas, sua presença domina cada cena, permeando o filme com uma sombra melancólica.

Enquanto isso, o detetive Bilski, vivido por Jakub Gierszał, encarna a obstinação clássica dos investigadores noir. Ele vasculha a paisagem urbana sombria e melancólica de Tricidade, esbarrando em figuras enigmáticas e autoridades dispostas a silenciar verdades inconvenientes. O mar Báltico, onipresente e silencioso, é uma testemunha eterna — suas águas frias escondem tanto quanto revelam.

O ponto de virada acontece com a entrada de Helena Bogucka, a mãe de Monika, interpretada por Maja Ostaszewska. Helena é um enigma por si só, uma mulher cujo olhar carrega uma profundidade indecifável. Sua influência e astúcia fazem dela a aliada que Bilski precisa, mas também uma figura que talvez saiba mais do que revela. A dinâmica entre Bilski e Helena adiciona camadas de tensão, com cada interação transbordando de subtextos e ameaças veladas.

Adrian Panek constrói um suspense tenso e opressivo, pontuado por pequenos momentos de revelação que se encaixam como peças de um quebra-cabeça cruel. O roteiro, coescrito com Lukasz M. Maciejewski, não se limita a reproduzir a narrativa de Sobczak, mas oferece uma perspectiva cinematográfica que amplia os horrores descritos no livro. A corrupção institucional, a decadência moral e a brutalidade do submundo são retratadas com uma honestidade incômoda.

A direção de fotografia aproveita a paisagem gélida e os cenários desolados de Tricidade, criando uma atmosfera que mistura beleza e desespero. Cada enquadramento parece ecoar um sentimento de opressão e iminente perigo. O tom fúnebre e os detalhes macabros podem não ser inovadores, mas são executados com uma competência que estimula os sentidos e mexe com os nervos.

No fim, “As Cores do Mal: Vermelho” é uma investigação não apenas de um crime, mas das estruturas sociais que o permitem. Um suspense que não promete revolução narrativa, mas entrega uma experiência sombria e envolvente, digna das melhores histórias de mistério.

Filme: As Cores do Mal: Vermelho
Diretor: Adrian Panek
Ano: 2024
Gênero: Drama/Policial/Suspense
Avaliaçao: 8/10 1 1 Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
100
Revistabula.com.br

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Bruce Willis: O Patrimônio Bilionário do Pai dos Filmes de Ação

 
Bruce Willis
Créditos: deposiphotos.com/asp
Por Vitor Bruno
25/set/2024
Em Economia Notícias

Bruce Willis é uma lenda viva de Hollywood, amplamente reconhecido por suas atuações memoráveis em filmes  de ação e comédia. Além de seu talento inegável, Willis também conseguiu acumular uma impressionante fortuna ao longo de sua carreira. Investigaremos como ele realizou essa proeza financeira.

Bruce Willis nasceu em 1955 em Idar-Oberstein, na AlemanhaOcidental. Ele iniciou sua trajetória no teatro e, posteriormente, migrou  para a televisã, com desteque ma série "Moonlighting. Esse papel foi crucial  para abrir inúmeras oportunidades no cinema, consolidando sua carreira. 

Os diversos caminhos para aa fortuna de Bruce Willis.

Com uma fortuna estimada em aproximadamente USS 250 milhões (cerca de 1,3 bilhão) Bruce Willis diversificou suas fontes de renda.  A seguir exploramos essas principais fontes: Atuação: Willis é conhecido por seus  altos cachês em grandes produções de cinema.

Produção e Direção: Ao se envolver na produção e filmes, ele garantiu uma fatia maos dos lucros.

Investimentos imobiliários : Ele possui várias propriedades de luxo que valorizaram significativamenrte

Empreendimentos: Participações em diversas empresas contribuíram para a diversidade de suas fontes fontes de renda.  

Como Bruce Willis Administra Seus Recursos?

Além de ganhar dinheiro, administrar sabiamente a fortuna é fundamental. Bruce Willis investe em um portfólio variado que inclui imóveis, ações e negócios diversos, garantindo um fluxo constante de receita.

Willis também é conhecido por ter um estilo de vida relativamente simples, algo raro entre estrelas de Hollywood. Essa moderação em seus gastos pessoais é essencial para a preservação e crescimento de sua riqueza a longo prazo.

Os Filmes Mais Rentáveis de Bruce Willis

Alguns dos maiores sucessos de Bruce Willis nos cinemas tiveram um impacto significativo em sua fortuna. Recordaremos alguns dos títulos mais lucrativos:

“Duro de Matar” (1988): Um clássico do cinema de ação que foi um enorme sucesso de bilheteria.

“O Sexto Sentido” (1999): Um thriller psicológico que se tornou um fenômeno mundial.

“Pulp Fiction” (1994): Aclamado por críticos e público, este filme teve um grande impacto cultural.

“Armageddon” (1998): Um blockbuster que arrecadou impressionantes cifras monetárias.

“Sin City” (2005): Um sucesso tanto de crítica quanto de bilheteria.

Qual o Impacto Filantrópico de Bruce Willis?

Além de seu sucesso empresarial, Bruce Willis tem um forte envolvimento em causas filantrópicas. Ele apoia várias instituições de caridade, utilizando uma parte de sua riqueza para fazer diferença na vida de muitas pessoas. Esse lado generoso mostra uma faceta de sua personalidade que vai além das telas do cinema.

Em conclusão, a fortuna de Bruce Willis é resultado de talento, decisões financeiras estratégicas e uma administração cuidadosa de seus recursos.

A história de sua carreira é um exemplo inspirador de como alcançar e manter o sucesso, tanto profissional quanto pessoal, por meio de diversificação e prudência.

Monitordomercado.com.br

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O Filme Donzela

Millie Bobby Brown e 
Divulgação / Netflix

Por Helena Oliveira
Em Filmes
22/08/2024 - 15:24

A evolução das narrativas sobre heroínas e príncipes encantados se reflete de forma inovadora em “Donzela”, um filme dirigido por Juan Carlos Fresnadillo. O longa se distancia dos clichês tradicionais, oferecendo uma interpretação arrojada com um enredo recheado de efeitos visuais impressionantes e batalhas dramáticas, incluindo um dragão vomitando chamas sobre guerreiros em apuros e uma jovem enfrentando desafios em um reino distante.

O roteiro, assinado por Dan Mazeau, explora a contradição entre a imagem idealizada de uma princesa e a dura realidade de um trabalho árduo. Elodie, a herdeira de um reino em decadência, e sua irmã, Floria, enfrentam diversas adversidades, trocando itens de valor por comida e sobrevivendo a humilhações enquanto tentam se manter vivas.

Fresnadillo utiliza e subverte os arquétipos clássicos das histórias de damas à espera de um herói, destacando uma protagonista que se revela capaz de salvar a si mesma. O diretor cria falsas expectativas sobre uma nova era de riqueza e romance para Elodie, com o pai dela, Lord Bayford, interpretado por Ray Winstone, buscando um casamento estratégico com o príncipe Henry, primeiro na linha de sucessão de um reino próspero. Elodie é então enviada para esse reino, onde deve se preparar para suas novas responsabilidades como monarca consorte.

Millie Bobby Brown, no papel de Elodie, alimenta as expectativas do público, mostrando uma jovem que aparenta estar encantada com a família de Henry, interpretado por Nick Robinson. No entanto, o roteiro de Mazeau logo revela uma reviravolta significativa. A narrativa avança para mostrar Elodie já casada e aprisionada em uma caverna, aguardando um ritual que é central para a trama. Este segmento do filme se destaca por um espetáculo visual liderado pelo design de produção de Patrick Tatopoulos e os figurinos elaborados de Amanda Monk.

A mistura de elementos de “Cinderela” e “Bela Vingança” se revela um comentário profundo sobre a natureza da condição humana, proporcionando uma experiência que vai além do conto de fadas tradicional.A evolução das narrativas sobre heroínas e príncipes encantados se reflete de forma inovadora em “Donzela”, um filme dirigido por Juan Carlos Fresnadillo. O longa se distancia dos clichês tradicionais, oferecendo uma interpretação arrojada com um enredo recheado de efeitos visuais impressionantes e batalhas dramáticas, incluindo um dragão vomitando chamas sobre guerreiros em apuros e uma jovem enfrentando desafios em um reino distante.

O roteiro, assinado por Dan Mazeau, explora a contradição entre a imagem idealizada de uma princesa e a dura realidade de um trabalho árduo. Elodie, a herdeira de um reino em decadência, e sua irmã, Floria, enfrentam diversas adversidades, trocando itens de valor por comida e sobrevivendo a humilhações enquanto tentam se manter vivas.

Fresnadillo utiliza e subverte os arquétipos clássicos das histórias de damas à espera de um herói, destacando uma protagonista que se revela capaz de salvar a si mesma. O diretor cria falsas expectativas sobre uma nova era de riqueza e romance para Elodie, com o pai dela, Lord Bayford, interpretado por Ray Winstone, buscando um casamento estratégico com o príncipe Henry, primeiro na linha de sucessão de um reino próspero. Elodie é então enviada para esse reino, onde deve se preparar para suas novas responsabilidades como monarca consorte.

Millie Bobby Brown, no papel de Elodie, alimenta as expectativas do público, mostrando uma jovem que aparenta estar encantada com a família de Henry, interpretado por Nick Robinson. No entanto, o roteiro de Mazeau logo revela uma reviravolta significativa. A narrativa avança para mostrar Elodie já casada e aprisionada em uma caverna, aguardando um ritual que é central para a trama. Este segmento do filme se destaca por um espetáculo visual liderado pelo design de produção de Patrick Tatopoulos e os figurinos elaborados de Amanda Monk.

A mistura de elementos de “Cinderela” e “Bela Vingança” se revela um comentário profundo sobre a natureza da condição humana, proporcionando uma experiência que vai além do conto de fadas tradicional.

Filme: Donzela
Direção: Juan Carlos Fresnadillo
Ano: 2024
Gêneros: Fantasia/Aventura
Nota: 8/10

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